quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Saudade.

Amar-te-ei, na noite fria e solitária, abatida pelas lembranças que outrora me fizeram sorrir, mas que hoje são apenas saudade. Saudade insaciável, que preenche minhas lacunas, saudade que transborda de meus olhos noite após noite, saudade que comprime meu coração já tão cansado. Saudade. Dolorosa e assombrosa saudade, que em consola nos momentos de alegria, quando me esqueço de ti, e me faz lembrar, e me faz recair, e quase não suportar.
É dessa saudade que destroça que eu falo. Essa saudade que apavora meu coração. Saudade que adormecerá nos meus braços por meses a fio, despertando no meio da noite, aos prantos, ao lembrar-se do vazio em mim. Porque essa saudade sou eu, sem fim.
Será no choro incessante, na voz gritante, que me calarei. Pois às vezes cansa-me a vida, e é tão egoísta escolher a morte, decidir pela terra enquanto o céu é tão limpo e azul. O sol me aquece nos intervalos da dor, quando é quase insuportável sentir, tudo passa, o que fica é a angustia, a certeza de já não tê-lo em mim.
O que fica é a tortura dos dias que não me deixam descansar um só minuto, os dias que me obrigam a viver, enfrentar a vida. Abrir os olhos, lavar o rosto e viver. Viver porque não há saída senão viver. Então eu vivo. Tropeçando e caindo, mas vivo.
Minhas asas estão quebradas, meus sonhos, despedaçados.
Minha voz está tão fraca e minha alma calada.
Silêncio habita em mim durante o dia. Durante a noite sou gritaria. Gritaria porque imploro, porque preciso. E o que eu peço é só que tudo seja diferente, que recomecemos do zero, desde o início de nossas vidas. Que completemos todos os anos outra vez, que seja lento e extraordinário, reviver, renascer. Recomeçar.
Não me peça essa verbo, essa conjugação, não me peça o que mais dói: deixar pra trás, recomeçar. Porque fechar os olhos pra isso é esquecer, e esquecer é inconjugável. Não é verbo, é inexistência.

18 de fevereiro de 2011.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dónde estás?

Passei o dia fingindo que te esqueci, que não importa, "tanto faz", tentei me convencer de que passou, coisa de momento, caso passageiro, rápido, por pouco não me convenci. Mas então chegou a noite e com ela toda a solidão das lembranças de quem lembra sozinho. Eu sei que você não pensa mais em mim. Algo tão pequeno como o que viveu comigo, insignificante, por que lembrar? Não fui nada além de qualquer uma, me pergunto o que me fez pensar que eu seria diferente, afinal, tenho olhos e cabelos castanhos como qualquer outra garota. Acontece que o meu olhar é mais firma que o delas e não gasto palavras em vão. Acontece que meu coração é um tanto mais forte e mais frágil, acontece que sou essa contradição alucinante e sempre me julguei muito dona de mim. Então você me olha e me desarma. Não é preciso dizer nada, apenas me olhar, e minha alma se enche de alegria e amor.

"Porque en tus ojos me encontraba y tantas veces me perdi. Porque en el punto exacto de la oscuridad no supe más de ti."

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Without you.

De uma forma ou de outra eu soube desde o início que seria como pular de um avião sem um paraquedas para me salvar, agora eu caio a toda velocidade, cada vez mais fundo em meus abismos. Pude pressentir a dor antes de lhe tocar, eu sabia que nunca mais voltaria a ser como era. Quando lhe toquei surgiu em mim o que chamo de certeza: era isso e nada mais.
Fui precipitada, impulsiva. Tive medo, mas corri o risco e acertei em cheio: ficará. É o pouco que sei, ficará.
Senti o teu cheiro impregnado na minha pele, o teu beijo ainda presente na minha boca. Quis dormir nos teus braços sob a vigilância do teu olhar, mas fugi à meia noite, como aquela princesa que tanto já se ouviu falar. De mim, ninguém falará, sou tão anônima quanto posso suportar.
Ao desvencilhar-me dos teus braços eu soube: acabou. Acabou o que mal teve tempo de começar. Acabou e não voltará. Talvez você me ligue numa noite vazia, quando lembrar-se da minha pele contra a sua. Talvez sinta minha falta, talvez não sinta nada. "Como era mesmo o nome dela?" Porque as coisas tendem a ser assim, aprendi, e me dói não poder lhe tocar outra vez. Dói mais do que posso explicar ou até mesmo entender.
Nossos olhares trocados me perfuraram pela manhã, quando a noite acabou, quando a água levou do meu corpo o teu cheiro, quando entre lágrimas eu compreendi e sorri: é só o que tinha que ser, e o que tiver que ser, será.
A lembrança destroçou minha alma, a ausência queimou minha pele, onde você me tocou. Ficaram as marcas, as feridas que demorarão a se curar. Ficou a tua voz ecoando na minha cabeça.
Na noite fria, sob a chuva, vi teus passos levando-lhe para longe de mim, e doeu não ter um olhar de despedida à distância. Talvez não seja a hora de dizer adeus, as coisas acontecem como devem ser. Mas a esperança logo me abandonou, me deixando sozinha, com os olhos manchados e o coração doendo, minha boca pedindo mais, meu corpo pedindo mais, e você indo embora, rapidamente, como se tudo tivesse sido apenas um sonho que poderia ser minha eterna realidade.

Meus queridos, perdoem-me os intervalos entre postagens, não tenho tido tanto tempo para escrever e postar, e isso me perturba muito. As palavras me fogem, o tempo não resta. Minhas aulas voltaram, como a da maioria das pessoas da minha idade, e por isso tenho dividido minhas 24 horas diárias entre estudar, trabalhar (um pouquinho) e ler, escrever, ficar aqui. Mas nem sempre tenho como fazer tudo o que quero, então, minhas mais sinceras desculpas. Fiquem com Deus, com carinho, Dani.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Doce.

"Extranjera en tu corazón."

Amor, tenho lhe dito, já não suporto seu vazio a me preencher. Tem sido tão doloroso abrir os meus olhos pela manhã e não encontrar, nos teus, o brilho pelo qual eu me apaixonara, tempos atrás... Aliás, quando tempo passou?
Pelo calendário dos normais, pouco menos de vinte e seis meses. Vinte e seis meses. E durante toda essa nossa vida tão nossa, meu coração disparou - amanhecer pós amanhecer -, acordando ao lado teu. Eu te amei tão intensamente, tão "sem-limites", como você gostava de me chamar, mas, amor, eu sempre soube o momento exato de parar.
Lembro-me de nossos primeiros dias, semanas, meses. Era doce ter-lhe como meu abrigo em noites chuvosas, era doce viajar sem rumo pelas estradas de você, de mim. E dentro de ti, perdi-me. Em dois anos não me encontrei, e você já não me guia nessa escuridão.
Não encontrei outra estrela, outro farol, seja o que for. Você é único em minha vida, mas não suporto ver o fim desse amor chegando, tão manso. Os dias na praia estão tão distantes, as noites no campo. Tudo tão distante de mim. Tenho sentido-me incapaz... De viver-lhe, viver-me. Não quis aceitar que algo tão fatal nos tocasse, não suportei a dor de dizer-lhe adeus, então, parti.
Já não me encontrará onde eu sempre gostei de estar, terás-me apenas em seu interior. Me desculpe, me perdoe. Apenas não aguentei tanto amor acumulado em meu interior, e seus espaços tão lotados de mim. Eu te amei tanto que tornou-se insuficiente o seu corpo.
Agora vou-me, certeira de que paz já não encontrarei em lugar algum, mas não poderia mentir-lhe sobre o que fiz. Eu te amo, do modo mais sincero que se pode amar alguém. Que Deus e as estrelas lhe guiem, que sua alma não se perca, que seu coração não pare. Que sua mente não me apague de ti. Eu te amo.
Com carinho, D.