terça-feira, 27 de abril de 2010

Linear, sem fim.

Minhas paredes vazias já não são suficientes, depois que a chuva passou minha força tornou-se solidão. Eu quis dizer que as coisas não estão boas assim, eu gosto de cores foscas e olhos brilhantes. Soube logo que não deveria ser assim, mas preciso. E preciso como alguém que precisa de ar. Sou sem limites e tão previsível. Se o sentimento não é o mesmo e não é tão forte assim... Porque dói como um todo? Porque parece impossível calar a alma que grita e implora? E eu tenho tanta vontade de fugir, correr pros teus braços que são os únicos que me acolhem. E mais uma vez meu coração surrado bate forte no peito e não quer parar. Se o tempo nos faz pequenos em lugares distintos não posso protestar, o tempo é dono de tudo, carrega consigo cada lembrança necessária e até o que não faz tão bem assim.
Palavras encontram-se num ato de pensar e existir. Falaram-se, entre olhares, conheceram-se. E desde o primeiro até o último momento criou-se uma crença. Aquela de que nada poderia acabar, indestrutíveis tornar-se-iam se juntos permanecessem.
E é por isso e talvez por mil outros motivos que sua dor tornou-se rara, rara e inaudível. Pequena e isolada num canto pequeno e claro. Já não era capaz de estraçalhar qualquer coração, já não era capaz de existir, sozinha, acabou-se. E os olhos que antes vigiava abriram-se outra vez, brilharam e sorriram como quem nunca esqueceu.
Tornou-se infinita, prometeu que um dia aprenderia cada fato sobre si, e lembraria, sem sofrer, tudo o que havia passado. Sozinha. Vazia. Criaria coragem, teria vontades, saberia exatamente pra onde ir. Saberia quando encontrasse o início do único sentimento que não terá fim. E enlouqueceria todas as noites, de saudade ou simplesmente loucura, teria consigo o maior amor do mundo, mesmo que por ela, mesmo que sem resposta, esquecido, teria. E seria assim, tão completa que chegaria a imaginar... Pra onde foi toda aquela maldade, aquele mundo qualificado para matar? De onde vem toda essa felicidade, magia eterna de quem aprendeu a amar...

"E agora eu vejo, que aquele beijo era mesmo o fim, era o começo e o meu desejo se perdeu de mim.."

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Você.

Para pensar em você todas as horas fogem, o tempo parece não passar. Sonhei que sentia uma dor horrível, maior do que se pode calcular, e quando os seus braços me acolhiam eu via essa dor passar. Você me protegeu do escuro que tanto temo, me aqueceu no frio que sinto. E você cuidou das minhas magoas, meu coração ferido. Você não me deixa acreditar que por mais que tenha feito muito, isso um dia vai acabar. Mesmo se eu não quero, mesmo se não me pertenço.
Sou do mundo, mundo este que desconheço. Mas preciso aprender a me proteger, quando os teus braços fortes-indestrutíveis falharem eu não vou ter pra onde correr. Vou chorar em silêncio ou gritar o meu amor. Esse amor destemido que nunca se manifestou. Debate-se no peito, machucando por dentro. Mas tudo bem, o presente é tão bonito que me proíbo pensar em algo além.
Então escrevo. Escrevo para esquecer e nada esqueço, pois escrevo como quem irá morrer no próximo minuto, e se assim fosse ou for, penso e escrevo sobre você. Nada sou além dos meus mistérios, depois que me conheço, me perco e quando me reencontro já mudei. Mudei e sou sempre a mesma. Essa confusão que só você entende, confusão de alguém que um dia só eu entendi.
Eu espero não te torturar com lembranças, espero que sua força seja sempre maior. Você é tão indestrutível. Nada que na loucura de um dia não se possa controlar. Às vezes as palavras fogem ao te encontrar. Me calo e assim permaneço. Conheço tão pouco esse amor que você tem por mim, esse amor que está estampado nos seus olhos, no seu jeito de me tocar. Esse amor que se perde e volta a se encontrar e sempre sabe onde vai.
Você acreditaria se eu dissesse que você me faz bem, que eu quero você aqui comigo, dia e noite, enquanto o amor durar? Acreditaria que quando não te tenho penso em quando vou te reencontrar?
Porque eu penso. Como eu penso e quero... Não consigo entender a vida além de você. Tudo é tão errado, tão incompreensível. E eu desisto sem você. Não tenho por que continuar, nem razão, nem emoção. Se for pra ser, será aqui. Não daqui muitos anos, nem daqui poucos dias, não importa o que passou ou o que virá, se sua presença for constante eu não vou parar pra pensar.
Você não vai embora, não vai me deixar. Larga tudo, esquece o mundo, não sei por quê... Mas eu vou te esperar.


"Amor eu sinto a sua falta, e a falta é a morte da esperança..."

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Memorável. Parte VII

Eu quero lhe dizer que mesmo que as lágrimas já não molhem o meu rosto a dor que eu sinto é inestimável. Você se foi, o mundo tornou-se pequeno demais para nós dois. Por mero acaso toda uma vida aconteceu, renasceu das cinzas. E eu desejo à você muita paz e um futuro bem bonito, espero que encontre a felicidade que não fui capaz de lhe proporcionar.
Desejo que tenha ao seu lado um grande amor e diante de seus olhos uma bela paisagem. Desejo que viva o suficiente para jamais ser esquecido, e quero pedir-lhe que, por favor, não me esqueça, não definitivamente, não para sempre. Lembre-se de mim ao ver o céu crepuscular ou uma noite iluminada pela solidão do luar.
Agora estou prestes a partir, tenho uma estrada florida para me guiar. Já não estou sozinha, carrego comigo todas as estrelas do mundo, para jamais viver no escuro. Vou acreditar mais uma vez nesses sonhos, nessa abstinência de morte. Quero somente ter, por toda alegria, um pouco de paz. Não mudaria o destino que nos separa se pudesse, nem faria da minha existência uma prece, só espero encontrar - em um rosto sincero - um olhar brilhante que me mostre a infinita grandiosidade do sentimento, só espero encontrar um sorriso que me acompanhe, que não me faça lembrar do teu rosto a todo instante. Quero entregar ao mundo toda essa loucura insaciada.
Encontrarei o momento certo para respirar, onde tudo possa recomeçar. E se a solidão vier me visitar, a receberei com um grande sorriso no rosto, só para lhe provar, que mesmo que eu sofra posso vencer, simplesmente pela vontade, pelo querer.
E então lhe digo, que no vazio do meu peito você já não será preenchimento, não poderia esperar - por mais que eu queira - seu tempo pela vida inteira. Adeus. Não espere que um dia eu vá lhe buscar, como há pouco eu tanto quis. Nem pense que eu vou lhe abraçar quando se sentir só. Eu não posso deixar o sentimento se reanimar, eu não seria capaz de matá-lo mais uma vez, não suportaria. Então, adeus. Definitivo até que nossos caminhos voltem a se cruzar. Não me queira mal, não me esqueça totalmente. Eu acredito na lembrança boa de ti e sei que sempre me acompanharás.
Aonde quer que eu vá.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Memorável. Parte VI

Às vezes todas suas vontades resumem-se em gritar. Gritar que não suporta, não merece. Depois de tentar de todas as formas quer simplesmente cair, fechar os olhos e esperar a dor, dor esta que logo chega, as lágrimas já molhavam o rosto frio de olhos tristes e misteriosos.
Por um minuto quer o silêncio e então uma gritaria ensurdecedora. Quer o escuro para envolvê-la, escondê-la do mundo. Contou-lhe que já estava previsto, já sabia. Pois sentia com toda a sua calma que aquilo era diferente, era mais forte, provavelmente indestrutível.
Soubera no início e com o tempo só teve confirmações. Falou-lhe sobre o novo mundo em que vivia, o mundo que criara... Transbordava de tanta dor ao decifrar seus enigmas, sangrando como se não mais pudesse ser concertado.
E não podia, era doloroso. Deus, como era doloroso! Sinto vontade de chorar ao lembrar da expressão de seus olhos, tão semelhante à minha que poderia jurar que eramos a mesma pessoa, que a corda que nos sufocava era a mesma. Mas não era, não somos.
Essa menina tem esperanças no coração e eu não me permito sentir. Sua dor é transparente e a minha qualquer um pode ver.
Fechamos os olhos - eu e a menina -, e deixamos a solidão nos encontrar, ela é rápida e aos poucos adormecemos embaladas pelo ritmo de seus braços, com sua angustiante canção de ninar.

sábado, 10 de abril de 2010

Memorável. Parte V

E vai voltando tranquilamente, como se nunca houvesse partido. Deixando toda aquela história pra trás, como se o mundo ainda estivesse ali, unindo-os pela coincidência e distanciando-os simplesmente juntos não poderiam permanecer. Encontraram-se e perderam-se.
Sem por quê, sem uma única razãoque possa lhe consolar, deixa seus medos por pensar que já venceu o mundo, e esquece que o que mais lhe importa sequer pensa em lhe pertencer. Esquece que o que mais lhe machuca é o que jamais seria capaz de enfrentar ou destruir.
Rejeição.
Palavras cheias de magoa saiam de sua boca sem sua autorização, queria calar, fingir que não se importava, que havia passado. E não passou, nem passará. Queria acreditar no impossível, mas cansou de buscar o inalcançavel.
Mas ainda assim lutava, fugia daquilo todas as noites, ocupando a mente com milhares de outros fatos e quando por fim parava, chegava o desespero. Outra vez essa sensação que já não é vazia, mas que é tão preenchida que chega a machucar por dentro.
"Como é possível um coração tão pequeno carregar tanto sentimento?" Se perguntou e soube então que a resposta não existia, então calou o pensamento não gostava de perguntas sem respostas pois buscava-as sem limites, sentia-as como pancadas e não conseguia parar.
Assim cessou sua voz e seu grito interno enlouqueceu o mundo, sua vida hesitou em continuar e então quis o pôr-do-sol num crepúsculo doce como tudo o que já não existia. Estranhou-se ao perceber que pela primeira vez esperava a noite, anciava sua falta de brilho e cor.
Talvez porque agora se conhecia tanto que diria - de olhos fechados - todas as cores que antes não existiam e que depois não existirão. Morreriam, caladas na noite fosca de poesia intocada, não pronunciada. Perderiam-se entre tantos pontos antes brilhantes que foram perdendo o brilho até apagar, cansando-se de todo e qualquer motivo. Decidiu... Por uma razão ou outra, não poderia continuar só, ou largava tudo e corria para lhe alcançar ou definitivamente cessava sua vida já incompleta, querendo ou não já não poderia suportar.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Memorável. Parte IV

E seu coração descompassado não encontrou o sentido na vida sem a respiração do oposto. Um dia quis seus olhos e no outro quis ser feliz. E de saudade e loucura viveu.
Sua exatidão só existia enquanto sentia aqueles braços quente protegendo-a, baixara a guarda, soltara as armas, rendera-se para esse amor. Pequeno amor... Porque grande não admitia, queria tanto sua liberdade que negava aquilo, mesmo tendo certeza de que seu sentimento era imenso, um perfeito preenchimento no peito, fazendo bater o coração.
Queria em suas noites gritas, gritar que voltasse, que não a deixasse... Sozinha... Pra trás... Implorava que com ela ficasse, pois temia que sem ele o mundo deixasse de existir. Temia tanto que às vezes sequer lembrava-se do que buscara no início, mas então, o que era? Era o céu de brilho preso, calmo, mudando de cores conforme o dia passava? Era a sanidade de seus olhos profundos ou a certeza existente em suas palavras?
E então descobria que nada restara, perdera-se diante de sua confusão, aquecendo o tempo que insistia em passar. Teve tão pouco tempo que não quis acordar. Encontra-se procurando...
Uma razão para continuar, uma força maior.
Um recomeçar, um suspiro e um adeus.
Nada encontrou.
Sua postura frágil tornou-se forte, indestrutível, seu rosto magro tornou-se duro, indefinido. E assim deixou-se viver. Sem aquele sorriso de tempestade ou vento, só o exato olhar convicto.
E sua ternura, para onde fora?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Memorável. Parte III

Na invariável expressão de seus olhos, disse-lhe, sem tentar, que quando encontrava-o seu dia mudava e as horas passavam tão rápido que não podia acreditar. Como consequência de seu primeiro ato, um beijo criou-se em seus sonhos, e beirando a loucura de seus planos deixou-se levar pela simplicidade de um abraço.
Sonhou só, acreditou de corpo e alma que aquilo poderia ser para sempre, e então, num ato já pensado, escutou a voz que tanto anciara, tanto quis. Tremeu sobre a grandiosidade daquele momento e então compreendeu, pela primeira vez, que um sentimento assim não acontece duas vezes. Chorou com antecedência, quis intensamente e mostrou a quem quisesse ver, que quando se encontra uma alma assim, tão rara, não se pode esquecer.
Beirou seus abismos em sua ausência fosca, conheceu seus medos, enquanto quando estava ao seu lado não se incomodaria em ver o mundo explodir diante dos seus olhos, já que seus pés não precisavam do chão.
Vez ou outra olhava ao seu redor e tudo era muito distante, então procurava em seus interior algo bom, o que encontrava era lindo e misterioso, e em seu peito era descontrolado, bastava somente existir para colidir com a razão, expandindo-se em todas as direções.
Era curioso como acontecia, marcava como o fogo na pele já quente e gritava que não cessaria sem antes tudo destruir. E nisso ela acreditava, pois sempre que revivia se encontrava perdida em seu próprio ser. Buscou em seus tempo, seu coração traçou o caminho e seus olhos vendados não discutiram, não seria necessário ou possível lutar contra aquele doce e pequeno amor.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Memorável. Parte II

Soube então que nunca o deixaria. Jamais seria capaz de abandoná-lo e isso não lhe parecia ruim no início, e não era. Suas palavras chegaram, inesperadas, depois de anos procurando-as sem encontrá-las. Seria capaz de mover o mundo, tamanha era a alegria que sentiu. Mas uma sensação misteriosa, quieta... E então do nada se remexia, e como era demasiado grande bagunçava tudo ao seu redor, e foi assim que todas as suas certezas tornaram-se confusão.
E naquele primeiro momento, disse-lhe que lhe buscaria, sem saber onde estava ou quanto precisaria andar para lhe tocar. Buscaria simplesmente, E o seu erro foi acreditar que o que ele dizia era real, e então ele lhe disse que era para sempre.
Aquela menina era só ternura, e era só uma menina grande de olhos castanhos e traços corretos, tinha as mãos frias e o coração cheio de sonhos a alcançar. Tudo aquilo o encantava, até sua maneira de sorrir demasiado, era o seu oposto.
Criou-se uma promessa: não esqueceriam!
Dita inconsequentemente, tão intenso que os seus olhos não queriam render-se ao sono quando por fim deitou-se em sua cama fria.
E pensava nele o tempo todo, nos intervalos do piscar de olhos... Imaginava sua voz e então sorria inocentemente para sua verdade inventada: ele não esqueceria e tampouco ela, e juntos estariam, até mesmo quando a distância os separasse, juntos permaneceriam.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Memorável. Parte I

E a partir daquele simples gesto nasceu sua sábia ternura. Todo o seu conhecimento resumia-se em saber que as estrelas das noites frias eram como o Sol que irradiava luz e calor durante o dia.
Criava suas teorias quando estava sozinha em seu quarto quase vazio, às vezes não dormia para ver o dia amanhecer, somente pelo sentimento de acontecer.
Tocava a si mesma com suas palavras certas e bonitas. E então em um dia qualquer o Sol não estava diante de seu rosto, tentando loucamente aquecer sua pele. E nesses dias ela sorria, o céu era branco e tornava-se cinza um pouco antes das primeiras gotas de água encontrarem o solo ansioso. Olhava o céu e esperava o tempo passar, o vento despenteava seus cabelos quase lisos, e quando por fim tudo acabava abria os olhos aliviada, se levantava e partia em seus pés, os poucos livros nas mãos eram como anéis em seus dedos e confiava cegamente em cada letra ali encontrada.
E neste dia - branco e cinza antes da chuva tocar o solo -, algo lhe encontrou. Um sentimento bem raro, protegido pela loucura de seus desejos tão controlados.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Breathe.

E buscava em si uma pequena compreensão, uma razão. Seus dias vazios e iguais estavam desestruturando seu interior e nada conseguia fazer para ajudar-se. Lembrava-se do último homem, o homem que não vendeu sua alma, causou-lhe algo bom, boas mudanças e tristes resultados. Pensou em dezenas de saídas, fugas. Uma destas era buscar-lhe, procurar-lhe pela última vez, ouvir sua voz como uma despedida fria, um adeus superfícial. E então deixar-lhe para sempre, não mais precisar dos seus olhos, não mais sentir sua falta e enfim lhe esquecer.
Seria como uma última tentativa, lhe atrair mais uma vez, por mera curiosidade, e isso era uma mentira suja, curiosidade era tudo o que não tinha, nunca quis nada somente por saber, quis por precisar, necessitar como o ar e o mar para ver. Loucura seria ter de esperar todo aquele tempo, toda aquela eternidade. Tortura, esperar pelo momento certo, esquecendo-se de que o momento certo é sempre, basta fazê-lo existir. Mas buscou em todo o seu ser um pouco de paz para acalmar o coração e nada encontrou.
Sabia que se ligasse dispararia o coração como numa tentativa de suicídio. Sabia que existiria uma explosão, aquela voz entorpecente, aquele sorriso brincalhão nos lábios certos... Lábios certos que nunca dirão sequer uma palavra, voz esta que nunca será sincera como deveria.
Então tudo está errado, tudo está. Uma última tentativa depois de tanto tempo vazio, uma tentativa de recomeçar, somente por sentir um medo incontrolável de esquecer palavras. Palavras já foram esquecidas, palavras não podem ser gravadas, não todas, não sem exceções. E isso machuca tanto que às vezes me pergunto como posso suportar, dor está estampada em todas as paredes, em todas as cores, para demonstrar-se bonita, para demonstrar-se atraente.
Jamais encontrei uma dor tão bonita e egoísta que me fizesse sonhar como aquela noite de fevereiro, jamais busquei um abrigo tão incerto por tanto tempo. Como a chuva em meu rosto, como o momento acabando logo depois de começar, tudo acaba, fato angustiante, e machuca tanto que chego a chorar, gritar, mas permaneço e respiro, por algum motivo que eu esqueci, mas se um dia ele existiu, por ele vale continuar.

"Breathe for love tomorrow, cause there's no hope for today. Breathe for love tomorrow, cause maybe theres another way"

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Infindável

Ela se dizia complicada, incompreendida, ele dizia que sempre entendeu cada pedaço do seu ser. E o mais difícil é que isso realmente era verdade, ele não mentia, ela não mentia. Eram feitos de matérias opostas, qualidades e defeitos opostos, e se encontravam todas as noites, só para trocar algumas palavras.
Ele a amava por anos, ela por muito tempo sequer pensou nele, ele sabe pois ela não mente. Ele é amante de filosofia e ela não encontra sentido se não nas palavras que lê e escreve. Perdem horas sem razão, muitas vezes olham o céu, sem um assunto específico, sem uma razão que jusfitique os atos.
Ela estava perdida em sua confusão, seu mundo oculto, escondida e encolhida em um canto. Ele sabia exatamente o que queria, o que amava e pelo que lutaria. Ela se sentia culpada e nada fazia, não o expulsava pois sabia que sentiria sua falta, sua ausência seria preenchida por horas vazias e isso não lhe bastava. Ele sorria e vez ou outra chorava, olhava nos olhos e ali estava tudo o que ele já havia lhe dito, ela entendia e nada fazia para mudar.
Por que seria injustiça iludir um ser que faz de tudo para sobreviver, um ser que guardou em seu interior um amor ilimitado, incontrolado. E ela pensava naquilo todos os dias, e não encontrava sequer um vestígio do que falar, perdia-se em seus pensamentos e quando via já não pensava em nada se não no oposto que lhe maltratava.
E disso tudo ele sabia, por que não gostavam de mentiras. Então a sinceridade era tanta que por muitas vezes seu olhar tornava-se incompreendido e esses momentos eram como punhais de ferro em seu rosto pálido. Machucar ele também lhe machucava, mas isso não a impedia de continuar. Às vezes fitava a rua ou o céu enquanto esperava ele chegar, a chave gelada entre os dedos que lutavam para manter o calor e então desistiam e ele chegava. Sempre as mesmas palavras de formas diferentes, sempre o mesmo sentimento ignorado.
É como buscar o paraíso e nunca encontrar, então um dia perde-se tudo e descobre-se que o paraíso não existe, e então a vida se torna tão escura que somente um novo dia poderia fazer-lhe recomeçar.

Here without you

Sua coragem transformou-se em paz, paz de espirito, de sentimento.
Se for possível estar em paz e amar ao mesmo tempo, amou pacificamente, tanto que não pode explicar. Amou tanto que se perdeu, é sempre assim, o amor nos preenche de uma coisa tão bonita e em um dia qualquer resolve nos deixar, esvazia o peito, partindo o coração em dois, criando entre a vida e nós uma ponte negra.
E é assim que nos perdemos. Entre palavras e promessas, sorrisos e olhares, beijos e saudades. Então não nos encontramos, buscamos uma felicidade que não existe, pois só é possível ser feliz ao lado de quem se ama. Desde aquele dia, esquecida, sozinha, chorou. Como em um sonho que é tão real que chega a acordar gritando, implorando por fugir, implorando por um abraço, um pequeno sinal. E a partir de um pequeno sinal, tudo recomeçar. Um olhar tímido e um "oi" quietinho ali, um rosto rubro e quente fitando um rosto pálido e frio, os opostos que se atraem.
E então dorme-se e acorda-se pensando no rosto do outro, imaginando momentos inexistentes, planejando um futuro irreal. Então busca-se uma coragem que antes tornou-se paz, e nada encontra. Então o impossível hoje é amar, pois depois do primeiro olhar, de noites de insônia e dois rostos opostos que se atraem... Depois disso o que resta é tão pequeno e tão oculto que são os poucos os que escolhem tentar.
Tentar resistir, vencer e até amar. Amar é difícil, ato impensado, inconsequente. Mas que faz uma falta enorme, verbo que quando não é conjugado é substituido por uma solidão enorme, um vazio surdo. Amor nem sempre é real e morre tantas e tantas vezes, e tão mas tão brutalmente que renasce das cinzas todas as vezes, mostrando-se forte, indestrutível.
Esse é o amor real. Esse que permanece, mesmo quando está no seu ponto mais triste está forte dentro de nós. Amor esse que em nenhum momento pode ser esquecido, amor que enfraquece e engrandece quem o sente, amor descontrolado, sem limites ou exceções ou explicações, amor que só existe. E que só, existe.

"A hundred days have made me older since the last time that I saw your pretty face. A thousand lies have made me colder and I don't think I can look at this the same. But all the miles that separate.. They disappear now when I'm dreaming of your face."