quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tarde demais.

Lhe espero. O vento frio anuncia a chuva, você disse que estaria aqui, que viria, que precisava me ver, me sentir. E por essas mesmas necessidades estou aqui. Olho o relógio outra vez, passaram-se dois minutos. E a quanto tempo estou aqui? Talvez os anos tenham recomeçado e chegado ao fim enquanto eu olhava as estrelas, sem perceber. Dias e noites marcaram-me como tatuagens de uma espera inacabável. Como se essa dor nunca fosse me abandonar. Desvio o olhar para o horizonte, nuvens pesadas se aproximam rapidamente. Talvez uma tempestade afogue minhas mágoas, talvez apague a unica luz que ainda posso ver, talvez me congele, pois já está tão frio...
A música toca, lentamente, a música que um dia você fez para mim. Dói como a sua voz na lembrança, dói como o perfume esquecido da sua pele.
Sinto as primeiras gotas de chuva, posso vê-las, também, no chão antes seco. Seco como os meus olhos cansados de chorar. Secos como a minha garganta depois de tanto gritar. Aos poucos a água lava a poeira, leva a saudade, deixa somente esse vestígio de tortura que me arruina juntamente com esse céu sem estrelas. As cicatrizes preenchem minha pele pálida e gélida, um grito ecoa em meu interior. A chuva pára, o vento cessa, a tempestade era dentro de mim e acabou. Você não veio. Não ouço a música, calou-se. Olho o relógio, está parado, os ponteiros indicam: tarde demais.

"Será que só eu sinto a sensação de estar sempre faltando algo?"
Clarice Lispector.


Here comes the rain again, falling from the stars.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sua ausência, minha dor.

O gosto amargo de café na boca parece perfeito para as lágrimas tristes que despencam pelo meu rosto, o corpo implora por descanso, a alma implora por amor. Tenho me sentido tão vazia... É como se uma ventania pudesse me levar pra longe, e talvez essa ventania toda esteja acontecendo dentro de mim. E a confusão se cria, outra vez. Posso escutar o grito incansável que preenche a loucura do meu interior. Posso sentir a dor intocável destroçando meu peito. E meu coração bate tão rápido, o tempo todo, como se cada momento fosse o último. As horas passam lentamente, quanto isso irá durar? Quanto posso suportar? Meus olhos doem, minha voz me trai. Sinto que minha armadura está se despedaçando muito rapidamente, e agora disfarce nenhum poderá me proteger. Estou exposta ao mundo e preciso me esconder. Está começando a esfriar e eu me sinto desprotegida e sozinha. Acabo de correr pela noite, fugindo da chuva que acaba de começar. É como se o mundo chorasse, em meu nome, por tua ausência... Diga-me que tudo ficará bem. Preciso da fuga, do alento, preciso de um lugar seguro. Diga que será assim, pra mim. E eu prometo suportar tudo o que me for imposto, desde que eu esteja contigo.

"Então me avise quando você ouvir meu coração parar. Você é o único que conhece. Me avise quando ouvir meu silêncio, há uma possibilidade de eu não saber. Então me avise quando meu silêncio terminar. Você é o motivo pelo qual me fechei, então me avise quando me ouvir caindo, há uma possibilidade de isso não se mostrar. Pelo sangue e por mim, eu cairei quando você se for."
Possibility - Lykke Li.

sábado, 16 de outubro de 2010

So close yet so far!

Teus olhos estão fechados suavemente, teu peito mostra que respiras num vai e vem gostoso frente aos olhos que tanto gostam de observar-te. Minha mão desliza pelo teu cabelo, quase insensível, para não te acordar. Dormes, tão pequena, como se o mundo real fosse demasiado banal para a tua mente sonhadora. Quiseste cantar e me deixaste ouvir-te. Lembro-me desde então, das palavras doces ditas pela tua voz infantil num idioma que não era o teu. Impossível não lembrar.
Quarenta e oito meses se passaram desde o primeiro contato, e hoje tu adormeceste em meus braços cheios do mais puro amor. Tão bom é te ter aqui, eu não soube até sentí-la, que durante todo esse tempo meu maior sonho foi estar contigo, ao teu lado, chamar-te minha. Tão minha que deixarei que tu partas pela manhã, se essa for a tua vontade, mas se disseres que fica, meu amor, perco-me na alegria que essas palavras trarão. Vejo tua risada muda ao fechar os olhos, lembro de tudo o que passamos. Porque demoraste tanto, amor meu? Te esperei por cada minuto, sem ao menos saber do meu ato inconsciente, mas tudo ficou claro quando te vi chegar, andando em minha direção com o teu sorriso envergonhado nos lábios e um brilho alegre nos olhos. Tu caminhaste, lentamente, e passo por passo eu gravei em minha mente, e aquelas segundos mostraram-se eternos, pois precediam o nosso primeiro abraço. Quando por fim paraste à minha frente, sem reação fiquei, e como tudo sempre disseste: todos os gestos ensaiados esvaíram-se em ar, nos olhamos por um breve segundo. E então o sorriso. O sorriso com o qual sonhei tantas e tantas noites. E foi como se o mundo começasse a girar, ao teu redor, nosso redor.
De repente os meus braços envolveram-te carinhosamente num abraço que jamais terei igual. Ali ficamos, por um longo tempo onde tudo o que aconteceu foi o nada que tornou-se tudo assim que passou a existir.
Agora te vejo aqui, tão quietinha ao meu lado e me pergunto se é possível ficar mais feliz, e tu, inconscientemente, responde que sim, e agora tudo é possível, pois abriste os olhos e encontraste os meus, destes aquele sorriso envergonhado coberto de sono e disseste oi, como se fosse a coisa mais normal do mundo acordar e encontrar assim, tão perto, a pessoa que chamamos de amor.

"Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre."
Tati Bernardi.

Para alguém muito mais que especial.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Above the dream.

Deixe-me, amor, só um pouco. Só para que eu sinta sua falta e para que eu lembre o quanto presico da sua presença. Deixe-me para que eu sinta a dor da ausência. E assim, querer-te-ei por perto. Eu sei, mas necessito de todas essas lacunas vazias, que baseiam-me no que sou. Preciso tanto que me perco no conjugar dos verbos. E quero tanto que só assim entendo porque te espero. E espero. Espero porque sei que quando por fim nos encontrarmos será em um momento tão bonito e tão mágico e tão memorável... E sei, de todo o meu coração, que tornar-me-ei paciente, só para te aguardar em silêncio. E quando os nossos olhos se encontrarem e nossas mão se tocarem... Não sei, mas quando souber, jamais esquecerei. Eu imagino tanto, que de tanto imaginar, um dia não saberei qual é a realidade e qual é o sonho, e então viverei numa confusão de idéias e planos. Mas sei que será a melhor confusão, a mais perfeita, a mais completa, a mais certa. Tão certeiro é o sentimento...

"Te encontrar virou apenas uma questão de fechar os olhos."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

I hear your voice.

No meio da tarde, o céu escurece, o vento anuncia a chuva, tomara que chova, que a chuva lave meu corpo e minh’alma, que deixe limpos e certeiros os mistérios que eu preciso desvendar. Ouço a chuva no telhado, timidamente, cai e escorrega pelos vãos sujos que há dias lhe esperavam. O vento me assusta, assim como a escuridão, tenho medo, mas a sensação na pele se faz gostar. Ouço o eco dos trovões distantes, mantenham-se longe. Não os quero aqui.
Preciso de tempo... Tempo para estar contigo e ter certeza em minha opiniões, já que o meu conceito de estar ao seu lado é somente um fato criado a partir dos sonhos e palavras que tive. Mas preciso de você, urgentemente.
Não consigo pensar em nada, nada vejo, nada ouço, nada tenho se não você no pensamento. Me diz o que eu faço com a ausência que preenche o meu peito. Uma voz distante me chama, ouço sua voz que tanto necessito. No exato momento em que lhe espero, lhe tenho, distante, mas perto. Me faz feliz por um minuto, um minuto e trinta segundos. Quero lhe presentear com uma realidade digna de ser sonhada. Quero mostrar-lhe cada partícula do meu ser, para que você perceba que palavras não são suficientes. E por isso me calo. Por isso lhe espero. Lhe espero enquanto alimento falsas lembranças, e a saudade do que pouco que vivi me corrói por dentro. Tudo bem. Perco-me nesse sentimento inevitável. Acredite, eu não escolhi isso, mas fico feliz por saber que o destino nos trouxe aqui outra vez. Tenho a impressão de que volto à vida, todas as noites, por sentir-lhe tão perto de mim, é como se eu ouvisse o seu coração.

"Seria apenas mais uma história, se não tivesse tocado a alma."
Caio Fernando Loureiro de Abreu.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fragmentos.

“Passaram-se as noites e então abri os olhos, o céu é uma grande mancha negra, como um erro irremediável, em segundos brotam estrelas, florescem em tantas cores que nem sei seus nomes, uma paz desconhecida envolve o mundo. Meu mundo. E é nessa conformidade que habito, nessa fraqueza constante que sou, nesse meu não-destino. Para onde vou, não levo planos. Para onde vou, carrego meu pranto. Calada estou, para que ninguém me ouça, para que eu seja então, impossível, e tudo o que posso ser. Serei a chuva tão esperada e o vento nas copas das árvores, transportarei sonhos, amores e flores. Quem sabe assim eu reaprenda a viver...”

“Sinto os seus braços me envolvendo, ouço seu coração batendo sob a pele quente. Não abro os olhos, pois sei que a realidade seria tão cruel quanto a morte e suas agonias. Não quero acordar, não quero perder esse momento. Quero seu sentimento, quero o abrigo, o alento. Sua voz sussurra em meus ouvidos que está tudo bem, sinto sua respiração no meu rosto, tudo bem. Acredite na minha força, no meu querer. Os dias passam e eu esqueço o verdadeiro significado dos fatos.”

“A noite cresce sobre mim, não vejo fim ou início, simplesmente percebo as mudanças. Amores vem e vão, deixam lembranças, sensações, saudades. Deixam a vida criar seu próprio destino, seguem seus caminhos, superam guerras e distâncias. Tempo. O tempo é a chave de tudo, é o único que nos mostra a verdade sem dizer palavra alguma.”

"Manhãs ensolaradas depois de noites turbulentas nos fazem esquecer os pesadelos. Mas eu quero me lembrar dos sonhos, quero trazê-los para a realidade, quero assim vivê-los intensamente. Quero a paz em frente à saudade. Quanto tempo passará até que os dias se tornem desejáveis? Quantas lágrimas virão até que os olhos já não precisem chorar?”

“Relembrei antigos sentimentos, senti bater forte o coração no peito, pulsa e vive.”

Oi, meus queridos. Como vão vocês? Hehe, resolvi postar esses fragmentos que estavam completamente perdidos pelo meu caderno, foram feitos em momentos que não renderam um bom post, mas vez ou outra algo chama a atenção dos olhos e dispara o coração, por fim, aqui estão. Espero que gostem. Quero agradecer a todos vocês pelo reconhecimento e pelas belíssimas palavras que - sempre - me emocionam. Vocês são mais que especiais, são essenciais. Eu não teria chegado onde estou hoje sem o apoio de cada um de vocês, então, muitíssimo obrigado, de verdade. E saibam que estou pronta para ajudar, sempre que for necessário. E, o mais importante: Acreditem em vocês.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

So, september ends.

Em sua presença, todas minhas dores se calariam, cessariam os gritos de minh'alma, ocultariam-se os segredos de meu ser. Por instinto de proteção, ato involuntário diante de alguém que só me quer bem. Em silêncio espero uma reação, uma palavra. Por acreditar demais em um fato que nem fato é, às vezes me encontro perdida, tão perdida. E por isso espero.
Entre meus tantos defeitos marcantes, está o de pensar demais. Penso muito e não sei o que dizer. Gostaria de dizer-lhe que o mesmo que me mata é o que me faz viver, e é você. De todas as formas, não estaria completa sem o pedaço de você que tenho comigo.
Costumo contrariar verdades, criando minhas próprias conclusões, vivendo meu próprio mundo, escrevendo uma nova história a cada amanhecer. Porque existo e isso faz de mim metamorfose.
Siga meus sentimentos, às vezes palavras são desnecessárias e às vezes são indispensáveis. Mas acredite na intensidade do que sinto, parece maior que o céu, maior que a vida, maior que meu não-planejar. Creio tão cegamente em suas verdades, tanto que me perco e não sei para onde correr, e de repente, me encontro correndo para os seus braços e o impacto é inexistente, tão perfeito é o encaixe de nossas almas.
Sinto falta de sua voz e sinto falta dos abraços que nunca tive. Me odeio por um minuto, todas as manhãs, por despertar e me descobrir sem lembranças de um sonho que eu sei existir. Tão profundo em meu ser, no abismo de ser o que sou, me sinto cair, sei que nunca encontrarei o chão, nunca terei qualquer certeza, se não a de que o dias passam como meses e de repente tudo acaba.
Aprenda algo sobre mim: jamais desperdicei palavra alguma, pois em seu exato momento de nascer e existir e morrer, ela foi verdadeira. Foi como eu sou, e o meu existir parece tão vasto quanto o abismo no qual insisto em despencar. E caio, caio como uma flor cai de encontro ao chão, e chega, e murcha, e morre.
É engraçado como antes de qualquer fim, existe o encontro. Seja ao chão, seja ao mar, seja ao amor, seja à vida...

"E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim."
[Caio Fernando Loureiro de Abreu]

So, september ends.