quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O fio do destino

O texto abaixo foi retirado do livro "O fio do destino", de Zibia Gasparetto, pelo espírito Lucius, sendo parte do prólogo deste. Copiei-o com carinho pela paz que sua leitura despertou em meu interior... Dando-me a sensação de que minha alma poderia muito bem ter redigido essas mesmas palavras, tamanha identificação que tive.
"Hoje, após tantos anos, retorno ao antigo lar abandonado, buscando encontrar ali as dulcíssimas emoções de antanho. Entretanto, a poeira do tempo varreu a sede das minhas lembranças e o progresso estabeleceu novo ambiente no mesmo local.
A vida nos auxilia, oferecendo-nos oportunidade de nos desapegarmos dos objetos, das formas materiais, chamando-nos para a profundidade da essência pura. Estabelecendo em nós apenas a destilação dos nossos sentimentos, transforma-os em precioso perfume.
Na tela da minha mente, deslizam nesta hora, como o desenrolar de uma película cinematográfica, todos os acontecimentos dramáticos e emotivos vividos naqueles tempos e - curiosa sensação - meus sentimentos registram todas as emoções passadas que pareciam adormecidas no esquecimento, sepultadas pela constante necessidade de superar o sofrimento, de aprimorar o espírito, na luta pela evolução.
As emoções se avolumam e eu, colocado frente com as recordações, vivo-as de novo, na maratona maravilhosa e profunda da mente. Dir-se-ia que, de repente, um véu tivesse sido retirado do meu cérebro desdobrando minha capacidade de memória, retrocedendo no tempo, penetrando os mistérios do passado, sentindo como um encantamento, as emoções de antanho.
Assim, continuo olhando dentro de mim mesmo, e rio quando revivo um momento feliz, sofro e choro quando revivo um trecho doloroso. Mas, apesar de tudo, sinto útil esse mergulho no torvelinho das lutas passadas, porque, agora, consciência um pouco mais desperta do que então, vejo também os erros cometidos, as atitudes impensadas e imprudentes que tantos sofrimentos causaram mais tarde. Contudo, na gloriosa apoteose da introspecção emotiva, apesar dos múltiplos sofrimentos revividos, uma luz nova e serena me domina o ser, oferecendo-me uma segurança nunca antes pressentida e uma profunda confiança no futuro.
Dessa maneira, talvez minhas lembranças possam ser úteis a outras criaturas, pela experiência que representam, porque, na verdade, poucos na vida não terão amado, poucos não terão confiado, poucos não terão sido traídos, desprezados, adulados, perseguidos, e nenhuma certamente terá vivido sem o sofrimento.
(...)"

Um comentário:

  1. De uma brutalidade literária adorável.
    Valer-se das experiências dos outros é uma forma de encurtar caminhos e saber um pouco como reagir à sensações novas.

    ResponderExcluir