sábado, 19 de janeiro de 2013

Sobre o passado e o presente

Eu tenho um costume inconveniente de pensar muito nas coisas e pessoas do passado, e devo admitir que nem tudo eu soube deixar pra trás. E ainda não sei, mas afinal, ainda há tanto tempo para tentar e tentar. Uma hora dá certo, uma hora eu aprendo. Sinto saudade. Sinto uma falta imensa de tudo o que eu já vivi. Há um ano vi a minha vida ser devastada como por um furacão, vi tudo o que eu amava sendo arrancado de mim de uma forma cruel e muito, muito dolorosa. Eu sofri e quase superei. Quase. E nesse quase cabe um espaço imenso não preenchido, um espaço vazio que eu chamo de saudade, de algo que não teve fim, que não acabou como deveria. Inacabado. E inacabados ficaram os meus dias, desde o dia 23 de janeiro de 2012, em que eu parti deixando pra trás tudo o que jamais acreditei ser capaz de deixar. Ficou lá. Continua comigo, mas não de corpo presente. É mais como uma ferida que lateja nas noites solitárias, nas tardes vazias e nas manhãs em que nada parece acontecer. Nesse hiato eu me preencho e vivo como se nada pudesse me parar, como se nada pudesse me ferir ou me desequilibrar. Tenho esse semblante de quem sorri por tudo, por nada. Eu dou risada e canto, eu danço, eu saio. E quando eu pauso sinto uma falta que parece ter coração próprio, e desestabiliza os batimentos do meu. Me confunde, me assusta. E eu não a quero mais. Então eu jogo fora, descarto e me preencho. E esse semblante de quem sorri por tudo e por nada se mostra mais forte do que nunca. Como se nada pudesse me parar, me ferir ou desequilibrar. E lá vem a intensidade me dilacerar outra vez... Essa tendência a ser dominada facilmente pelos sentimentos me destrói cada vez um pouco mais, e cada vez dói somando todo o resto em uma pancada só. Não tem sido fácil, mas há de passar. O que não há de passar?
Passa o que é ruim, passa o que é bom... Passa, passa...
Passou um ano. Doze meses. Quarenta e oito semanas. E nesse tempo eu tive diversas oportunidades. Oportunidade de sorrir, de recomeçar. Oportunidade de jogar tudo pro alto e agir impulsivamente. Oportunidade de me importar com o que interessa e com o que não interessa. O mérito pelo que eu vivi é, principalmente, meu. O mérito pelo que aprendi é meu. O que eu sofri é meu. E eu escolhi seguir em frente, meio sem jeito, meio sem saber como, meio perdida na minha confusão, mas sigo, todos os dias, um dia de cada vez. Talvez mais tarde eu descubra que teria sido melhor se tivesse sido diferente, mas é assim que é, e isso me satisfaz.
Hoje eu queria estar em outro lugar, amanhã, não sei. O que se sabe dessa vida, que nos surpreende a cada esquina? Se eu fechasse os olhos agora e acordasse uma semana atrás, seria mais feliz do que um ano atrás, naquele amor que tanto me importou, tanto machucou; seria mais feliz que agora. Mas o agora é o que eu tenho, e também há de passar.