sábado, 29 de maio de 2010

Trinta e nove minutos. Posso te escutar.

Depois de toda essa desesperança, depois de todo esse tempo que se passou. Quando foi? Perdi a noção do tempo quando você me deixou, sozinha, sem saber o caminho de casa, a rua pela qual seguir, o rumo para me encontrar. Perdida e vazia.
A lua me encontrou. Naquele momento de sobriedade desesperada, enlouquecida pela falta, pela ausência que me causou. Saudade tornou-se o mundo quando eu percebi, enfim, o deserto no qual me deixara. Deixou-me, culpando-se pelo ato de ser e precisar. Precisar.
Ninguém nunca precisou de alguém como um dia eu precisei de você, sua bondade era como a sombra na beira mar. Eu via aquela água imensa, escura de cor inexplicável que eu sempre adorei, e em meus sonhos você me visitou, talvez fossem pesadelos, em outras palavras, era quase insuportável acordar. E eu acordei: todas manhãs ensolaradas, frias ou maltratadas. Todas as noites, quentes ou nubladas. Com céu ou sem teto, acordei desolada na infinita singularidade que me foi dada.
Lembra daquele som acustico bonito que parecia vir do além para nos envolver? Era tão intenso que eu nunca esqueci, nunca. A cada instante aquelas notas ressoaram em meus ouvidos,  me fazendo acreditar que por onde quer que eu fosse, você estaria sempre comigo.
Então me diga por quê. Agora me diga. Explique ou invente uma teoria qualquer, me faça acreditar que se foi porque a vida exigiu isso de você, diga que, assim como eu, nos dias nublados-ensolarados-infinitos que esteve distante dos meus braços pensou em mim.
Eu olho – todos os dias – pela janela, busco um motivo para já não te esperar e não posso, não concordo que um dia o mundo agiu para nos separar.
Se que tus alas se quedan conmigo, que desde el cielo tu abrazo es mi abrigo, ángel divino me cuidas del mal. Se que camino con tu compañía, que con tu voz se me encienden los días aunque tu puerta hoy este mas allá, te puedo escuchar. En cada libro esta escrito tu nombre, en cada verso te siento cantar. Tu mano me lleva directo a tu sombra. Yo se que una noche te voy a encontrar.
Você sabe que foi meu alento do começo ao fim. Fim este que ainda não aceitei, busco-lhe no deserto de almas em que passei a viver. Busco-lhe aonde eu for, ruas e avenidas são pequenas no mundo que eu tenho para vagar. Precipícios são rasos diante da profundidade do meu querer.
Me dê agora, um único motivo para que eu feche os olhos e saia, sem lhe tocar, sem que o sentimento que eu sinto seja mais forte do que qualquer coisa que eu venha um dia a encontrar. Você é meu mundo, digo e não tenho porque calar. Essa voz insiste todo o tempo em provar o quanto eu posso te amar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Veronika. Parte V

 E agora a sentia, sentia uma falta imensa de cada particula de seus antigos dias. E nada poderia fazer, afinal, suicidou-se. E quem faz isso, não merece viver. Parece até engraçado, mas dizem que uma pessoa deve ser amada quando menos merece receber amor, e talvez fosse assim, ali, agora, ela entendia isso, e chorou.
 Chorou como uma criança pequena, e era isso que era. Uma criança, nunca havia vivido, talvez nem existisse, talvez fosse somente uma ilusão. Uma ilusão na mente de alguém que sonha acordado. Alguém que olha as árvores passando rapidamente através da janela embaçada do ônibus, e imagina então, Veronika.
Então era isso, tão logo entendeu. Perdida em suas memórias inventadas, esqueceu. Quis então que aquele alguém parasse de imaginá-la, cansou-se de existir, olhou ao redor e encontrou toda aquela cor bonita, cor esta que sempre imaginou em seus sonhos mais bonitos, pacificos. E quis a resposta para sua maior dor. “Quem sou?”
 Porque o mundo a despejara assim, não sabia... e jamais saberia, já que as respostas para suas perguntas só deveriam ser dadas pela pessoa que um dia, ousara criar, em seu infinito particular, uma mulher branca, de olhos que mudavam de cor, e era isso que ela era. Nada mais, nada menos.
 Uma mulher branca, da cor das paredes que hoje a envolviam, encolhida no canto do quarto sozinha, chorando como uma criança que nunca havia chorado. Seus sorriso distintos já não existiam e o brilho dos olhos coloridos se apagou.
 Não soube porque, nunca entendeu. Em um momento qualquer, talvez o alguém que sonhara com ela, desenhara seus lábios e seus cabelos despertou, cansou-se de viver num mundo ilusório e quis viver, deixando-a de lado, esquecida entre as lembranças do passado. E então, assim, Veronika, sem escolher, deixou de existir.
 E hoje, depois de tanto tempo vivendo na ilusão de meus pensamentos confusos, resolvi despertar, e ao mesmo tempo me culpei... por destruir toda uma vida de sonhos e desilusão. Destruir tudo o que eu criei, deixar pra trás. Me culpei mesmo, com exatidão. Soube o que estava fazendo, sempre soube, e não polpei dor ou sentimento, machuquei com ferro quente a alma de quem me fez pensar, sorrir... com seus sorrisos distintos e olhos coloridos.

Fim

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Veronika. Parte IV

 Talvez sim, basta querer e seria. Mas não quer, nunca quis. Denominou-se deusa da vida, e agora, que a morte lhe envolvia, o que iria ser? Nada. Seria ninguém, anônima, oculta. Esquecida, deixada nas lembranças passadas. Seria o fim, pois acabou.
 E como nunca havia falando com ninguém, ninguém iria chorar. Sua cova seria pequena, sem cor, pois nenhuma flor ganharia por amor, talvez admiração. Uma admiração sem sentido, pois sua voz nunca ninguém ouviu, nem no silêncio da noite mais quieta suas cordas vocais puseram-se a cantar, dizer palavra que fosse, única letra ou som. Nada. Ela não existia.
 Talvez houvesse gravado milhares de discos, músicas infinitas. Deixando-as no interior do seu baú de madeira, esquecidas e escondidas, na esperança de que fossem o seu segredo eterno. Mas qual seria a graça em ter um segredo, quando seu próprio nome jamais fora mencionado.
 As pessoas imaginavam nomes bonitas. Maria, Camila, Soraya, Sofia. E nada lhe servia, nada se encaixava em tamanha sabedoria calada. E então desistiam, desistiam por que era mais fácil, mais simples. Não se atreveriam a perguntar-lhe o nome ou oferecer-lhe um abraço. Ela jamais aceitaria.
 Mal sabiam que agora, daria-lhes a vida em troca de um abraço. E agora nem a vida ela tinha, quanta ilusão, pensar que um dia tivera o mundo aos seus pés, agora era cercada pela eternidade branca, pacifica como o ar preso dentro de uma caixa. Imóvel. Encolhida no canto do quarto vazio. Abraçando seu próprio corpo. Procurando o calor que não tinha para receber ou merecer.
 Simplesmente estava sumindo, aos poucos. Seus olhos coloridos já não brilhavam, seus sorrisos distintos já não existiam. Era somente sua boca parada, calada, muda. E ela era somente um corpo desbotado, magro, pequeno e desajeitado. Como poderia, um dia, alguém lhe olhar com olhos tão desejosos.
 Se as pessoas lhe encarassem nos olhos leriam todos seus pensamentos, e assim, saberiam que em algum momento ali existiu vida. Mas não mais existia, havia acabado, finalizou-se sem um adeus, despediu-se sem nenhuma palavra, nenhum toque ou demonstração de uma saudade que não teve por que existir.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Veronika. Parte III

 Havia morrido, certamente, e acreditou na loucura que a assombrava. Nada jamais a assombrou, medo nunca sentiu. Tinha em si toda a coragem do mundo, e isso não havia sido suficiente, queixou-se por dois rápidos dias aquela ausência de cor, mesmo que preenchida pela cor mais bonita, temeu que a noite jamais chegaria, queria estrelas, lua. Queria a sensacional verdade que ocultara por tantos anos. O seu viver.
 Depois de algum tempo, descobriu-se pequena, encolhida no canto vazio do quarto. Encolhida por fora e por dentro, abraçava-se, sozinha. Quis um abraço, não o seu abraço, mas um abraço quente, protetor.    Nunca havia sentido-se assim, e temeu. Como temeu...
 Jamais quis depender de alguém, jamais quis esperar por alguém.
 E logo percebeu-se apaixonada. Mas como?
 Jamais havia encarado olhos nenhuns, jamais havia aceitado o fato de que alguém a queria como a terra seca quer a chuva. E por um momento então quis isso, a chuva. Forte e fraca, desproporcional. Como poderia amar alguém, agora que o mundo lhe fora tirado?
 Como poderia agora, amar alguém, quando a vida lhe fora esgotada? Extraida de sua alma. Ou a alma extraida da vida, não soube. Não sei. Por um segundo quis ser Veronika e agora não sinto medo de nada além disso. Nem do escuro que sempre me assombrou. Nem do abismo em qual tantas vezes caí.
 Não tive medo, assim como Veronika, da solidão que me sufocou, ao contrário, ela me apertava e eu a abraçava. Velhas amigas nos tornamos. Mas Veronika decidiu morrer, soltou minha mão e se foi. Eu fiquei, fiquei porque sempre fico, na vida ou aqui. Na vida ou no quarto. Mas esse quarto no qual me encontro tem tantas, tantas cores...
 Veronika sentiria inveja de mim se soubesse, mas eu não escreverei carta alguma para lhe contar, ela não leria. Nunca lê, só escreve. E ninguém lê o que ela escreve. Escreve e rasga, joga fora, às vezes chega até mesmo a queimar. E então olha a chama do fogo, chama o vento para lhe multiplicar, e o vento vem. Sempre obedecendo-a.
 Seria Veronika a deusa do vento?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Veronika. Parte II

 Mas estes olhos nunca seguem ninguém. Nunca seguiram. Por onde passa jamais olha para alguém, a única beleza que atrai seu olhar dominante é aquela que a natureza fez sozinha, não usa maquiagens, mascaras ou perfumes. Tem em si uma fragância tentadora, uma essencia que chega a abalar a mente de quem um dia tem a oportunidade de conhecer.
 E quem conhece, jamais esquece. Parece até clichê. Mas quando seu rosto aparece, muitos pensam que talvez poderão enlouquecer, é quente como o fogo e pode ser muito mais frio que o gelo, tem a ousadia de uma tempestade, é ventania. Entra e abala tudo que por ali esteja, esteve, estará. Simplesmente marca, entre um momento e outro, a sua existência.
 E todos fecham os olhos, calam-se para ouvi-la falar, ela tem as palavras mais bonitas, Veronika, sabe-se Deus de onde veio tanta alegria em sua forma de andar, às vezes parece flutuar em seus pés pequenos angelicais, às vezes é imóvel, como uma estatua de deusas gregas a se observar.
 Veronika nunca sentiu o amor, não este amor carnal, sensacional, estes amores que as pessoas tanto falam... Que não cabe no peito, e explode. Explode em sentimento, este amor que dizem que escorre pelos olhos, dentre lágrimas de felicidade e clareza. Clareza é verdade e verdade machuca profundamente.
 Ela tem toda sua intensidade, liberdade de voar. Viajando entre as nuvens, as estrelas e a Lua, ninguém pode a parar. Ninguém pode impedi-la, ela simplesmente quer, e quando quer, ninguém segura. Não posso entender, porque Veronika, um dia, decidiu morrer.
 É sem sentido, totalmente sem nexo que a paz que a envolvia tenha a levado a pensar que depois da morte existe só a eternidade. Encontrar-se com Deus, talvez. Não importava, simplesmente quis o fim e o fez. Sem arrependimento algum.
 E quando acordou, entre quatro paredes brancas e bonitas, brilhantes, iluminadas pela luz do sol que também a cercava, pensou que talvez o céu fosse ali, tão bonito e branco. Encontrou também uma janela, pequena e sem nada. Olhou atravéz dela e viu, diante dos seus olhos, todo o mundo que nunca imaginara.

domingo, 23 de maio de 2010

Veronika. Parte I

 Cheia de amor e sedução, mal sabia por que, mas por onde passava, os olhos a acompanhavam. Perdeu-se tantas vezes entre a multidão, depois de cultivar tantos sentimentos desprezados. Buscava sua própria imagem, sem saber que a única coisa que lhe satisfaria seria a única que jamais poderia ser.
Era em si, uma metamorfose. Seus olhos eram de todas as cores e seus sorrisos eram outrora meigos e então sedutores, tímidos e até cansados. Veronika era somente ela mesma, simplesmente o que era, sem ser ou explicar.
 E simplesmente vive, sem entender a razão que a faz acordar todas as manhãs. Veronika gosta de dias nublados, vento frio e neblina baixa. Gosta de sentir as goticulas de água esfriando sua pele clarissima e também gosta da sensação do calor do sol no rosto, nos braços.
 Pensa em seus atos todo o tempo, quando conclui algo, percebe que não faz sentido, é tão melhor agir, fazê-lo. Então tem. Tem e sonha todas as noites que um dia sentirá a falta que a distância traz. Criou entre o seu coração e o mundo uma ponte larga e fria, as pessoas olham-a de longe e tentam disfarçar, quando os seus olhos as fitam é como se soltassem pequenas cargas elétricas, as pessoas percebem que sua pele começa a se arrepiar, e passam as mãos nos braços, na intenção de aquecê-los com o atrito. E não conseguem, enquanto aqueles olhos que mudam de cores constantemente os seguem, simplesmente não conseguem.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Fix you.

Abrace-me agora, ou nunca mais me procure. Vá embora sem deixar vestígios e não me ligue por mais que você chore ou implore. Simplesmente deixe que o tempo descreva ao vento que nem sempre a nossa existência precisa de um motivo específico para acontecer. Admita que não me sente como antes, que as estrelas do céu são bem mais atraentes do que procurar o brilho no meu olhar.
Deixe-me por um dia, só para eu sentir sua falta. E se você achar que eu não aguento mais, pode voltar. Se achar que não sou capaz de seguir sem você, venha me buscar que contigo eu vou a qualquer lugar. Sempre vou, e você sabe. Por mais que eu desista e insista em fugir dos seus braços, só eles são capazes de me segurar quando o mundo parece girar rápido demais para o meu pouco equilíbrio me socorrer.
Então não desista, amor, jamais pense em me esquecer. O que agora acontece não justifica o futuro que o mundo nos reserva. Seja este futuro bonito ou não, colorido ou sem cor. Eu não reclamaria do destino se me encaminhasse a beira-mar, não ousaria criticá-lo se me levasse para bem perto do céu, no alto de alguma montanha bem bonita, de onde todo o mundo pode ser visto sem o esforço dos olhos.
Quando eu disser que não mereço, é simplesmente porque preciso. Você sabe tão bem do que eu preciso, mas às vezes insiste em me contrariar, me enfrentar. Eu conheço esse teu jeito, essas tuas manias todas. Acredito que quando a solidão te tocar como agora me faz será tão ruim que sentirei vontade de te acolher em meus braços e falar que ficará tudo bem, tudo bem, amor. Eu estou com você.
E então você despenca de toda altura dos teus pensamentos e se encolhe para perto de mim, fica em silêncio esperando que eu diga alguma coisa bem bonita, que faça você sorrir um pouco, para logo depois voltar a disfarçar sua carência, sua falta do meu amor. Mas não é necessário, você sabe que quando abrir os olhos eu estarei aqui, e se não sabe, deveria saber.
Por isso, amor, busque em mim somente o que minh’alma permitir, pois meu coração perdeu o rumo, a batida e o destino quando eu encontrei você. Sentimento tão leve e bonito, não dá pra explicar, parece nem fazer sentido.

Lights will guide you home, and ignite your bones, and I will try, to fix you.

domingo, 16 de maio de 2010

Confissões noturnas.

Me dejaste con el alma confundida y la mirada perdida.

Já não quero essa confusão, essa dor exaustiva sem por quê, essa ausência de alegria sem sentimento, sem um momento pra depois esquecer. Pedir socorro, gritar por ajuda e implorar cada vez mais que o que completa já não existe, o que crê não mais importa. Agora sou apenas uma poesia meio apagada, meio esquecida, deixada de lado. No fundo da gaveta do velho criado-mudo que só serve de suporte para os seus bons cigarros. Seu consolo desde o dia em que, sem uma razão, eu lhe deixei.
Talvez isso tenha ocorrido graças a saudade que eu sinto da minha liberdade, dessa viagem permanente em que eu vivo, sem ninguém, pensando sempre alguém. E sempre o mesmo alguém, sempre. Desde o amanhecer até o último ponto de luz que eu vejo, a última fresta de dor que entra pela porta, encendeia o quarto, navega entre as lembranças, meu doce passado.
Uma pequena narração de uma vida tão esquecida, vivida somente poucas horas por dia, pelo único fato de ter. Ter alguém, o mesmo alguém das últimas e futuras noites. Criando e recriando momentos tão semelhantes. Chorou porque não existia uma razão para sorrir. Não ali, e o que queria não poderia lhe abraçar naquele instante. Instante esse em que precisou, precisou de todo e qualquer amor que não lhe foi dado, precisou até mesmo da dor que lhe foi entregue. E deixou...
Deixou que o tempo passasse um pouco, para que os ventos se acalmassem e seu rosto cansado calasse um pouco os olhos que, descontrolados, buscavam apoio em qualquer objeto amável, e quando enfim encontraram, sorriu sem saudade, crendo na verdade que criou e desde então seria sua companhia nas noites frias e tristes que estavam a lhe esperar.
Encontrou a proteção que buscara, que lhe aqueceria e defenderia de todo e qualquer mal. Percebeu que seus braços imploravam, assim como os olhos, que o toque permanecesse sendo sempre intenso, aquecendo com seu amor, seu calor, sua vida e sua luz. Essa proteção que prometera-lhe a eternidade, tranquilizava-lhe no seu abraço amado, sem ouvir de sua boca uma só palavra, sem saber se o que sentia lhes aproximava, mas acreditando somente que o mundo não seria cruel o suficiente para tirar dos seus braços a sua maior alegria.
Eu voltei, voltei e espero que a mesma liberdade que nos separou um dia não volte a nos perturbar. Eu espero que agora o tempo só exista quando eu lhe ver, quando eu puder lhe amar.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mistérios.

Isolar-me-ei do mundo, criarei minha proteção, adorarei minha solidão, tocar-me quando carente. Suportarei toda dor, amar-me-ei quando eu precisar, tão auto-suficiente que chego a surpreender - os olhos, a mente. E surpreendo tanto e não entende o por quê. Sinto falta do destino, sua loucura é quase sem direção, mas ando, sigo em silêncio nesse deserto imaginado. Meus olhos foscos criam-se a partir das lembranças, se não nada tenho, busco a sanidade de precisar. E preciso. Encontros nos lábios que nada dizem a resposta dos mistérios que eu tanto quis desvendar. E desvendo-me, descubro meus segredos e quebro minhas promessas. Não tenho motivos pelos quais cessar.
Perco-me na noite sem Lua, quando só as estrelas poderiam me guiar, e eu não às vejo, não consigo imaginar o brilho que elas podem irradiar. Sinto-me sozinha, o mundo que eu criei me impede de surtar. Sou totalmente vazia e busco o preenchimento que certamente pode me salvar.
Salvar desse mar sombrio e infinito, salvar dessa luz que me impede abrir os olhos. Como o fogo e o gelo, eu me encontro a discordar. E o meu grito interno ninguém vai acalmar.

sábado, 8 de maio de 2010

Absoluto.

Eu ando por essa rua vazia, sem rumo, sem direção, lágrimas destroem minha força já esgotada e o esquecimento toma conta de mim. É engraçado como de repente tudo pode dar errado, o meu telefone toca e nenhuma voz é capaz de acalmar, melhor seria se eu fosse capaz de ouvir.
Mas o vento diz tudo, e os pensamentos se calam sem explicação, talvez o caminho que eu sigo me leve para algum lugar, talvez as músicas que eu ouço já não me façam chorar. Porque agora eu choro. Choro como num destino definitivo, uma vida tão certa que não nos dá vontade de viver. Mas vivo, pelo simples fato de existir, pela necessidade de continuar. Eu continuo, gostaria de ter ao meu lado a companhia daquela que invade os meus sonhos e abala minha alma. Isso é tão absoluto que me assusta a forma como teve acabar, um fim instantâneo, tão absoluto que se torna difícil acreditar, que ontem mesmo eu tinha tudo, e hoje nada pode me salvar.

sábado, 1 de maio de 2010

Remember me.

Ouvi falar que meus olhos já não brilham, sua força faltou-me como a pele desde o exato momento em que você se foi. Eu te amo. Disse-me, disse-lhe. E acordei na tua eterna ausência, você sabe, eu jamais me esquecerei. Na transparência de minh'alma que antes transbordava encontrei tantas lembranças. Lembranças estas que são tudo o que eu tenho, definitivamente tudo. Agora já não exagero, o que sinto é tão real que não entendo como ainda estou aqui.
É engraçado como nós nunca pensamos em perder alguém, imaginamos que essa pessoa estará ali sempre, que podemos partir sem despedidas, que logo nos reencontraremos.. E se assim fosse, agora eu choraria, não somente pela realidade que seria assim tão bonita, mas também por somente saber, que em qualquer lugar do mundo, você estaria bem.
Eu descobri que tenho muito medo, tanto que não encontro palavras para aliviar, e então, não existe alívio, existe a saudade incontida, a vontade incompreendida, e existe esse futuro sem nexo, sem rumo, sem caminho. Quero te falar que enquanto te espero e quando te vejo partir o que eu sinto é muito estranho e muito intenso. Tenho que falar que mesmo que meus versos calem e meus olhos fujam, eu não vou me esquecer de você, não vou. Até porque eu não vou a lugar algum, vou ficar aqui, esperando você chegar, ouvir sua voz, encontrar seus olhos. Não esqueça que até o que acaba não tem fim, entenda que a eternidade está no momento de existir.
Lembre-se e lembre-me que tudo o que importa sou eu e é você.


"O que quer que você faça na vida, será insignificante.
Mas é muito importante que você o faça.
Porque ninguém mais o fará.
Como quando alguém entra na sua vida e metade de você diz que não está nem um pouco preparado. Mas a outra metade diz: faça que ela seja sua para sempre."