segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Sobre o passado e o que podemos ser

Diariamente, em minhas leituras, deparo-me com diversos pensamentos que repercutem na minha mente e depois se perdem dentre infinitas informações já adquiridas...
Hoje, ao ler uma crônica de Martha Medeiros sobre a mesmice que somos e insistimos em ser, e a necessidade de abrirmo-nos para o novo, deixando para trás o que não nos serve mais, refleti sobre a necessidade de deixarmos para trás também a obsessão de que somos-assim-e-pronto, porque somos seres mutáveis e ninguém está livre de uma grande surpresa ao dobrar a esquina.
Há alguns dias tentei fazer uma retrospectiva sobre o ano de 2015 e não consegui organizar acontecimentos e pensamentos de modo a escrever algo minimamente interessante ao leitor... Pareceu piegas demais escrever que nesse ano eu cheguei ao meu limite e chutei o balde, que fui feliz, viajei, vi o mar pela primeira vez, tive vislumbres de um futuro bom, fiz amizades valiosíssimas, fui corajosa, medrosa... Essas experiências me pareceram de uma simplicidade tão grande que não consegui lidar: sem complexidade, sem mistérios ou incógnitas, nada a descobrir ou a revelar, apenas uma sutileza que enche de interrogações quem insiste em complicar a vida... Assim, cheguei a conclusão de que não haveria o que escrever sobre 2015, resolvi olhar pra frente!
E devo dizer que o que vem pela frente me enche de sonhos e esperança, a ponto de me emocionar...
Refletir sobre o que passou é importante, principalmente para que não repitamos os mesmos erros, mas é essencial que, na maior parte do tempo, miremos o que há por vir, o que ainda podemos ser e fazer.
Devemos gastar nossa energia mais com o que está por vir do que com o que já passou... Mais com o que queremos nos tornar do que com o que fomos... De nada adianta remoer o passado se não tiramos dali inspiração para sermos diferentes. De nada adianta continuarmos os mesmos, só porque somos-assim-e-pronto.
Que em 2016 tenhamos a coragem de absorver ao máximo o que já nos aconteceu e seguir em frente. Que sejamos capazes de fazer o que não faríamos, de arriscar, de refletir, de perdoar... a nós mesmos. Porque somos imperfeitos, e sempre seremos, podemos até enganar o público, mas jamais enganaremos a nós mesmos.
Meus desejos para 2016 são singelos... Que os dias nos apresentem pessoas boas, que o inverno não seja tão severo, que os sonhos não caiam por terra, que dê tempo de fazer o que gostamos, que tenhamos paciência, que não haja tanto barulho, que não chova quando sairmos pra aproveitar o dia, que possamos estar em contato com a natureza, que lembremos de olhar o céu de vez em quando, que gastemos nosso tempo com o que nos interessa, que façamos o bem, que nos coloquemos no lugar do outro antes de julgar...
Se conseguirmos tudo isso, ao término de 2016, tal como 2015, não terei palavras para descrever a delícia de viver esse ano...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pensamentos de uma manhã cinzenta

Tenho procurado respostas para perguntas que não sei verbalizar - nem sequer as compreendo, mas sinto-as aos gritos desde o fundo de minha alma: por quê?
Há milhares de perguntas que morrerão sem respostas - porque não cabe a nós sermos conhecedores de toda a verdade antes do tempo certo. Há um tempo certo para tudo, do começo ao fim, do nascimento à morte... E apesar de não ter recebido respostas às perguntas que desconheço, mas que me corroem, aprendi que tudo acontece quando tem que acontecer, e por que tem que acontecer, gostemos ou não.
O não saber sempre foi algo que me incomodou profundamente: a incerteza das coisas, as possibilidades... Hoje, sinto que não há o que possa ser feito, e que sofrer em vão não me levará a lugar nenhum: há de se sofrer com um propósito.
Aprendi ainda que nossos pensamentos tem tamanho poder que aquilo que procuramos, nos procura mutuamente. É mais ou menos como o fragmento de Nietzsche, que citei pouco tempo atrás aqui no blog... "Quando você olha muito tempo para um abismo, o abismo olha pra você", e então, as respostas não importam mais, não há mais perguntas, só há a simplicidade do reconhecimento de si mesmo: quando a gente se encontra, depois de tantos anos distorcidos por essa sociedade doente e individualista... Quando a gente se encontra, transcendemos todo o resto.
Transcendemos a dor, porque compreendemos, finalmente, que ela é essencial ao nosso crescimento, à nossa evolução. Transcendemos o egoísmo, a inveja, o orgulho, pois sabemos que estes não nos levarão a lugar nenhum...
Só não transcendemos o amor - pois esse é o próprio significado da transcendência. E então estamos prontos para viver.

O fio do destino

O texto abaixo foi retirado do livro "O fio do destino", de Zibia Gasparetto, pelo espírito Lucius, sendo parte do prólogo deste. Copiei-o com carinho pela paz que sua leitura despertou em meu interior... Dando-me a sensação de que minha alma poderia muito bem ter redigido essas mesmas palavras, tamanha identificação que tive.
"Hoje, após tantos anos, retorno ao antigo lar abandonado, buscando encontrar ali as dulcíssimas emoções de antanho. Entretanto, a poeira do tempo varreu a sede das minhas lembranças e o progresso estabeleceu novo ambiente no mesmo local.
A vida nos auxilia, oferecendo-nos oportunidade de nos desapegarmos dos objetos, das formas materiais, chamando-nos para a profundidade da essência pura. Estabelecendo em nós apenas a destilação dos nossos sentimentos, transforma-os em precioso perfume.
Na tela da minha mente, deslizam nesta hora, como o desenrolar de uma película cinematográfica, todos os acontecimentos dramáticos e emotivos vividos naqueles tempos e - curiosa sensação - meus sentimentos registram todas as emoções passadas que pareciam adormecidas no esquecimento, sepultadas pela constante necessidade de superar o sofrimento, de aprimorar o espírito, na luta pela evolução.
As emoções se avolumam e eu, colocado frente com as recordações, vivo-as de novo, na maratona maravilhosa e profunda da mente. Dir-se-ia que, de repente, um véu tivesse sido retirado do meu cérebro desdobrando minha capacidade de memória, retrocedendo no tempo, penetrando os mistérios do passado, sentindo como um encantamento, as emoções de antanho.
Assim, continuo olhando dentro de mim mesmo, e rio quando revivo um momento feliz, sofro e choro quando revivo um trecho doloroso. Mas, apesar de tudo, sinto útil esse mergulho no torvelinho das lutas passadas, porque, agora, consciência um pouco mais desperta do que então, vejo também os erros cometidos, as atitudes impensadas e imprudentes que tantos sofrimentos causaram mais tarde. Contudo, na gloriosa apoteose da introspecção emotiva, apesar dos múltiplos sofrimentos revividos, uma luz nova e serena me domina o ser, oferecendo-me uma segurança nunca antes pressentida e uma profunda confiança no futuro.
Dessa maneira, talvez minhas lembranças possam ser úteis a outras criaturas, pela experiência que representam, porque, na verdade, poucos na vida não terão amado, poucos não terão confiado, poucos não terão sido traídos, desprezados, adulados, perseguidos, e nenhuma certamente terá vivido sem o sofrimento.
(...)"

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Divagando

Nesses dias tenho me questionado... Quanto tempo uma dor pode doer? Quantas vezes podemos superar algo e descobrir que, na verdade, não superamos nada? Quantas vezes é preciso deixar algo pra trás para, finalmente, deixar de ser perseguido por fantasmas?
Quanto é preciso lutar? Ou devemos nos resignar diante no incompreensível? Deixar pra lá? Talvez assim pare de doer.
E quando a gente põe pra fora, tenta entender, busca motivos... Há algo que nos diz: se acalme. O que há de ser será, na hora certa.

Às vezes, não conseguimos respostas para nossas questões porque, na condição em que estamos, não seríamos capazes de suportá-las.

Há alguns dias eu conheci a maior coisa do mundo e isso me fez olhar pro abismo de mim mesma... No primeiro momento, o abismo assusta - aterroriza -, mas logo ele nos olha de volta, como já disse um filósofo, e então encontramo-nos.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Me despedindo pra recomeçar

21 de setembro de 2015
Tenho me questionado nesses dias...
Cada dia é um dia a menos
ou um dia a mais?
Depende de como vivemos,
de como nos sentimos...
Nesses dias de despedida tenho vivido cada dia como uma dia a menor...
Até recomeçar...
Então, serão dias a mais.

30 de setembro de 2015
As mudanças e coisas da vida mexem com meu coração. Sempre foi assim. Sempre fui intensa. Sempre tive sentimentos intensos, alegrias intensas, saudades intensas...
A cada dia tenho me dado conta... de que o verdadeiro valor da vida não está no patrimônio que acumulamos, no salário que recebemos, mas naquilo que se vê no brilho dos olhos.
Tenho aprendido... que nada se compara às pessoas que conhecemos e às amizades que construímos. É o que temos: o que permanece conosco mesmo quando perdemos tudo.

Me despedindo para recomeçar.

sábado, 22 de agosto de 2015

Espontâneo e sem correções

Lendo os escritos de outrora, percebo... quanto cresci! Quanto amadureci!
Como passa o tempo! Como passam as dores, antes, incuráveis! Como passam os dias intermináveis...
Hoje já não sinto saudade, angustia ou fraqueza... sinto-me forte pois tenho tido a coragem de SER genuinamente!
Aprendi a ver as coisas de uma forma diferente: o que antes me tornava fraca, hoje, me fortalece. Não tenho mais medo de sentir... tenho medo é de não sentir, de não compreender, medo de deixar de lado o que realmente importa, o que realmente quero, o que realmente sou.
Tenho me libertado de tudo o que prende, limita, sufoca.
Tenho me libertado do que me frustra para ir além... Além do que já sou, do que já fui... Pois a vida é um constante “tornar-se”.
É bonito pensar em como me transformei, em como superei as dificuldades, em como enfrentei o que julgava maior do que eu... e hoje percebo que não há nada nem ninguém que mereça mais investimento do que aquilo que somos verdadeiramente, aquilo que gostamos e queremos.
Há quem diga que a felicidade não existe, que é apenas ilusão... eu gosto de pensar no conceito de Plenitude: “estado do que é inteiro, completo; totalidade, integridade”, e é isso o que quero pra mim.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Viver é recomeçar

Um dia a porta da sua alma se fechou. Sua música parou de tocar. Você olhava pela janela enquanto o amor te deixava. Pode ir, você disse, e jurou que nunca mais sentiria essa dor. Espalhado pela casa com os cacos do seu coração, a última coisa que você queria era amar outra vez.
Rejuntar estilhaços até se fortalecer de novo é um processo que leva tempo, e a duração desse tempo é muito pessoal, assim como o tamanho da dor que cada um carrega. É como se você ainda vivesse, seus órgãos e sistemas do corpo funcionam, você respira, mas falta algo. Falta vida no robô que rejunta as suas peças.
Foi assim, com muito esforço e angústias, que você tropeçou em seus próprios pés para reaprender a andar. Iluminou seus passos com seu brilho esmorecido. Mas você nunca parou, nunca desistiu. Não sabia o que ia encontrar lá na frente, somente sabia que era para lá que tinha que ir. Nem sempre você achava aquilo que procurava. Algumas vezes, acabou encontrando quem nunca imaginaria encontrar. Outras vezes, você mesmo foi atrás de pessoas queridas que dormiam nas suas lembranças. Por fim, você achou a sua imagem que se escondia atrás do espelho.
E agora você está aqui, sentindo-se inteiro. Você voltou a brilhar, a pulsar! Está batendo suas asas pelo mundo novo que deseja conhecer. Porém, mesmo no auge de suas mais novas descobertas e da confiança de um dia melhor que o outro, vira e mexe, você tem medo.
O medo sopra pela fresta da porta do seu quarto à noite, em seu silêncio secreto. Mas não é aquele pavor ao se deparar sozinho na plataforma de embarque rumo a um país desconhecido. E nem de ter outra cólica renal ou levar uma bronca do chefe. Isso tudo você encara. A coisa toda complica quando não se encontra o sentido das coisas ao fim desses dias longos e incertos, quando o cansaço penetra pelos poros a ponto de derreter a pessoa por dentro. Quando se cai em uma rotina mecânica de acordar, trabalhar, reclamar, pagar as contas e fazer parte da massa de conformados cidadãos inconformados desse mundo louco.
Esse mundo que te obriga a assistir gente ser decapitada e queimada viva. O medo de sair de casa e ser assaltado no trânsito, e, por isso, ficar com receio de abrir a janela do carro para dar um trocado ao pedinte que parece doente. A falta de vergonha na cara de políticos que zombam da sua inteligência. O medo de pegar dengue. A espera ansiosa pela chuva para encher rios e sentimentos.
No meio disso tudo é que se descobre que fazer-se completo dá um trabalho danado. E por mais que você saiba que esse seja um processo lento e interminável, e que você esteja focado em procurar a felicidade na sua jornada e não em seu destino, nestas horas de silêncio no seu quarto à noite acontece o imprevisto.
Nesse fluxo da vida que segue, entre as dores e as curas, revisitando tristezas e alegrias, como um dia nublado, quando menos se espera, ela chega. Toca a campainha da saudade, abre a porta da ausência e te abraça apertado. Ela não foi convidada, mas mesmo assim a solidão vem e fica por um tempo.
Ser feliz sozinho é fácil, difícil é ficar triste na solidão. Especulando que o amor não é algo tão fácil assim de ser encontrado, como se vê nos filmes e livros de romances, você se lembra de Rubem Alves, “Temos uma capacidade quase infinita de suportar a dor, desde que haja esperança”.
É nesse pressentimento que o peito ardido encanta o silêncio, atravessa a madrugada fria e amanhece na alegria. E encontra a esperança, com seus olhos de menina, equilibrando-se entre o inferno e o céu, pulando amarelinha na poesia. Ela joga uma pedrinha e te convida para brincar, enquanto esperam pelo amor, o seu novo amor que já vai chegar.
Porque frio, medo e tristeza, passam. Dor também passa. Até amor que foi embora passa. Só não passa a vontade de amar outra vez.
Então sua música volta a tocar e você sonha com Vinicius de Moraes: “a maior solidão é a do ser que não ama”.

Autoria: Rebecca Bedone
Fonte: http://www.revistabula.com/4040-tudo-passa-ate-mesmo-o-amor-viver-e-recomecar/

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mudei...

Tenho costume de, de vez em quando, pensar em momentos passados e geralmente isso é algo que me enche de saudade...
Há alguns dias li alguns textos antigos do meu blog e meu coração foi invadido por uma saudade melancólica de quem eu fui há alguns anos, e que já não sou mais. E senti uma saudade estranha, traduzido por uma alma-irmã como uma saudade-da-ingenuidade-de-outrora... E talvez seja isso mesmo. Mudei muito. Irremediável. E percebi que, na maioria das vezes, não se pode recuperar o sentimento exato que se vivera outrora: a alegria sincera de um momento único... Sem o desejo insaciável de mostrar ao mundo felicidade e bem-estar; a angustia profunda de sentir um sentimento de não-sei-o-que-sou-nesse-mundo-tão-grande; a sensação de ser injustiçado pela distância, pela saudade...
Tudo isso... não se pode recuperar. Mas vive a minha memória, e eterna será!
Relembrar todos esses momentos, toda essa “transição” me faz perceber o quanto eu mudei... Mudei e não preciso que ninguém acredite nisso para que eu tenha mudado. Assim como aprendi a ser mais segura do que eu sinto e do que eu penso – e a agir de acordo com isso.
Hoje eu sou mais sincera e verdadeira, aprendi que fingir para agradar só me faz mal... E que a congruência e a coerência são vitais para o meu bem-estar. Descobri que preciso, mais que tudo, ser eu mesma. E tenho sido... E vou sendo... E transformando...
Escutei há alguns dias que “a gente não anda pra trás” e percebi que tenho evoluído como ser humano, e tenho definido uma porção de coisas que antes eu não conseguia enxergar com clareza suficiente... E tenho sido feliz.
Apesar das intempéries do dia-a-dia me sinto de bem comigo mesma e com aqueles que são, para mim, importantes. E não me sinto perdida como me senti anos atrás. E não me sinto sozinha.
Aquela menina que não-sabia-o-que-era-nesse-mundo-tão-grande ainda habita em mim. E sempre habitará...  Mas sinto, cada vez mais, que sei o que sou... E que o mundo é bem maior do que eu imaginava há alguns anos atrás.
 
Este texto faz parte do projeto literário 16 on 16, conheça os outros blogs participantes do projeto: Ariana Coimbra, Brunna, Camyli, Deyse, Gabi Freitas, Ghiovana, Lianne, Lys Fernanda, Máira, Mari Guimarães, Maria Fernanda, Mariana, Marlana, Nicole, Thaís.