terça-feira, 15 de novembro de 2011

Como se diz adeus?

“Nem que eu lute contra mim todos os dias. As coisas vão mudar…” (Caio F.)

Tenho buscado uma maneira de me expressar, e admito que até mesmo as palavras tem tido uma aparência pouco atrativa, mas são tudo o que tenho, então escrevo.
Hoje faltam dois meses - dois meses exatos - para que tudo mude, para que tudo seja deixado para trás. Estaca zero, nenhum abraço pra me acolher, nenhum sorriso que eu ame tanto olhar... Apenas o frio da noite e o vazio dos dias...
O tempo passa, indomável, e eu observo as coisas irem embora, passando diante dos meus olhos sem a oportunidade de um adeus, de uma última palavra.
Eu percebo tudo se afastando, eu percebo as pessoas partindo sem despedidas, sem reconhecimento, sem merecimento... Por que tudo deve acabar? Pois não há nada mais cruel nesse mundo que o fim de algo que por muito tempo se construiu... As coisas acabam, queiramos nós ou não, somos obrigados a aceitar, e aceitamos, o que nos resta? Algumas declarações a fazer, umas palavras a considerar... E a primeira delas é um fato inquestionável: eu não estava preparada para gostar de alguém, e, principalmente, eu não estou preparada para gostar de alguém que não estará ao meu lado nos próximos meses. Também não estou preparada para fingir que estou feliz, que está tudo bem, que não estou morrendo por dentro, que cada dia tem sido uma luta - porque o tempo passa, indomável, e eu observo as coisas irem embora...
Não há uma certeza na qual eu possa me firmar, não há uma garantia sobre o que acontecerá amanhã ou depois. Há apenas a esperança de que, talvez, um dia eu acorde e tudo tenha passado... Mas o tempo não passa assim, como sonhos ou pesadelos. A realidade nos obriga a vivê-la e não se pode evitar, vivemos. Às vezes tropeçando, caindo, mas vivemos... E ainda temos força para prosseguir. Pois apesar das lágrimas e dos medos, somos pessoas muito fortes...
E eu falo assim, no plural, para não me sentir tão sozinha... Para fingir que tem alguém perto de mim, alguém que se importa, que tenta me confortar, alguém que não seja assim, tão indiferente, que não tenha tanto cinismo no olhar... Me doem também esses olhares indiferentes que antes foram tão acolhedores, tão compreensíveis, me doem tanto que fico sem reação, então o silêncio toma conta de mim, e no silêncio permaneço, como se estivesse tudo absolutamente bem, como se não houvesse uma guerra repleta de destruição dentro de mim. Eu estou me despedaçando, estou me quebrando ao meio e não consigo imaginar uma maneira de melhorar...
Tenho essa mania de sofrer antecipadamente, de chorar pelo que virá, de implorar por algo que ainda não preciso... Acontece que eu me sinto tão sozinha, e nada vejo além dessa solidão.