quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como uma ferida aberta e incurável

“Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você.” (Caio Fernando Abreu)

Sabe quando você sente um vazio que antes não existia?
É nisso que dá se entregar a um amor inexistente, vão-se embora os planos, os sonhos, os beijos e abraços, fica apenas a ausência do que nem sequer chegou a me pertencer. Como se as coisas um dia pertencessem a alguém... E não pertencem. E de tudo o que parte, fica algo. Mesmo que uma parcela pequena de tudo o que se perdeu, mas fica. Fica e dói, lateja, pesa.
Como uma ferida aberta e incurável... A lembrança de um sorriso ingênuo que não mais será igual, a lembrança de um olhar intenso que já não se encontrará... Porque olhares se perdem do destino, e sorrisos se desmancham por instinto: o medo de sofrer.
Medo este que não me constituía, mas que fazer com tudo o que a vida ensina?
Eu estive assim, extasiada por uns dias, brincando de ter uma realidade que parecia um sonho, sorrindo por nada, ignorando tudo o que me fazia distante: por uns dias, fui imensamente feliz. E como tudo passa e eu sempre soube que passaria, passou. Passou rasgando, destroçando, e ainda passa, mas que diferença faz um pouco mais de dor?
Um pouco mais de dor é só mais um pouco e eu sou muito forte. E sou mais forte que esse vazio que insiste em tentar me preencher, e mais forte que a saudade que já começa a chegar... "Sou forte, sou forte", digo, tentando me convencer, e esse ato talvez traga em si alguma força, coragem... Tanto faz. Só não quero essa ausência de coragem ou força ou esperança, só não quero dias amargos, descoloridos, já me basta a ausência dos braços e olhos e lábios que envolvem, me basta o lento esquecimento, os longos meses que em horas hão de acabar.

Ei darlings, como vão vocês? Sei que estive ausente por um bom tempo... E saibam que isso não me agrada de forma alguma. Estive vazia, não consegui escrever sequer uma linha nas últimas semanas, até que hoje - não por um motivo muito bom - consegui, e aqui está. Espero que gostem. Desculpem-me os sumiços, mas tenham certeza de que eu sempre volto... Fiquem bem, e obrigada de coração pelo número lindo de seguidores na coluna ao lado.