quarta-feira, 16 de março de 2011

O ato ou efeito de temer

Um metro e setenta e sete de altura, um corpo esguio e longos cabelos castanhos ao vento. O que houve comigo? Não que eu tenha sido muito diferente do que sou agora, mas evoluí tão significativamente que me assusto ao olhar o espelho. Sou agora tão tudo o que eu sempre quis que me questiono: Por quê? Talvez o que eu quis não fosse o melhor pra mim, e só agora percebo.
Dezessete verões completos, até um pouco mais. E o que eu aprendi com tudo isso? Talvez mais do que algumas pessoas que viveram tanto quanto eu, talvez muito menos. Não depende de mim, apenas vivi da melhor forma que pude - errando descontroladamente, rindo muito e chorando, aos prantos, trancando-me no meu universo particular, no meu mundo preto e branco, fugindo de tudo o que pudesse me ferir levemente, aceitando apenas extremos, correndo em direção dos grandes desastres do coração. Eu vivi da melhor forma que alguém pode querer - e eu quis sempre mais.
Mas quer saber o que realmente me assusta? O que me tortura mais profundamente? Eu cresci. Vejam só, algo tão almejado, natural, inevitável. E mesmo tendo crescido ainda sou jovem demais para qualquer conclusão, sou apenas indefesa e estou desesperada. Pra onde devo correr?
Machucar saber que meus antigos abrigos já não vão me acalentar. Machuca perceber que tudo é - na verdade - muito mais difícil do que eu imaginava. As provas da vida, a ausência de amor próprio, a sensação de abandono, obstáculos inimagináveis e ainda tão pequenos. Como irei suportar a vida durante toda a existência? Como irei suportar acordar manhã após manhã? Nem que eu troque a noite pelo dia, não mudaria, serei sempre prisioneira de mim mesma e é tão estranho sentir-me assim: preso no corpo.
Eu preciso de algo que peça tudo de mim e me impeça de desistir. Vivo procurando alívio em braços desconhecidos, abraços quase compreendidos, não fosse o meu velho medo de amar, o meu vício de descartar, e vou vivendo.
Um dia perco-me, n'outro me encontro. Eu tenho só dezessete anos e olhos que sorriem todos os dias. Distribuo sorrisos, palavras, e não sigo meus próprios conselhos. Me sinto um pouco Amélie Poulain, e me pergunto sobre os ossos de vidro que finjo ter. Como se não pudesse suportar os baques da vida. Não vou quebrar, despedaçar, sou mais forte, porém, não o suficiente para permitir a mim mesma que eu viva.

"Meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita."

31 comentários:

  1. Foi meio estranho ler esse texto, me fez lembrar de quando eu tinha deessete anos, não foi a muito tempo - cronologicamente - mas aqui dentro parece ter sido a séculos. Deve ser algo que a gente passa na idade, uma fase de rupturas, novidades, descobertas, percepções diferentes de mundo, um mundo que nem de longe parece nosso, mas que no fundo só tá esperando ser domado, é isso toma as rédias nas mãos e doma esse mundão, que ele é seu, é meu, é nosso, ele assusta, mas os estragos de deixar ele girar sem nós é muito maior que girar na desordem dele.

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  2. Adorei amiga. Ficou linda a postagem. *-*
    E você sabe que lhe compreendo, perfeitamente bem não é? (:
    Nisso somos também parecidas.

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  3. A dualidade acompanha a todos nós em algum momento de nossas vidas.

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  4. Crescer assusta e, às vezes, se torna meio difícil de aceitar, principalmente se você cresce mais rápido que as pessoas a sua volta.

    Mas sabe, muitas das inquietações que você tem aos 17 eu tenho aos 23; e certamente teremos até aos 40 e até quando morrermos. São naturais de quem é humano. A única diferença, e essa é a maior vantagem da idade, é saber que tudo isso passa. O problema é que aos 17 a paciência não é tanta e tudo parece ser o fim do mundo :)

    Apesar de nem sempre comentar aqui, leio seus textos a cada atualização. Por isso, saiba que você não está sozinha, que em um estado um pouco longe do seu, alguém também está tentando se encontrar e exorcizar suas inquietações.

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  5. Só 17 anos? Tão novinha [e é mais alta que eu...inveja#].
    Eu acho que a vida ensina muitas coisas pra gente. Muitas mesmo. Até para aqueles que não estão habituados a "viver", que se trancam no quarto ou vivem jogando video games. E você terá muitas experiências, ficará confusa, será traída [se ainda não o foi, e tomara que isso não aconteça].Só desejo que você tenha boas experiências^^

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  6. 17 anos de versos e palavras fortes, verdadeiras, sinceras... 17 anos de menina que é mulher, e mulher que é menina.

    17 anos de sonhos, sorrisos, avesso, vida... sonhos...

    Lindo, querida!!!

    Beijos

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  7. Os seus olhos estão fazendo a coisa certa.
    Sorrir sempre não é utopia. É o combustível mais saudável para o coração.

    17 anos, vai longe em sua sabedoria.

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  8. Gostei amiga !
    Essa frase do final paga todo o texto *-*
    saudadees já não cabe mais ;/

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  9. Lembro de quando eu tinha 17 anos...tinha tantos medos, incertezas, mas sentia aquela sensação estranha de te a vida toda pela frente, era jovem demais. Hoje alguns anos depois, eu me vejo diferente, mais maduro, mais homem...mais humano. Todo dia é um dia, todo ano é uma vida. Você, ainda terá muitos dias, muitos anos, muitas vidas para fazer de valer a certeza da única pessoa que você é.

    Beijos, Charlie B.

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  10. Você é pura alma, Daniela! E é isso o que torna tão diferente de tudo e de todos.

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  11. Querida amiga,

    E eu me pergunto: por que é tão difícil conquistar a autoafirmação?

    Bjs!!

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  12. '' Eu preciso de algo que peça tudo de mim e me impeça de desistir. Vivo procurando alívio em braços desconhecidos, abraços quase compreendidos, não fosse o meu velho medo de amar, o meu vício de descartar, e vou vivendo.Um dia perco-me, n'outro me encontro.''

    Nossa eu me li bem aí.

    é o desencontro que ocorre quando o tempo passa, mas no fim a gente se encontra, já dizem os mais antigos.

    gostei do teu texto

    beijos flor

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  13. Leia, por favor. Você não vai se arrepender:
    http://lysfernanda.blogspot.com/2011/03/verdades-que-nao-sao-ditas.html

    Beijos!

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  14. Lindo! Bom final de semana, Dani.

    Bjs

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  15. "Distribuo sorrisos, palavras, e não sigo meus próprios conselhos."
    Me identifiquei com essa frase.

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  16. Nossas vivências, nós as guardamos como tesouros, mas muitas vezes pesam como fardos. As vezes nos são companhia, noutras nos fecham as saídas. São nossos guardados, são uma parte nossa que se deixou para trás e que volta e meia ressurgem. São lindos e são cruéis! Vc as colocou tão bem.

    BeijooO*

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  17. Claro que vc é dani, vc ´um dos comentários que me dão mas empurrões e me faz me sentir maior do que td, a me amar mais e a confiar em mim.
    eu sei que vc tem algo forte que possa fazer vc não desistir como vc diz.
    Mas e aê o que ta acontecendo, e essa frase ai que vc colocou em destaque mt linda, se vc tiver tumblr me fala que eu quero rebloga-la senão me dá autorização para eu postar colocando créditos pra voce.
    dani eu sumi né, mas vou tentar voltar rs.
    bj

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  18. força dani vc vai consegui as tantas resposta que procura
    pelo o que vejo a dani tm a capacidade disso e mt mais ^^

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  19. Na grande parte das vezes estamos sempre divididos: certo e errado, bem e mal, mãe e pai, razão e coração...Enfim, o segredo é encontrar o equilíbrio entre elas :)

    Beijos.

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  20. Eu creio já ter passado dessa fase, mas ainda não sou tudo o que sempre quis ser, nem para poder me assustar. acho que vou estar sempre querendo ser o que eu quero ser.

    1,77.
    cê é alta, hein ¬¬
    hihi

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  21. Fazia um tempo que eu não visita o blog, mas é incrível como a qualidade dele continua ótima, os textos estão sempre excelentes.

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  22. 'Distribuo sorrisos, palavras, e não sigo meus próprios conselhos.' Eu também. Adorei a sinceridade do texto, como sempre né? Me identifiquei com cada palavra. Beijo :*

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  23. Daniela, sigo seu blog e leio seus textos a algum tempo já. Faço psicologia e esse texto me chamou atenção porque fala exatamente de sentimentos que estou estudando na matéria de psicologia do desenvolvimento III e gostaria de saber se eu poderia levar seu texto para a professora. Colocarei suas iniciais apenas por questões éticas. Aguardo sua resposta. Abraço.

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  24. As vezes eu paro e olho paara tras e vejo o tanto qe eu cresci, o tanto qe as minhas ideias mudaram, nao faz mal a ninguem isso . Eu tenho 20 e tbm nao sei ate qnd vou mudar...
    e tem dias qe eu acordo com medo do qe eu vou ser la na frente, de qual nova ideia vai surgir...
    parece qe nao, mais é mto dificil ser nós mesmo, dentro do qe achamos o qe é certo.

    lindo texto dani !
    parabens mesmo.

    beijos

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