terça-feira, 6 de setembro de 2011

Aqui jaz um coração

"A vida é mais que um mero poema, ela é real." (Rosa de Saron )


Essa não é uma carta de amor, essas não são palavras doces de um sentimento bonito, aliás, o sentimento foi bonito, o mais bonito que já senti, sabe? E foi jogado fora de maneira tão cruel. A realidade não é, na maioria das vezes, o que nós queremos ver, mas não podemos ignorá-la todo o tempo. Eu resolvi enfrentá-la, assim, com a força que me resta, com a coragem que eu tenho, e só. Eu e a realidade que transforma-se rapidamente em pesadelo. Acontece que hoje eu acordei com a vontade quase imperceptível de escrever sobre essa realidade medíocre em que vivemos, e se essa realidade é dura e é amarga que posso fazer senão retratá-la da maneira mais sincera?
Tenho percebido que a cada decepção eu endureço um pouco mais, mas ainda consigo amar sem restrições, desde que eu me permita sentir. E eu me permiti sentir depois de tanto tempo e depois de tanto tempo me machuquei como antes ou talvez um pouco mais. Conclui que o amor é o sentimento mais lindo e ao mesmo tempo o mais ruim, e aprendi que amor sincero é só aquele que brilha no olhar de quem vê sua criança pela primeira vez, e que perde horas observando-a dormir. Amor sincero que eu com toda a alegria do mundo já senti.
Esse amor que tanto se diz sentir é ilusão, é a mais pura exploração, doação. E nele doa-se até o que não se tem, e muito mais do que se pode doar, e muito além do que se pode aceitar. O amor machuca, perfura, destroça, mas faz viver. É sentimento doloroso, desastroso, e é tão incrível amar... E perdoem-me essas palavras duras e amargas, que só existem porque o coração que as remete está ferido. Ferido e cansado, mas se recuperará, sabe?
Porque tudo se recupera, tudo passa. Tudo passará.

7 comentários:

  1. você estava certa ao escrever em meu último texto "mas seria como não-viver." e por incrível que pareça, vi uma relação naquele meu texto com este seu texto, você está vivendo e deixando passar e com o tempo "tudo se recupera". Tudo se recupera. 'Taí', gostei.

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  2. Uma coisa eu posso afirmar: amor sem ambiguidade, não é amor.
    Lembrei de um trecho que li dia desses:

    "Dor branca, querendo primeiro compreender, antes de doer abolerada, a dor. Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas, e portanto irremediáveis, transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos. Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim."

    Anotações insensatas. Caio F. in: Pequenas Epifanias)

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  3. Um coração que não carrega suas feridas não vale a pena.

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  4. Pois é, tudo passa, tudo sempre passará.
    E a gente volta a se permitir, a sentir, a amar, a se machucar... Mas, ora, isso é viver, ou não é?

    Vivamos!

    Estava com saudade daqui, Dani.
    Beijo.

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  5. Sim, o amor tem as suas dores. Alguns sentimentos machucam carregando dentro de si todas as mentiras que ultrapassam o sentir matando o mais belo sentimento...

    Beijos minha querida.

    Como é bom te ler

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  6. Deve doer e remoer. Coração estatelado, cansado e ferido. Decepção seria o resultado de tudo. Se abrir novamente é algo difícil depois de tudo isso. Mas como disse, tudo passa...mas tudo volta.

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s.m. Ponderação, observação, análise, opinião expressas sobre um fato. Notas explicativas de quaisquer assuntos.
(Do Lat. commentarius)