quarta-feira, 6 de julho de 2016

Catarina

Um dia desses avistei uma moça com um olhar tão sofrido que chegou me doer. Além de sofrimento, havia ali um vazio, talvez uma saudade...
Seu andar era lento, como se não quisesse chegar ao seu destino...
Sua postura era frágil, encolhida, como alguém que se protege... Sabe-se lá de quê. De quem. Talvez de si mesma, quantas vezes eu mesmo não o fiz! Quantas vezes escondi a dor que me doía, quantas vezes fingi não ouvir meus pensamentos... A gente tenta se enganar.
Ao vê-la ali, com seu olhar doído, eu sabia que ela fingia. Que tentava enganar... A si e aos outros. Insistindo que as dores hão de passar naturalmente, que as feridas cicatrizarão sem o cuidado necessário... E talvez tenha sido isso o que faltou. Cuidar de si, de suas feridas. Pensar em si. Valorizar-se.
Em meio às minhas especulações silenciosas, seu olhar sofrido me fitou e sua intensidade me atingiu como um golpe certeiro. Foi como sentir sua dor. Foi como ter tido lida a minha alma. Então aquele instante acabou, seguimos nossos caminhos, sem saber onde íamos ou onde queríamos chegar.

3 comentários:

  1. Amo toda forma de literatura, ficcional ou não, e sempre estou lendo você, tenha uma linda tarde, beijos !!!

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  2. Sabe Daniela, eu me vi em você, acho que eu tenho esse hábito não sei. Tento entender as pessoas ao vê-las, quem sabe o que elas estariam passando, quem sabe quem são? Isso é quase um vício, do qual praticamente nunca terei repostas.

    Gostei do texto, o trecho "e sua intensidade me atingiu como um golpe certeiro" foi simplesmente perfeito!

    Abraço.

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  3. Quando reconhecemos significa que já vivemos e viver é lindo, mesmo com tanta dor e reconhecer isso é a maior das coragens que alguém pode ter. Boa noite!

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