terça-feira, 29 de março de 2011

Two years.

Escrito na madrugada do dia 29 de março de 2009, postado pela segunda vez hoje, dois anos depois.

"Não sei descrever muito bem como me sinto agora, confusa, não penso em nada, em ninguém, não tenho ninguém pra pensar; Não tenho segredos, antes de dormir penso em histórias de ficção imaginando cada palavra lida.
Dando vida à pessoas que nunca vi e dificilmente voltarei a ver. Perdi costumes, abandonei sonhos, vontades. Sorri de saudade e chorei de alegria, o quão fui falsa com as minhas emoções. Senti e não senti, tive medo. Joguei fora. Falei coisas sem propósito, matando o tempo em pensamentos, imagens, sorrisos, suspiros. Perdi a noção, tive medo, chorei, me recuperei, recai. Tive vontades, desejos. Medo. Muito medo...
Ouvi a melodia, senti as notas, falei as palavras, ouvi o que não queria, li o que temia. Vivi momentos, não teve importância, nem falta. Bebi o veneno, acertei o alvo. Me perguntei o porque. O porque da vida, do céu, do inferno. O porque da tristeza, da alegria, do medo. O porque das flores, das pedras. O porque de mim, de você. O porque da saudade.
Não encontrei respostas. Li. Pesquisei. Busquei problemas, encontrei. Sorri fracamente, um sorriso que não atingiu os olhos. Senti saudade, senti falta. Mas falta de que? De quem? Recai, ouvi os sons, senti os desejos. Pensei nos textos, livros, autores. Discussões. E o porque daquilo. O porque disso. O sentimento, o abraço, sorriso, beijo. A paixão, o amor, o ódio. Sentimentos tão diferentes e tão iguais, distantes e próximos. E o desejo mais uma vez. Leve tentação."

Tenho um carinho imenso por esse texto, não sei ao certo porque, mas sou cheia de "talvez".
Talvez porque foi ele quem me motivou a voltar a escrever - eu já tive outros blogs, algumas pessoas que me acompanham aqui, já me acompanharam em outro blog, anos atrás.
O momento em que escrevi esse texto era de infinita dor. Eu estava sozinha, aliás, talvez não estivesse, mas me sentia tão sozinha quanto vocês podem imaginar - ou mais. Enfim, era domingo. Madrugada de domingo. Me lembro exatamente do local onde escrevi, das cores, da sensação, da dor. Ainda sinto as palavras, já não sinto a dor. Hoje o blog comemora dois anos. Dois anos. Nem parece. Passou tão rápido... Nem sempre eu pude atualizar, nem sempre eu quis atualizar, afinal, detesto obrigações, prazos, planos. Muitas vezes não lhes proporcionei o que vocês precisavam, mas sim o que eu precisava. Muitas vezes não mereci a atenção de vocês, e ainda assim vocês não me deixaram sozinha. Estiveram ali, um mais que os outros, e isso não importa, o que importa é que estiveram, e ainda estão. À vocês, o meu mais sincero obrigado. De coração, obrigado, obrigado e obrigado. Porque quando eu quis desistir vocês disseram-me: "Não!" e era o que eu precisava ouvir. E cuidaram de mim quando ninguém mais cuidou, mesmo distantes, fizeram-se presentes. Não posso e nunca poderei explicar a alegria que eu sinto por saber que - em algum lugar do Brasil - alguém me lê, e se comove, e me entende, e se identifica... É inexplicável, inestimável. Então, mais uma vez: obrigado.
Obrigado pelos comentários de motivação e crítica. Pelas horas de conversas e terapias. Obrigado pelos e-mails, recados. E eu tenho um obrigado ainda mais especial - não que os demais não sejam. Obrigado às pessoas que eu conheci aqui e levarei pra sempre, pessoas que me ligaram em momentos de solidão, que me escreveram as mais sinceras e doces palavras numa folha de papel que viajou milhares de quilômetros. Não citarei nomes, mas sei que estes saberão. Eu não tenho palavras para descrever-lhes o quanto vocês são e sempre serão essenciais na minha vida.
Eu não direi que amo vocês, por mais que muitas vezes eu tenha certeza disso. Não vou banalizar o amor, não mais. Jurei isso à mim mesma e estou a cumprir. Obrigada pelos mais de quatrocentos seguidores - eu nunca imaginei que chegaria até aqui. Obrigado pelas centenas e centenas de comentários, nem sei quantos. Obrigada pelas milhares visitas. Vocês estão e sempre estarão junto de mim. Seja aqui ou em qualquer lugar.
Acreditem sempre em vocês.

"Se tu choras por ter perdido o sol, as lágrimas te impedirão de ver as estrelas."

Dani.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Pra não falar que não falei de amor.

Amor? Mas, afinal, por que deveria? O que você foi pra mim? Não senti seu toque nem seu perfume. O que ocorreu foi que vi seu sorriso por dois imperceptíveis segundos e isso quase me matou. O que ocorreu foi que ouvi sua voz muito menos do que o planejado. Sendo assim, por que deveria?
Por que deveria dar-lhe exclusividade sendo que há mais de um ano não sou prioridade alguma pra você? Será porque mesmo nunca tendo-o nunca deixei de lhe querer? Será porque apesar do seu silêncio ensurdecedor nunca deixei de lhe esperar? Talvez seja.
Talvez seja pela profundeza do seu olhar que não me fitou, pela energia da sua boca que não me calou. Talvez seja pelo seu abraço que nunca chegou. E talvez seja, acima de tudo, pela impossibilidade absoluta de um dia poder chamá-lo meu. O mais estranho é que me conformo, aceito essa dor amarga com uma doçura irracional, com uma leveza desproporcional. E aceito seus defeitos e sua ternura de palavras amanhecidas. Aceito sem cobranças ou exigências, apenas aceito.
Venha quando quiser, quando puder. Eu vou vivendo, mas estou sempre pronta pra você.


Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. [Caio Fernando Abreu]

sábado, 19 de março de 2011

II Fragmentos - de dias e noites.

21 de fevereiro de 2011.
"Foi só o tempo que errou..."
"Certas coisas não se definem.
Talvez não tenha sido o momento certo, um dia de sorte, uma noite nublada. Talvez tenha sido o minuto mal programado ou o pouco tempo que durou. Mas mesmo tendo sido errado, foi perfeito.
Dias nossos, tão nossos que ninguém entenderia, ninguém entenderá."

24 de fevereiro de 2011.
"Adormeci sobre o céu estrelado, enluarado, digno de se sonhar. Lágrimas me impediam de o admirar. Despertei cansada, calada, pesada. Os olhos fechando-se, a alma importando-se com o que não pára de perturbar.
Pela manhã, nuvens brancas e frias preenchiam o ar. Logo esquenta, só não esquenta o inverno de dentro. O sol vem, derrete o ferro, queima a pele, a alma treme, incansável. Os olhos temem, tão abalados. Acordei com pena de mim, sem entender. O que houve? Onde está você?
Está longe, mais longe do que eu posso tocar, e sua ausência me fere tão fundo que não mais sei em que pensar. Eu choro, eu tenho medo. Você não vê, não entende. Mas passará, e num dia ou n'outro você voltará. Enquanto isso, saudade..."

03 de março de 2011.
"Tenho lhe evitado. Não sei se é a escolha certa, sei que é covardia, mas seria masoquismo deixar crescer em mim, esse sentimento. Seria masoquismo aceitar mais um minuto da sua voz, mais um flash do seu sorriso. Isso perfuraria o meu peito e mais tarde destroçaria o meu coração.
Porque lembrar de algo que nunca existiu é tão doloroso quanto saber que não acontecerá. Planos e sonhos jogados fora, apenas o vácuo. Me dói tudo isso. Me dói o que não foi e o que não é. O que não será.
Me dói saber que você existe longe de mim, que não posso sentir e tocar sua pele. Me dói muito mais do que posso descrever. Só dói, e dói...
Dorme bem, meu anjo. Eu te amo, embora você não saiba e eu não aceite.
Eu te amo."

09 de março de 2011.
"Eu sinto uma falta tremenda de ti, sinto um vazio que preenche quando sei que não pensas em mim. Estás em outros braços, tens um outro amor - amor este que chegou antes de mim. Ah, sinto tanto por não estar ao seu lado, por não poder tocar a sua pele. Sei que sou uma completa idiota, mas talvez você sinta minha falta também."

10 de março de 2011.
"Não venha me dizer que lhe esqueci, como se eu pudesse fazê-lo, como se conseguisse fazê-lo, como se quisesse. Lhe deixar pra  trás seria o mesmo que desistir de mim. Se os meus gestos não fossem um poucos seus, se o meu beijo é como o seu e se meus olhos lhe buscam involuntariamente; o que posso fazer além de aceitar-me como sou? Assim: completamente você. Involuntariamente você.
Me acostumei com a tua boca, o seu jeito, e guardei tudo bem dentro de mim, e cada pedaço de você eu carrego. Sua voz e seu cheiro, suas manias e seus beijos. Lembranças nossas. Tudo pra sempre comigo. Então diga que esqueci, use o verbo que for, mas não o único que eu não sei conjugar.
Tudo o que é meu leva seu nome, como se você sempre tivesse estado ao meu lado, tornei-me mais sua que minha e você nunca tem nada a me dizer."

12 de março de 2011.
"Para onde foram as palavras? Para onde fugiram? Pois foram-se, eu sei. Foram-se enquanto eu implorei que ficassem, e agora imploro que voltem."

Meus queridos. O primeiro post de "Fragmentos" foi no dia 05 de outubro de 2010, esse é apenas uma continuação, como eu já disse naquela ocasião, esses são trechos deslocados, que não renderam um post digno, mas que às vezes encantam-nos os olhos. Tenho tentado postar frequentemente, me digam se tenho conseguido, rs. Fiquem bem. <3

quarta-feira, 16 de março de 2011

O ato ou efeito de temer

Um metro e setenta e sete de altura, um corpo esguio e longos cabelos castanhos ao vento. O que houve comigo? Não que eu tenha sido muito diferente do que sou agora, mas evoluí tão significativamente que me assusto ao olhar o espelho. Sou agora tão tudo o que eu sempre quis que me questiono: Por quê? Talvez o que eu quis não fosse o melhor pra mim, e só agora percebo.
Dezessete verões completos, até um pouco mais. E o que eu aprendi com tudo isso? Talvez mais do que algumas pessoas que viveram tanto quanto eu, talvez muito menos. Não depende de mim, apenas vivi da melhor forma que pude - errando descontroladamente, rindo muito e chorando, aos prantos, trancando-me no meu universo particular, no meu mundo preto e branco, fugindo de tudo o que pudesse me ferir levemente, aceitando apenas extremos, correndo em direção dos grandes desastres do coração. Eu vivi da melhor forma que alguém pode querer - e eu quis sempre mais.
Mas quer saber o que realmente me assusta? O que me tortura mais profundamente? Eu cresci. Vejam só, algo tão almejado, natural, inevitável. E mesmo tendo crescido ainda sou jovem demais para qualquer conclusão, sou apenas indefesa e estou desesperada. Pra onde devo correr?
Machucar saber que meus antigos abrigos já não vão me acalentar. Machuca perceber que tudo é - na verdade - muito mais difícil do que eu imaginava. As provas da vida, a ausência de amor próprio, a sensação de abandono, obstáculos inimagináveis e ainda tão pequenos. Como irei suportar a vida durante toda a existência? Como irei suportar acordar manhã após manhã? Nem que eu troque a noite pelo dia, não mudaria, serei sempre prisioneira de mim mesma e é tão estranho sentir-me assim: preso no corpo.
Eu preciso de algo que peça tudo de mim e me impeça de desistir. Vivo procurando alívio em braços desconhecidos, abraços quase compreendidos, não fosse o meu velho medo de amar, o meu vício de descartar, e vou vivendo.
Um dia perco-me, n'outro me encontro. Eu tenho só dezessete anos e olhos que sorriem todos os dias. Distribuo sorrisos, palavras, e não sigo meus próprios conselhos. Me sinto um pouco Amélie Poulain, e me pergunto sobre os ossos de vidro que finjo ter. Como se não pudesse suportar os baques da vida. Não vou quebrar, despedaçar, sou mais forte, porém, não o suficiente para permitir a mim mesma que eu viva.

"Meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita."

domingo, 13 de março de 2011

Carta ao meu amor.

Hoje eu consegui perder-lhe, minha querida, e afastei de mim o meu outro amor - aquele que você conhecia e ria e sorria. Hoje eu perdi as duas pessoas que mais me faziam feliz, e eu sei que eu já não era sua fonte de alegria e ternura como um dia fui, mas não é culpa minha a dor dos golpes que a vida me deu. E ainda dói. Mas doem ainda mais as suas palavras sem pena, a sua amargura sem filtro, toda sua força num grito - que me calou.
Tentei falar-lhe sobre o que tem me machucado, tentei dizer-lhe que todas as noites eu choro, antes de dormir, no escuro. Sem que ninguém ouça, sem que ninguém veja. Apenas choro. E esperava que você entendesse essas lágrimas que agora cessam e transformam-se rapidamente em palavras.
Dar-lhe-ei seu espaço, viva sua dor, cultive um novo amor. Você tem meu número, meu endereço, meu sentimento. Você me tem e nem sabe, então, se precisar de mim, apenas sussurre o meu nome e minh'alma ouvirá. Eu estarei aqui, porque eu te amo.

"De um jeito que eu nunca amei ninguém..."
(23 de fevereiro de 2011)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Platônico.

Desde o início eu soube. que não teria sentido amar-lhe, querer-lhe, que era impossível, amor sem destino, enfim. Eu sempre soube... Porque você era certo demais pra mim, cheio de defeitos que eu estava (estou e sempre estarei, diga-se de passagem) disposta a aceitar, a respeitar. Você não entenderia o que eu sinto, essa preocupação por querer-lhe sempre bem, sempre feliz, mesmo que nos braços de outra, e não nos meus. Eu estava disposta a deixar tudo e ir ao seu encontro, se assim você me pedisse, mas você não pediu, e minha esperança adormeceu, porém permanece aqui, como você permanece.
Lembro perfeitamente do seu sorriso, do seu sotaque engraçado, dos seus olhos fitando os meus quando nem sequer nos tocamos. E me dói a lembrança, do mesmo modo que me recuso a esquecer. Pergunto-me: Porque precisou acabar? Eu era e sou tão apaixonada por você, e você sabe muito bem disso. Sabe também que me encanto facilmente e que sou muito mais sensível a você.
Mas despreza, ignora.
Sem o intuito de me machucar.. Mas machuca.
E eu vou suportando.

Madrugada de 09 de março de 2011, cerca de 02h11min.

quarta-feira, 9 de março de 2011

À vocês, meus sempre presentes.

Ah, tenho lhes falado do meu cansaço existencial, minha necessidade de observar o tempo passar escondida sob as páginas de um livro, uma história de amor qualquer, morta e enterrada no século XIX. Os olhos entreabertos, dias inteiros à deriva, sem o que buscar, sem nada encontrar. E assim vou-me, e assim resisto. Mas é certo que volto, sempre voltarei, assim como todo ano chega o inverno, assim como o ato de reapaixonar-se. Vou e volto, involuntariamente.
O frio preenchia-me quase completamente - ainda havia o vazio, mas passou, passou, passou como tudo passa. Estou embriagada com cafeína e esses meus amores incertos e incorrespondidos, talvez até inexistentes, que diferença faz?
O sorriso nos lábios está aqui, o brilho nos olhos também está, só falta-me a razão, onde estará?

sábado, 5 de março de 2011

Ainda não.

Oi, meus amores. Como vão vocês?
Ai, tenho mais um daqueles comunicados chatos, que ninguém gosta de encontrar aqui ou em qualquer outro lugar.. Estou sem tempo. É, vocês provavelmente já perceberam isso, mas eu estou sem tempo mesmo, e sem disposição. Estou começando o último ano da escola (vejam como sou nova, rs) e no dia 14 desse mês inicio um curso pré-vestibular no período noturno, ou seja, só me resta a tarde pra ficar aqui.
Me parte o coração, de verdade, essa ausência. Me parte o coração não atualizar, não ler vocês, não escrever.. 24 tornaram-se poucas para mim, rs, eu queria mais, 30 estaria bom, haha.
Quero dizer-lhes que eu não vou abandonar o blog, só não poderei atualizá-lo com tanta frequência, e nem posso garantir-lhes que conseguirei responder os comentários de cada um de vocês, que merecem uma atenção especial. Me sinto muito egoísta fazendo isso, mas uma pessoa que estuda e estuda (que eu imagino que seja o caso da maioria de vocês) me entenderia.
É. Ano que vem pretendo ingressar à faculdade de Psicologia, o que vocês acham? Já quis Jornalismo, História, Letras.. E não deixei de querer nenhuma destas, mas algo me diz que Psicologia é o certo.
Além de estudar, tenho outra "coisa" que é muito importante pra mim, que é a Pastoral da Juventude. Talvez vocês tenham ouvido falar, talvez não, mas, bem, é uma pastoral da Igreja Católica, da qual participo desde os primeiros anos de vida. Sou coordenadora de um grupo (eu e minha velha mania de querer dirigir tudo) e isso me toma um tempo precioso, mas muito bem aproveitado.
Agora vocês se perguntam: "Por que ela está nos contando tudo isso?", é, eu sei que vocês esperavam mais um texto tirado do fundo de minh'alma, mas por uma razão que desconheço senti essa necessidade de dividir com vocês o motivo da minha ausência na blogosfera. Bom, é isso.
Eu espero, de coração, que vocês não deixem de buscar minhas palavras. Ah, eu sempre estarei aqui. Se não aqui, nas livrarias, afinal, quem não sonha não realiza, certo? E eu sonho... Ah, eu sonho. Fiquem com Deus, cuidem-se.

Dani.