domingo, 28 de março de 2010

Slipped away.

Você já amou alguém que nunca tocou?
Pensou em encontrar essa pessoa numa destas avenidas desertas? Seria como ver a Lua depois de noites opacas, e quando os olhares se chocassem ele abaixaria a cabeça a cabeça como quem pede desculpas, e você diria que "tudo bem, tudo certo, eu aguento".
Ainda acredito que o telefone ira tocar e que ao atender ficarei sem voz, as mãos tremendo descontroladamente e lágrimas escorrendo pelo rosto cansado. Tudo tão intenso... Era o que você mais gostava, minha intensidade em sentir, gostava dos meus sorrisos exagerados e gostava de como às vezes eu ficava séria e imóvel. Mas então essa intensidade te assustou, pois eu comecei a gostar muito mais, você hesitou e não mais me acompanhou em meus passos lentos, deixou-se parar no meio da estrada e quando eu quis lhe esperar você dizia que não, "logo passa...", e passou pra você.
Se eu olhar pra trás descobrirei que você já não está ao alcance dos meus olhos e tão menos ao alcance das minhas mãos, me impossibilitando de ajudá-lo, de lhe falar que eu estou aqui, oculta, mas estou, e você sabe... Sabe que eu não sairia assim tão rápido, que me esconderia em algum aposento vazio e frio, suportando todas as dores para lhe esperar, mesmo se você não vier.
E isso ainda me destruirá, eu sei. Quando os teus olhos fugirem dos meus, por medo do que os meus têm a dizer, a loucura transbordará teus sonhos e você voltará pro teu caminho, tua história, num silêncio calmo e perturbador minha alma gritará por lhe ver partir outra vez, lhe sentir distante, gritará de dor, de amor, de todo e qualquer sentimento que já me provocaste.
Gritará de saudade, implorando um pouco de compreensão, se soubesse que calo milhares de gritos todas as noites, se soubesse o quanto busco ocupar a mente para não pensar em você, se soubesse metade do que eu sinto, se imaginasse metade do que eu tenho, jamais me deixaria correr, me acolheria num abraço forte, temeria me perder. Se lembrasse da minha voz como eu lembro da tua... Se pensasse nisso um pouco talvez voltaria, ligaria ou mandaria uma carta, implorando ou somente desculpando-se. Tudo bem, eu aguento.

The day you slipped away was the day I found it won't be the same. I didn't get around to kiss you, goodbye on the hand,  I wish that I could see you again, I know that I can't, I hope you can hear me, cause I remember it clearly. The day you slipped away was the day I found it won't be the same.

quinta-feira, 25 de março de 2010

The end.

Talvez eu chegue numa tarde chuvosa e te encontre cansado de tanto hesitar. Posso partir ao seu encontro agora e posso também deixar a vida nos guiar, aproximar. Sabe... Eu não imagino que você me espere, pelo contrário, sei que não pensa mais em mim, sei que esqueceu, que tudo aquilo morreu. Às vezes tento acreditar que nosso destino está traçado, entrelaçado, mas admito que dói pensar. Admito que me vejo correndo com todas as palavras nas mãos, buscando o seu abraço frio e inexistente.
"What if I wanted to fight? Beg for the rest of my life, what would you do?"
Sinto falta de você, dos pequenos-grandes momentos por ti proporcionados. Sinto falta da tua voz roca e por vezes imagino tocá-la. Inútil, indolor. Desde aquele dia meu coração não disparou, nada aconteceu. Perdi a noção do tempo quando me deixou, esqueci dos dias e noites, outono ou primavera. A vida se tornou demais pra mim.
"Companhia" acabou, tornou-se pó
Lembro que já sabiamos que o fim estava próximo, lembro de quando as palavras cessaram e buscavamos algo a se falar, tudo em vão. Pra mim isso foi como um sonho do qual já acordei, não existe volta ou recomeçar ao seu lado, já que a distância não separa dois corações que batem no mesmo ritmo. E os nossos corações bateram em um único som, por um dia ou um minuto qualquer, mas agora a música que eu ainda sinto você já cansou.

terça-feira, 23 de março de 2010

Da vida à vida, suspensas fugas

Seus olhos brilhantes nos meus olhos apagados, como o céu e a solidão. Crio imagens num papel descolorido para aproximar o encontro distante que descobri. E agora descubro o adeus definitivo e a falta que vou sentir, de cada pedaço teu, cada risada doce e baixa, disfarçada, por que você se fez tão bonito?
Uma alma linda, pura. Cheia de cor e tempestade. Uma alma viva, apaixonada... Alma que escondeu o que mais lhe importa. Alma que foge, teme, e que mesmo assim não perde sua beleza cristalina. Essa alma que treme e grita e implora, mas que não me permite ajudá-la. Alma que eu vi correr para todas as direções, deixando o amor, buscando o chão. Cansou de esperar. Alma que quis desistir e continuou, talvez por querer e amar demais e ser uma contradição, por sentir e lutar. Lembra da paz que buscou e que lhe ofeceri? Lembra do beijo que ganhou, abraço que tocou, pele que aqueceu? Lembra dos olhos que amou? Lembra da necessidade que sentiu, da liberdade que encontrou?
E depois tudo acabou e partiu, deixando-me com aquele meio-sorriso de quem acredita não ser real.
Lembra e tenta esquecer, eu sei, pois dói tanto que chega a quase enlouquecer. Sei que você quis calar a voz, a dor. Sentiu falta da alma que falou de amor e nada sentiu, e que agora tudo sente e nada ama, nada entende, nada tem. Da alma que acalmou o mar a tua volta, que deu tudo o que lhe fazia falta, alma que calou a tempestade pois o silêncio era para ti necessário. Alma que quis e alcançou tudo o que perdeu e conquistou, agora se deixa cair. Alma que tentou mentir, explicar ao mundo que tudo estava bem, demonstrar aos olhos que o que sentia era só ilusão, e logo passaria. Mas não passou, não passa. E isso talvez seja a única coisa que lhe aquece, e talvez seja tudo o que não esquece.

sexta-feira, 19 de março de 2010

"Que encontre a paz no meio da escuridão..."

Por pensar em você todas as palavras fogem, uma encruzilhada armada pelo próprio ser. Como pode uma alma deixar algo destruir o ponto vital do corpo que habita? Corpo que limita, impede de voar. Por toda essa falta que me assombra por dentro, não sei por que insisto em querer o impossível. Acreditar que ao virar o corpo o seu estará ali me esperando, e não está.
O invisível se torna tocável, cada pedaço do mundo tenta se ajustar, bloqueia o reversível, os minutos deixam de passar, se quando eu fechar os olhos de noite meu grito pedir ajuda posso até fugir correndo, mas sei que nenhum abraço me acolherá. Ninguém me espera, saio de braços abertos pela chuva gélida e olhos fechados na tarde ensolarada. Se essa abstinência permanecer, logo roubo meu destino, compro minha paz.
Eu já busquei demais, agora quero a ternura e loucura de um beijo. De olhos fechados ninguém me verá chorar. Tempestade invade por dentro, comprime o coração atento, e depois do quase-fim, um recomeço. Resolvi parar, sorrir, descansar. Chorar se necessário, e falar algo que alivie a alma. Que alivie a alma dessa tortura interminável, que faça o coração bater livremente, sem nenhum peso, nenhuma dor. Resolvi parar de querer, buscar, encontrar, tocar... Sentir o vital. Resolvi ser forte e deixar tudo pra trás, uma grande parte de mim esquecida em alguma avenida vazia e silenciosa. Eu não quis cair, mas quando vi já estava assim e as estrelas pareciam muito distantes. Que seja feito pelo amor e não pela razão, que encontre a paz no meio da escuridão. Que guarde espaço para a saudade, para a eternidade do que acabou. Que a chuva pare, que o céu permaneça. Que o silêncio seja respeitado, inviolável.
Cada necessidade é como a sede não saciada e tudo isso me faz crer que mesmo depois de muito tentar o que eu tenho não é o que eu quero. E o que eu quero não existe, não permite, não resiste. O que eu quero não merece, não esquece, não engrandece e não aquece, mas é capaz de coisas que eu jamais citarei.
E sem sentido ou explicações, permaneço, e assim será.


"Mas é claro que o Sol vai voltar amanhã..."

domingo, 14 de março de 2010

Inverno.

"Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos, então a gente estende a mão e se descobre louco."

Cem mil rosas de ferro espalhadas no chão ao meu redor, a eternidade de uma cor sem vida. Talvez fosse um sinal de que a guerra acabara, talvez veria o meu guerreiro voltar com palavras doces nos lábios, talvez pedisse desculpas e justificasse sua ausência, talvez até mesmo admitisse que voltou somente por já não aguentar ficar longe de mim.
Antes de começar a imaginar os sussurros que formariam sua voz baixa encontrei meu silêncio reservado quebrado pela sua chegada e quis gritar. Seu olhar, antes brilhante, agora carregava um tom entristecido que me fez estremecer por dentro e senti medo. "O que fizeram com você?"
Seu corpo imóvel em minha frente, os olhos frios parados em meu rosto confuso. Temi que tudo houvesse acabado, tudo aquilo que não começou. Temi pelo inverno que retornara, temi pelos pedaços de minh'alma espalhados pelas ruas. E então ele sorriu. E então meu mundo girou.
Quis correr para os seus braços, quis me sentir protegida pelo seu amor, mesmo que um amor desapegado, era tudo o que eu precisava. E se ele destruisse meu mundo mais uma vez eu não reclamaria, daria a vida por um momento sem hesitar. Quis chorar ali, em sua frente, quis lhe dizer que eu lhe aceitava de volta. Busquei uma resposta na eterna distância que nos separava e quis quebrá-la, talvez diria que lhe perdoava... "Não importa, amor, eu lhe amo tanto que amanhã não lembrarei da dor que me causou."
Então ele estendeu a mão como se implorasse pelo toque da minha e então falou das cartas que não foram enviadas, falou que seu coração fora congelado no momento em que partiu me deixando pra trás, gritando, chorando e implorando pelo amor fosco. Falou da guerra que enfrentou, do mundo que atravessou e dos batimentos que não conseguia sentir. Falou do inverno infinito que viveu longe dos meus braços e falou que sua vida já não continuaria sem a minha, que era loucura longe permanecer.
E nossas mãos se tocaram, nossos olhos se encontraram e nada mais foi dito, habitou somente o silêncio entorpecido enquanto as cores espalharam-se ao nosso redor, tingindo de vermelho escarlate cada flor e devastando o mundo com toda a força do nosso amor.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Memorável.

Um absurdo insondável essa tua dor. Proibindo-se de viver além da realidade, proibindo-se de sonhar além do possível. Querendo e não querendo algo que já tem. Esquece desse passado sombrio, deixa de lado um pouco essas lembranças doces, tão doces que te machucam por dentro e você não admite. Eu sinto isso, sabe?
Sinto tantas coisas, se você soubesse... Viria correndo, me abraçaria, cantaria baixinho no meu ouvido todas as noites. Não me deixaria só jamais, nem deixaria que a solidão invadisse nossos corações, pois tudo o que faz é controlado. Mas por um segundo perderia o controle, enquanto me olhasse nos olhos, esqueceria do resto, disto sei. Pois não existe no mundo alguém tão resistente.
E depois sentiria saudades, ligaria só pra ouvir minha voz rouca, perderia noites e noites olhando o céu escuro-brilhante, contando estrelas cadentes e sentiria uma agonia tão grande no peito que chegaria a imaginar que deixou uma grande parte de sí para trás. Gritaria em silêncio, rompendo a calmaria de suas palavras, encontrando-se desesperado, sem acreditar que seus pensamentos lhe traiam, cercando-o com lembranças dolorosas, golpeando-o com a simples necessidade.
Necessidade esta que foi julgada injustamente, levando-o a perceber que nem tudo é amargo e que o sentimento mais nobre é totalmente irracional.
Acordei em uma manhã fria qualquer, entre a agonia e o medo de esquecer. Um pequeno sentimento de uma intensidade sem fim, perfurando o peito, roubando a paz, criando entre o tudo e o nada uma ponte invisível capaz de destruir qualquer ser. Acordei perdida e por dias não fui capaz de me encontrar, estive entorpecida por uma loucura que não é minha, nunca foi, nunca será.
Acreditei ter sentido uma pesada desesperança, um incontrolável medo. Perdida entre o tudo e o nada do sentimento, contando estrelas em uma noite nublada, lembrando e querendo o impossível que já não é tão brutal. Ressurgindo das cinzas, com algumas notáveis mudanças, talvez olhos mais brilhantes e talvez algo que nunca me abandonará.
E mais uma vez, talvez a última, começo falando em você e termino assim, sem rumo. Mas como já disse, não precisa ser racional, só precisa ser.

terça-feira, 9 de março de 2010

Carta ao último dos dias

Oculto-lhe, pela sua falta e meu alento. Codinome amor, talvez queira saber o motivo de tal palavra me lembrar você, pois sabes muito bem que não lhe amo. Essa dor de qual eu falo é necessidade, e só escolhi isso por que é improvável, irreal. E também por fazer pensar em você, faz lembrar que não lhe sinto, não lhe tenho. É minha pequena dose de realidade, é o máximo que suporto. Manipulo o tempo contra minhas verdades, crio dias rápidos e noites longas, talvez só pra lhe sentir mais perto de mim... Essa é a dose de irrealidade que eu suporto.
Qualquer anestesia tornar-se-ia vício. Qualquer droga ou abraço substituto, quaisquer olhos e vozes. Pois logo o efeito passa, a dor volta, contrai-se no peito já ferido. Na imensidão lhe busco, sem saber onde procurar e se um dia irei encontrar, mas busco, busco pois isso é tudo o que me resta. E se lhe encontro posso até imaginar os minutos incompletos paralizando-se, você pairando os olhos sobre o infinito desconhecido, os pensamentos perdidos no horizonte irregular... Posso imaginar cada detalhe, tornando perfeito cada segundo.
Temo pelos meus dias desperdiçados, essa busca descontrolada, seu sorriso próximo à minha pele clara, olhos fugitivos de olhares, sensações criam-se e dissipam-se, cores que antes ou depois daquele instante são impossíveis e inexplicáveis. Sabores completos e temporários.
Sussurros de uma voz desapegada e ensaiada distorcem minha breve memória, choro em silêncio, sem uma única lágrima. Sempre sinto o Sol invandindo meus olhos, cegando meus pensamentos, calando as vozes que gritam, por um minuto. Então eu desperto e peço que o equilíbrio (ou você) me encontre. Pois eu simplesmente cansei e não consigo parar.

domingo, 7 de março de 2010

Teto para desabar

Lágrimas secas nascem e morrem sem existir. Vejo cada parte de mim extinguir-se lentamente, serenamente sorrio perante a dor, então queima-me por dentro, destruindo o pouco que restou. Seu fosco brilho me fortalece cada vez mais. Por ti faço tudo e nada lhe entrego, nada pois nada aceitas... Então me pergunto por que, não tem jeito, esse sentimento explode no peito! Qualquer sorriso incomoda, se acomoda por dentro, preenche cada pensamento e deixa a alma ardendo. Que se exploda. Qualquer dia é dia de querer, querer de volta o que já acabou sem antes começar. Fingir que suporto tudo, sem pensar e temendo esquecer. Acordar por acordar, sorrir ao lembrar. Estranho... Logo eu que nunca me contentava com tudo, agora imploro por pouco. Sonho, acordo tremendo, choro. E agora tenho verdades inventadas, lembranças criadas pelo meu inconsciente, como vingança. Meu coração apertado no peito grita, implora, suplica... Por um abrigo, um abraço, um beijo. Porque agora eu tenho uma lembrança brilhante, colorida, cheia de Sol, perfumes, gostos... Fecho os olhos pra reencontrar, viver a eternidade daquele instante. Encontro a escuridão de minhas pálpebras, lágrimas - que já não são secas - escorrem pelo meu rosto cansado. Cansado desses sonhos que perturbam minha realidade. Cansado desse "nada" que vivo e espero. E isso dói muito mais do que não sentir nada. Não sei como consigo.
Hoje queria a chuva, poderia fazer uma lista de sensações que me fariam felizes por um tempo determinado. Poderia prever a dor sentida depois do fim. Hoje adoraria um abraço, daqueles fortes, grandes, protetores... Exatamente como a destruição causada pelo meu sonho, só pra piorar tudo, depender pela vida, depender pela falta de amor. Amor próprio, amor próximo. Sei que tudo isso passa e não me preocupo, só gostaria de saber o que permanecerá. Pois existem coisas que não acabam...
Como o a escuridão da noite, sem fim. Podemos ver estrelas e a Lua, e um dia elas podem não brilhar. Mas a escuridão está sempre ali. E assim sou, posso mudar, me reinventar, até mesmo brilhar, mas ainda continuarei sendo o que sou, e a escuridão ainda estará comigo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A (in)certeza do acaso

Saboreio o silêncio com discretas palavras soltas em pensamentos, reagindo à incontestável vontade de lhe olhar, quebrando os muros que nos separam, desrespeitando as regras que nos mantém distantes. Minha necessidade tornou-se graça, ternura. Com uma pureza que enche o peito de calma e de paz a alma. Uma paz que muito foi procurada e recentemente conquistada. Isso não significa que ela permanecerá aqui, jamais o pedi ou pedirei, pois sei que em algum lugar um coração vazio busca um motivo para existir e isso eu já aprendi a superar.
De qualquer e toda forma, volto à minha inconstante leveza, meu sentimento doce e puro que se espalha por todo meu interior. E sem temer a consequência que virá, ouço as palavras que me fazem bem até mesmo depois de serem ditas e esquecidas por quem às citou. Mas eu lembro, pois nunca esqueço.Carrego cada pequeno detalhe comigo e isso às vezes se torna impossível de suportar.
Sempre busco na loucura que me amortece a razão pra continuar, não que isso mude algo, talvez nem seria bom saber, razão não é tão importante. Então quero coisas tão sem sentido que já não surpreendo, só identifico cada momento.
Por vezes sinto que o céu está caindo, abafando meus gritos mudos, impedindo a dádiva que é respirar. Por vezes sinto que caio, me perco do mundo e quando me sinto incapaz, choro. Se meus olhos se fecharem agora deixarei tudo sem fim, na eternidade, uma história incompleta. Deixarei a vida por minutos, talvez horas, anos e talvez jamais volte... Aceito tudo de bom grado. E às vezes me machuco por aceitar tudo, enfrentar todos e destruir tudo o que já criei. Porque algum dia ou outro eu consigo... Então choro.
Choro quando a dor é forte e quando não sinto nada. Exalo a nobreza de um sentimento talvez real, a simplicidade de um momento e a doçura do amargo sofrimento. Quando caio, olho o céu e vejo incontáveis estrelas, toco cada pedacinho da escuridão brilhante com meus dedos e reencontro a vida, no chão frio, abaixo do impossível, viva.
Então me impulsiono, me jogo. Mergulho na escuridão. Escuridão que me assombra e que me acompanha. Solto as palavras antes discretas, quebro o silêncio e lanço a paz à alguém que necessita de amor pra viver. Domino minha força, meus olhos e me torno inquebrável pela eternidade temporária. Tento entender o por que de todos esses dias, e nada encontro.
Sei somente que a nossa proximidade nos faz distantes, talvez por medo ou incerteza. Porém, quero que o roteiro vire pó. Quero que o mundo exploda se um dia eu fechar os olhos e dizer que lhe esqueci.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Deixo.

Lembro sempre do início, doce como vinho, inabalável atenção, carinho. Lembro calmamente, fingindo não ssentir cada pequena mudança. Encontrei a razão em não ter completamente, não receber. E encontrei da pior forma, com a dor congestionada no peito ultrapassando os limites, como uma estrada sem fim. Chego a dúvidar que suporto, e desisto sem desistir.
Percebi que é estranho, cada minuto, sem explicação.
Estranho é lembrar de algo que nunca soubemos, estranho é sentir falta de algo que nunca tivemos. Pior do que sentir saudades é não sentir nada, ser anestesiada por uma loucura, ouvir uma risada insana que não pertence à mim. Ter os dias pintados de luz, querer a vida cinza de quem vive e só espera. Só espera. Loucura.
Loucura é esperar por algo que nunca virá, não chegará. Loucura é querer uma realidade impossível. Impossível é querer. Felicidade é ter em quem pensar, saber que esse alguém pensa em você. Sorriso é aquele sem motivo, seu motivo é existir. E existir não é motivo.
Verdade é aquela que machuca por dentro, como o amor não correspondido. Amor não correspondido é desamor, desamor é recomeçar. Desamor é perder a vontade de viver e continuar vivo. Desamor é sentir o coração batendo no peito e querer não senti-lo. Anestesia, amortecimento. Anestesia é o silêncio de uma gritaria, tudo tão alto e tão quieto que cala o pensamento. Sentir é loucura, total insanidade.
Não existe, porque acabou ou porque nunca existiu, porque limitou-se, controlou-se. E isso não tem controle. Mas agora não importa, justamente porque acho que não existe. Porque acabou ou porque nunca existiu, e isso não importa. , deixo.
Não tenho mais nada à dizer. Tiro meu corpo, fecho os olhos, descanso. Eu já fiz demais. E o pior é que isso machuca muito, de uma forma que eu já citei, e já citei cada pequeno detalhe de dor, porém, sempre tenho algo a dizer. E detesto cada sensação, porque sei que o coração dispara, insisto, incansável que sou. E então você me abraça, eu penso na sua boca, você pensa na minha e nós nos afastamos sem tocar um no outro, digo "obrigado" e você diz "se cuida!".
Me cuido... Não sei até quando e nem por quê, mas faço.