sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Crescer dói

Crescer dói.
Dói porque não temos mais as pessoas que amamos ao nosso lado, cada um segue sua própria vida, seu próprio caminho... a distância surge e transforma em simples lembrança o que antes era cotidiano.
Dói porque temos que assumir responsabilidades, mesmo que não queiramos, e temos que trabalhar, estudar, ser alguém. Atingir objetivos, conseguir aquela vaga tão almejada que no final das contas nem vai nos fazer feliz ou minimamente plenos.
Dói porque a vida adulta não é aquela maravilha que havíamos pensado, apesar da liberdade conquistada de não ter mais que pedir permissão aos pais para qualquer coisa. Mas daí temos chefes e supervisores. Temos horário pra cumprir, pra chegar, pra sair. Temos relatórios pra entregar, metas a atingir. Temos uma agenda cheia de compromissos importantes, uma lista enorme de contas a pagar, e então viramos escravos desse estilo de vida, e não somos livres, como pensávamos.
Aos finais de semana e horários vagos dói ser crescido porque nem sempre temos disposição para aproveitar o momento, porque às vezes não conseguimos sequer tirar da cabeça os pensamentos relacionados a tudo aquilo que nos consome.
Dói porque quando chegamos em casa temos um milhão de coisas pra fazer, e dói porque dificilmente fazemos algo exclusivamente para nós mesmos.
Dói porque nos deixamos de lado, porque abdicamos daquilo que nos fazia sentir bem, do que fazíamos por prazer, como ficar com os amigos ou descansar.
Eu não sou uma pessoa que tem uma visão negativa sobre a vida, muito pelo contrário, me considero realmente positiva, mas, às vezes, quando a gente tem lembranças de alguns anos atrás, com uma realidade tão diferente do que temos agora, a gente não pode deixar de admitir que crescer dói bastante, e isso não significa que a vida não seja boa ou que não valha a pena viver: vale!
Bom mesmo é, apesar de todas as dores, encontrar forças para continuar tentando, abraçar uma causa, sorrir para um desconhecido. Porque, mesmo doendo, diariamente nos deparamos com motivos para seguir em frente... ou não estaríamos aqui.


"Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino." (Fernando Sabino)