sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Tempo de mudança.

Um dia depois do outro, e de repente, uma avalanche.
Pra onde correr? Será preciso fugir?
Se assim for, que eu fuja para o mundo que eu criei. Que o céu seja daquele tom azul e que chova todas as tardes, chuvas de verão. O que eu quero é o verão, e nada além. Talvez uma casinha que sorria pra mim todas as manhãs, quando, ao sair, eu olhar para trás. Talvez um lugar distante coberto pela natureza e toda a sua beleza.
Talvez lá as horas passem lentamente quando o céu estiver estrelado demais para olhar por pouco tempo. Que o chão se acostume aos meus pés, que as árvores balancem ao vento quando eu as olhar. Que a música dos pássaros invada meus ouvidos quando em meu silêncio, eu aguardar. Que quando o verão terminar, eu abra os olhos e acredite, enfim, que o cinza do outono levará consigo as folhas secas das árvores que caem ao chão - cansadas de viver -, e que eu saiba que nenhum vento poderá me derrubar, mesmo que seja forte, mesmo que seja insistente.
Afinal, o que importa é o que existe aqui dentro, e isso é tão grande que perco a direção após o horizonte. Ao meu redor, as partículas de luz iluminam todo ambiente que perdeu a cor há tanto tempo, que perdeu a voz por um momento, e quis chorar, e quis sofrer, quis perder-se no infinito para nunca mais se encontrar. O coração perdeu a batida, saiu de ritmo. Calou-se e voltou a vida. Não que tenha escolhido, mas já que o mundo decidiu assim, que seja, que viva para sempre e eternamente. Que sinta-se acolhido por qualquer sentimento, que aceite o esquecimento. Mas que, além de qualquer coisa, perceba que a vida é feita dessas coisas, que o destino é incerto, que a incerteza é o fato. E o infinito é apenas o que não posso explicar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O quase-amar, os limites do céu.

Sou infinita, assim como tudo o que é sentido. Seja o mais puro ou impuro sentimento, não é eterno, é infinito. E isso ninguém pode julgar, já que não se vê tamanho de amor ou ódio, quando ama-se, simplesmente existe o conjugar. Amar muito ou pouco é simplesmente amar.
A unica exceção é o quase-amar. Quase-amar é como o pôr-do-sol que nunca chega quando a luz ofusca os olhos. É simples e inconsolável a arte do não-amar. Pois não há vida, só a breve lembrança da existência. E confessar o não-sentir é como apunhalar-se sem razão.
A dúvida é a certeza do não, do quase. Do passado ao futuro. Quase é início, é o primeiro passo. Não é fim, não-começo, extinto, impossível. E dói só de pensar...
Que a noite vai acabar e nenhum sonho invadirá meus pensamentos; Que o dia vai começar sem o resto de esperança que a noite nos deixa. Imagine um céu estrelado como a eternidade. Se a noite chegar e passar e o céu amanhecer, tornando-se colorido e azul, seríamos ainda as mesmas pessoas?
As palavras poderão embaralhar-se e ao despertar serei uma completa louca. Abrirei os olhos sem reconhecer as paredes ao meu redor - a cor lilás desbotada não será uma lembrança racional, e o teto coberto de estrelas prateadas de papel será mais um enigma.
Porque minha memória talvez seja apagada, uma chance de recomeçar. E nesse recomeçar, talvez seja possível sentir o pulsar do mundo, o barulho das copas das árvores balançando ao vento, os raios de sol passando em uma linha perfeita no céu, e do céu para entre as folhas pequenas, tocando minha pele ansiosa por ser aquecida.
Qual o limite do céu?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Depois do fim.

Nessa noite tumultuada, sinto-me completamente vazia por dentro, me encontro prensada à uma parede por um corpo quente um pouco maior, mais pesado e mais forte que o meu. E não me deixa sair, mas se eu pedisse, deixaria, se eu intercedesse por mim, venceria. Mas algo me faz permanecer aqui, quieta, inativa. Talvez a dor do ato, da realidade em si tomando conta de mim muito rapidamente. E um grande flash de memórias invade meus olhos, encontrei-me cega, presa à uma parede fria e um corpo quente, que não queriam exatamente nada de mim, somente o momento finito.
Talvez eu não seja assim, talvez não tenha nascido para alimentar-me de momentos. Mas sei sobre a solidão que me atormentou desde algumas palavras que saíram da minha boca forçadamente, a minha voz engasgada e fraca negou-se a dar-lhes som. Mas foi dito, foi necessário e o fim tornou-se existente.
E desde então sou um pouco vazia, como se o meu peito já não pulsasse da mesma forma. Não sinto meu coração batendo dentro de mim, mas bate, eu sei que bate. Sei porque estou viva, e isso não significa que vivo. Mas significa que bebi um pouco de mais, dancei um pouco demais e agora a parede parece me abraçar, por mais quentes que sejam os braços que me envolvem, o frio do concreto me afetam muito mais.
“É em vão”, penso em dizer. “Nada é capaz de me aquecer, sempre fui assim, meio fria, meio intocável. Não adianta, não perca seu tempo comigo.”
Mas não digo, calo-me e olho para o céu. Tão estrelado, brilhante. Dá até pra imaginar a grama sob o meu corpo e um pouco de café. Passaria a noite inteira tomando café e olhando as estrelas. Não dormiria até que o Sol iluminasse o céu completamente. O amanhecer é um fenômeno assim, tão bonito. Porém, não posso lembrar. Não posso, lágrimas escapariam pelos meus olhos, inevitavelmente. E eu choraria como uma criança pequena e assustada. O que sou.
Esse corpo perguntaria o que acontece, e eu diria: “Nada não”, e então não sei o que acontece, porque isso jamais antes aconteceu, e nem acontecerá, engulo o choro. Sou mais forte do que uma vontade involuntária de me derrubar. Mesmo que eu caia num abismo de escuridão, o mundo não precisa saber de minha dor. Chorarei no meu mais puro silêncio interno. E nada as pessoas poderão dizer.
Fecho os olhos com força, vou acordar, vou acordar. Não acordo, o céu ainda está aqui, e esse corpo pegajoso também não me abandonou. “Ei, me da licença, um pouco. Eu preciso sair daqui, preciso de ar, não que você tenha me tirado o fôlego, mas agora estou fugindo. De você, de mim, de todos. Não diga pra onde fui, porque você também não sabe, mas finja que nunca me viu. É tudo o que eu peço. E, por favor, não desonre o meu nome.”
Saio em passos errantes sobre os saltos um pouco altos demais pra mim. Ando um pouco, mais um pouco, não sei pra onde vou, nem onde cheguei. Mas de repente, acordei num lugar tão vazio que me identifiquei, talvez eu ainda esteja dormindo, as estrelas desapareceram para dar espaço a uma única e intensa luz. E agora choro ainda mais, como se nunca o tivesse feito antes. Como se nunca mais fosse fazê-lo. Estou sozinha e vazia, novamente.
Minha única companhia é essa Lua que reflete a luz do Sol como um espelho. Isso me faz pensar na aparência que eu devo ter nesse momento. A maquiagem borrada, os olhos muito inchados, o cabelo desgrenhado. Enfim, um simples desastre. E é assim que a festa termina, sem ao menos ter começado.

Nada auto-biográfico. Fiquem tranquilos, rs.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Antes de morrer.

Absorvi a vida ao meu redor, deixando apenas as folhas de outono que voaram e caíram suavemente em solo desconhecido. Eu esperava a chuva, para que, assim, pudesse adotar toda a sua alegria e me tornar, então, ventania. Tornar-me-ei tempestade. Isso fará de mim algo mais vivo que o ar que nos alimenta, pois seria a água que nos compõe, o que somos. Faria de mim eterna, mesmo que a eternidade não seja tão atraente assim, mas sim tortura. Incessante tortura, sem piedade.
O futuro que eu vejo é tão descontente, silencioso, vazio. Somente eu e minhas mágoas olhando pela janela, o meu reflexo no vidro é tão cansado que chego a sentir pena de mim. Olheiras fundas marcam os olhos tristes e imóveis. Sou quase um fantasma do que não existiu, uma lembrança sobrenatural do que não aconteceu, não acontecerá.
Já que escolho o meu caminho, vou viajar sem destino, buscando sempre uma maneira menos triste de viver. Porque sou assim, calada, e não quero outra maneira de ser. Não seria eu se fugisse como uma criança assustada, mas ainda posso me esconder sob o cobertor frio, no escuro, onde nada além da minha imaginação pode me encontrar.
Eu esperei pela segurança que não chegou, esperei tão convicta de sua existência que, ao ver-me sozinha, vi meu coração quebrar-se em mil pedacinhos, vi minha alma afundar ainda mais em sua escuridão. Peço que alguma estrela comece a brilhar a partir de uma explosão. Guiar-me-iria por qualquer mundo, eu lhe daria um nome bonito e muito vivo, algo como o nome da criança que eu nunca terei.
Algo como a casa em que eu nunca viverei. Idealizei mil sonhos, desenhei mil planos. E agora estou aqui, sem minha chance de viver. Sem coragem pra vencer ou correr, mesmo que correr seja fuga. E mesmo que assim eu volte a ser uma criança assustada. Talvez eu jamais tenha deixado de ser. Mas dizem que a vida vai além do que se vê, e é realmente o que eu espero.

Oi, pessoas. Tudo bem com vocês, meus queridos? Me desculpem pelo tempinho sem atualizar, eu estava completamente sem inspiração. Mas agora postei, não foi algo tão bom, tão maravilhoso, tão digno, mas eu acho que é melhor que nada, rs. Bom, respondendo à algumas perguntas... Eu não abandonei o blog e nem vou abandonar, ao menos, não por vontade própria. Prometo tentar postar com mais frequência. Fiquem todos muito bem. Beijos! :**