domingo, 25 de dezembro de 2011

É ter na mente

"Talvez não seja nessa vida ainda, mas você ainda vai ser a minha vida." (Armandinho)

Há algo em mim além do querer estar contigo, como se pelo simples fato de ter te encontrado significasse que não, eu não posso te perder, não suportaria. Há algo em você e há algo em nós que não me permite aceitar que a nossa história tenha chegado ao fim... Ainda há muito a ser vivido, ainda há muito a ser dito, sentido. Amor, eu não quero e não vou desistir do teu sorriso irônico, da tua voz sonolenta, dos teus olhos profundos, dos teus braços protetores, do teu beijo envolvente. Eu não quero viver sem a tua presença, sem o teu carinho. Eu me nego a sorrir por qualquer razão que não seja você. E o teu rosto é imagem constante no meu pensamento, e tua voz e tua pele e teu sorriso e teu beijo são desejos constantes de meu coração.
Eu não te quero por uma noite, por um mês ou dois. Nem mesmo te quero por um ano. Te aceito como você me aceitar, sem obrigações ou intenções. E quando os quilômetros me levarem pra longe de ti quero te ver chegando, me contando sobre a sua vida, sobre o que mudou e o que permaneceu.
Talvez não passe de um pensamento ingênuo e doentio, mas o que nós sentimos não é algo que se sinta por qualquer pessoa, não é algo que se encontra em qualquer lugar, não é algo que se descarta por descartar. Não é algo que se perde, mas quantas vezes 'inda vamos nos reencontrar? Nessa vida ou n'outra, sob o céu ou acima dele... Quantas vezes, anjo, quantas vezes 'inda iremos nos amar? E quantas vezes já nos encontramos e já nos amamos e nos perdemos...?
Fuja para os meus braços, fujo para o teu lado.
Ainda iremos viver muito, meu amor, e distância alguma desfará o laço de nossas almas, por mais que impeça o entrelaçar de nossos dedos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um poema na madrugada vazia

Teu olhar ferido
teu rosto cansado
tua voz baixa
e as palavras ecoando
a barba por fazer
os dias por viver
o que fizeram, meu bem,
me diz
o que fizeram com você?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Carta de Natal

Querido Noel, sei que estou um pouco crescidinha para lhe escrever, apesar disso, lhe escrevo... Porque eu precisava escrever, sabe? Para alguém que não fosse me julgar, entende? E às vezes eu preciso muito escrever, mas algo me impede. Talvez seja o medo de ser lida, de ser compreendida... Constantemente me sinto como uma criança, uma criança de quase 18 anos que não quer mais crescer, e não quer responsabilidades e todas as coisas ruins que a fase adulta envolve. Uma criança assustada.
Eu fiz uma lista não muito grande de presentes que eu gostaria de ganhar nesse Natal. Presentes materiais, que nada tem a ver com o que eu quero de verdade, com o que eu realmente preciso...
Eu gostaria de ganhar duas canecas lindas que eu vi numa loja hoje de manhã, e também gostaria de ganhar um perfume(igual ao que minha mãe me deu no ano passado, no Natal), e porta-retratos; mas quero porta-retratos com fotos e lembranças. Quero lembranças, doces lembranças. E aí já não há nada de material, apenas o desejo inocente de poder fechar os olhos e sorrir - com lágrimas ou sem - pensando nos momentos que eu já vivi.
Também quero que aceitem - que respeitem - a situação pela qual estou pasando. Quero que respeitem as minhas escolhas, as minhas dores, minhas alegrias e medos ininteligíveis. Quero que aceitem que às vezes a gente precisa chorar um pouco, e precisa se calar um pouco, pra entender o que se passa em nosso interior. E não quero ser criticada por isso, não quero que me olhem com desdém pelo simples fato de eu estar fazendo o que sei ser necessário para mim. Não peço atenção maior, Noel, mas me dói ser deixada de lado, como um trapo que já foi usado e não interessa mais...
E me sinto especialmente infantil quando penso assim, quando me doem estas dores... Já não posso ignorar, não consigo. Se o faço, sinto como se estivesse traindo a mim mesma, e também não posso me trair pelo que irão pensar e dizer(porque sei que irão pensar e dizer) quando eu não sorrir ou tiver os olhos marejados de sentimentos cansados...
Quero, Papai Noel, e este é o meu pedido mais sincero, que não deixe as coisas bonitas acabarem. Essas coisas que hoje me fazem sorrir e chorar ao mesmo tempo, de amor e medo de perder, sabe, Papai Noel? Não deixe que essas coisas bonitas se percam. Não deixe, não deixe, não deixe.
Suporto o desprezo de quem nunca se importou comigo, mas não suporto a indiferença das pessoas que sempre amei e cuidei. Não deixe as coisas bonitas irem embora assim, simplesmente porque eu estou indo embora, pois tudo o que eu quero, Papai, é ficar.