domingo, 26 de junho de 2016

Metamorfosear II

Percebo-me mudando. A cada instante. A cada nascer do sol.
Percebo-me diferente... Do que fui, do que era, do que sou.
À medida que percebo-me, modifico-me, e o que sou torna-se rapidamente passado, dando origem a um novo ser... E assim vou tornando-me quem sou, a cada dia... E mesmo mudando, por nenhum instante deixo de ser eu.
Mudam os gostos, as cores, as músicas. Mudam os hábitos, as rotinas.
O cansaço muda, assim como a forma de descansar.
Vejo minhas mudanças como libertações: do que eu fui, do que eu era.
Acredito que sempre mudamos para melhor, então por que gostaríamos de permanecer igual?
Por que não ouvir novas músicas?
Por que não vestir novas cores?
Por que não pintar nossos lábios, nossos lábios, nossas peles?
Por que não abandonamos aquilo que nos faz pesar para sermos leves?
Por que não deixamos pra trás tudo o que incomoda, dói?
Há de se ter coragem para ceder ao que fomos, para nos tornar quem somos.
Há de se ter muita coragem... E apoio.

Há coisas que, apesar do tempo e das dores, permanecem.
Os livros, os amigos, algumas saudades.
Como é bom ter saudades bonitas pra guardar, lembranças doces...
Como é triste saber que algumas pessoas não tiveram nem isso e, pior, só receberam mudas de tristezas pra cultivar.
Como é bonito quando, mesmo para quem é triste, surge uma esperança, e uma luz para guiar.
Essa luz, poucos sabem, existe dentro de cada um, e só espera oportunidade para brilhar.

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