quarta-feira, 27 de julho de 2011

Sou eu assim sem você

"Por que é que tem que ser assim? Se o meu desejo não tem fim..." (Adriana Calcanhoto)

Vou desligar a luz e chorar em silêncio, imaginando tudo o que poderemos ser, um dia. Não é fácil tudo isso sem você, sabe? Eu não ocupo a mente, eu não canso o corpo, eu só penso em você. Não quero ser assim, uma pessoa que vive em prol de outra, mas é o que estou fazendo. Vou mergulhar nos estudos, fingir que nada está acontecendo, fingir que noite após noite eu não sonho com o seu beijo, fingir que não me importo se algo der errado e eu for obrigada a viver o futuro sem você ao meu lado. Minha mente me diz que você pode conhecer alguém, que pode me esquecer em poucos minutos e encantar alguém que não seja eu. Eu, que já sou sua, que aceito seus motivos e ausências como ninguém mais aceitaria, que entendo seus anseios como ninguém mais entenderia. E apesar de aceitar e de entender, eu quero você. E quero logo, se pudesse, agora, mas não posso, amor, e é essa impossibilidade que me mata.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Simples e direto II

Ama-se pelo que não se pode explicar, e só. Que mais seria senão apenas e completamente amar? Ama-se pela existência, pela resistência. Que mais haverei de suportar por isso que chamo de amor quando na verdade nada sei? Pouco suportei até agora, afinal, faz tão pouco tempo que esbarramos por aí, nas esquinas de nosso mundo em comum. Minha espera até então resume-se em alguns dias d'uma angustia que eu, até então, desconhecia. Mas essa pequena ausência valeu a pena, só por saber que você sentiu minha falta como eu senti a sua. E eu senti tanto. Cheguei a chorar a saudade do que não tive, dos planos que fiz, sozinha, no vazio do meu quarto. Tenho tantos momentos para acontecer, para viver, e cada um é tão único e tão especial que não saberia por onde começar. Eu não quero nada programado, nada imaginado, quero algo que me surpreenda, que me faça sorrir como a sua presença me faz. Meu coração implora todos os dias, que eu suporte, que a distância permita. As vezes eu imagino que você está aqui, dizendo que ficará tudo bem, que daqui alguns meses estaremos juntos, e que meses são apenas dias, apenas horas. É quase real, e então eu percebo as lágrimas molhando o meu rosto, lágrimas estas que eu não choraria se você estivesse realmente aqui comigo, no seu lugar.

domingo, 17 de julho de 2011

Lágrimas induzidas

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar." (O Pequeno Príncipe)

Basta que eu lembre do seu rosto para que as lágrimas invadam meus olhos, basta pensar em ti. Mas como não pensar? Como esquecer-te? Não sei e nem quero, não quero uma vida sem você.
Não tenho notícias suas, eu disse "estou com saudades" e você respondeu que também está, "minha flor", se soubesse como me faz sorrir ao chamar-me assim...
Tudo me faz pensar em ti, e cada parte do meu corpo implora pela sua presença, mas como te fazer presente, meu anjo, com mil e trezentos quilômetros entre nós? Minhas lembranças são umas poucas imagens na tela do computador, sorrindo pra mim, como se eu pudesse esticar os braços e te tocar... Sabe, anjo, tenho passado horas pensando em você, todos os dias, todas as noites, principalmente de noite, quando a saudade fica mais forte e as lágrimas são mais difíceis de conter...
Penso em você, não importa a hora, penso ao escutar qualquer palavra de amor, penso quando eu acordo e quando eu me vejo - é, te imagino assim, do meu lado, dedos entrelaçados, sorriso bobo no rosto, brilho no olhar.
Pela primeira vez a minha intensidade não tem me assustado, parece-me natural sentir tudo o que eu sinto. E eu sinto, meu bem, como eu sinto... Sinto tão que, garanto, se a distância não fosse tão grande, logo eu fugiria pro seu lado, pro's seus braços, pr'onde você quiser.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Reflexões d'uma madrugada insone II

Perdi-me em lembranças e até esqueci do presente que me aflige, talvez seja este o segredo: perder-se. E se for, perco-me sem remorso, às vezes eu quero tanto ser feliz. Não temerei o futuro, levantarei meus olhos e direi "venha, surpreenda-me, quero ver do que você é capaz, e se puder, derrube-me e lhe mostrarei que sou forte o bastante para me reerguer com um sorriso no rosto", sorriso de quem sabe que a morte não é nada além do inevitável, assim como a vida, então morrer não é muito diferente de viver.
Eu ouvi o barulho da noite nesse silêncio frio, depois que todos adormeceram eu fiquei, fiquei porque a realidade parece boa para mim, fiquei porque não me interessa a sensação de morte que é dormir. E eu estou tão contente que logo cairei num abismo tão profundo que me questionarei mais uma vez se não tenho a famosa bipolaridade, mas não, é claro que não, não sou idiota o suficiente para exibir tal hipótese que às vezes me parece tão real.
Não sei sobre o meu futuro mas tenho mil planos, recomeçar tudo absolutamente do zero, e daqui alguns meses ainda serei capaz de sorrir. E sorrirei como se não houvesse amanhã, assim como escrevo nesse momento, a pressa tão nítida que mal se distinguem as letras, mas sinto que não posso parar. E então agradeço a Deus pelo dom e pela inspiração, agradeço pelas palavras doces de incentivo que recebi nos últimos dias, eu agradeço.
É tão abstrato o que sinto nesse momento, adoraria congelar essa sensação e prová-la sempre que a angustia voltar, pois o que eu sinto agora é convicção, é força, impulso, coragem, e se eu pudesse gritaria ao mundo que eu posso tudo, mesmo o impossível, porque este não existe, minha alma se expande cada vez mais e o impossível já não me parece tão complicado assim. Porque tenho as palavras, mais uma vez eu tenho as palavras, e isso sempre me bastou.
Que venham as noites de insônia e a cada uma delas uma nova história hei de escrever. Direi e serei o que escrevo, meus olhos serão como páginas de um livro em branco, com uma história fascinante que está prestes a começar. Minha alegria transborda, e não há medo que me faça parar. Isso é o que eu sou, e mais uma vez eu agradeço.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Hoje a noite não tem luar e eu estou sem ela.

Nesta noite não direi mentira alguma, tenho as estrelas como testemunhas de minha sanidade. Tenho necessitado dizer tantas coisas ao mundo, às pessoas e à mim mesma. E são tantas coisas que acabo calando-me, por não saber por onde começar. Sou a favor do silêncio quando não há palavra certa, mas preciso quebrar a quietude que há em meu interior, e hoje resolvi tentar, estou numa praça abandonada, sob um céu negro e estrelado, e uma luz que está prestes a se apagar, esse é meu grito silencioso, que ninguém ouve mas se olharem-me nos olhos seriam capazes de sentir. Sentir como eu sinto, essa loucura que tenho vivido e que nomeiam "vida", eu estou tão cansada disso, mas sei que não tenho opção, portanto, vivo. E vivo. E vivo. Porque não há saída, o dia me acorda e o vento sussurra: "viva, pelo amor de Deus", como n'um filme sobre uma pessoa de tão bom coração que cuidava da felicidade de todos, exceto da própria.
E essa pessoa foi capaz de provocar um sorriso sincero em cada rosto antes triste, mas deitava-se em sua cama, noite após noite, contendo as lágrimas que não eram bem vindas, mas que ela era obrigada a chamar de "companhia". Lágrimas são como punhais quando não há alguém para enxugá-las, e palavras não ditas doem tanto quanto não saber o que esperar. Eu espero. Algo. Alguém. Não sei, mas espero. Sinto a espera crescendo dentro de mim, sinto uma dor que não é minha, mas que se acumula sempre mais.
E eu estou desesperada, desamparada. É exatamente assim que me sinto. Saí numa noite quase fria, sentei-me sob um poste de luz fraco que aos poucos vai se apagando, e quando na escuridão eu ficar não haverá ninguém para me distinguir das trevas da noite, nesta noite sem luar.
O vento despenteia meus cabelos, eu já esperava por isso, e mesmo assim vim com eles soltos, essa é minha aceitação. Eu digo sim. Não há pergunta, então minha resposta é absoluta e inútil, eu digo sim e ninguém pode me ouvir. O vento não me diz nada essa noite, ou deixei de compreender suas palavras. Hoje perguntaram-me sobre a solidão que escolho, o vazio que sinto, e eu disse "bom, eu fui obrigada a aprender", mas agora questiono-me: aprender o que? Aprender a viver sozinha? A aceitar o abismo? A queda? Aprender a preencher o vazio? Mas nada disso eu sei. Só sei que me doem as incertezas, me dói tudo o que não há, logo eu que sempre aceitei sofrer por amor, agora não tenho em quem pensar.

Escrito na noite de primeiro de julho de 2011.
Depois de algum tempo, eu acho que deveria chamar esse texto de "Basta", mas seja como for... Disseram-me que eu estou muito exigente comigo mesma, e talvez seja mesmo verdade, não consigo gostar de nada do que escrevo, mas espero que de alguma forma vocês gostem. Eu estou de férias, tentarei postar com mais frequência. Fiquem bem. <3