domingo, 24 de janeiro de 2010

Espécie-sonhadora

Milhares de imagens invadem meus olhos, o vento despenteia meu cabelo enquanto eu sinto as primeiras gotas de chuva. "Que saudade", penso. Eu acreditei em um sonho que me confortou em seus braços quando eu senti frio, eu acreditei em um sonho que se concretizou no brilho de um olhar, que encontrou meu olhar, que o meu olhar encontrou. Eu acreditei que o mundo poderia ser melhor e descobri que o que mais machuca um escritor é criar um mundo mágico e ser incapaz de viver nele. Para descobrir isso sonhei ser escritora, grandes sonhos... E por acreditar nisso aprendi que a espécie-sonhadora pode ser chamada também de escritora. É inexplicavel pra ciência, é uma espécie que só pode ser reconhecida por ela mesma, a partir das palavras. É incrível.
Palavras que criam vidas, criam sonhos, curam amores e dores. Palavras que criam-se do nada. Vêm a mente como pequenas estrelas cadentes, nascendo em uma paisagem, no céu de uma noite enluarada ou no leve barulho da chuva batendo no telhado. Palavras que envolvem o pensamento como uma brisa doce, que fazem lágrimas escorrerem no rosto de quem às pronuncia e de quem às lê. Palavras que dão emoção à vida, que surgem de um sorriso, de um suspiro, de um momento qualquer.
Palavras ditas e escritas a partir de sonhos da espécie-sonhadora, em noites estreladas quando só quem às sente é capaz de manter os olhos abertos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma Lua que perdeu seu planeta

Eu estou sendo acalmada pelo sussurro da sua voz, pela sua respiração no meu pescoço. Por que eu posso sentir, mesmo que não esteja perto o suficiente pra lhe tocar lhe sinto comigo, você havia dito... "Nunca vou lhe deixar!" Fui tola em acreditar, esqueci de que o pra sempre acaba. Talvez eu soubesse que iria sofrer, mas não quis pensar nisso, pensar no futuro que hoje é o presente. E hoje estou aqui, tentando reviver uma felicidade que se dissipou no momento em que você partiu. Agora eu quero levantar meus olhos e ver o Sol, sei que você não irá voltar, ainda consigo ter esperanças de um dia acordar e estar ao seu lado. Mas simplesmente desisti de você, desisti do seu sorriso alegre e dos seus olhos brilhantes. Desisti da dor de pensar em ti, mesmo que seja impossivel tirar você de minha mente. Minha alma grita seu nome, temo que isso nunca passará, talvez a imagem do teu rosto nunca se dissolva, talvez seu perfume não abandone minha pele, talvez as lágrimas não sequem.
Quando o céu lembrar seus olhos e a saudade golpear meu peito estarei completamente fora de foco, como uma Lua que perdeu seu planeta.
Espero que um dia você volte para os meus braços, espero encontrar outra vez seus lábios. Espero ver seu sorriso numa manhã qualquer. Espero que essa esperança nunca acabe, pois tenho medo de perder meus sonhos, espero que um dia eu te encontre entre uma vida e outra. Pois você se foi e sei que não irá voltar. Espero que se sinta feliz, que não me veja chorar. Mas sei que vê, e não posso suportar que me veja sofrendo quando tudo o que eu queria era brincar com suas lembranças doces. Quando o que eu mais quero é esquecer o sofrimento e me agarrar de uma vez à uma única idéia: Desistir de sofrer, não esquecer de tentar e acima de tudo, ser feliz!

domingo, 17 de janeiro de 2010

A escritora

Como uma lua que deseja luz própria vago pelas noites escuras, sem um sonho que me faça sorrir, sem um sorriso que me faça tentar... Congelando momentos de um céu nublado, lembrando de tantas coisas que já passaram. Medindo o amor, esquecendo que o amor verdadeiro não tem limite. Criando vidas e matando esperanças. Guiando um caminho repleto de flores que não podem ser vistas, porque os olhos não são dignos, porque o medo impede, ou porque a felicidade foi esquecida jogada dentro de um baú qualquer, que não tem mais importância, que não merece nenhuma atenção.
Difícil é viver uma vida pensando em outra, mas por sorte a vida flui como um rio, não precisa de ajuda. Simplesmente aparece, nascendo do nada. Assim como os sonhos, a vida é um sonho! Difícil é pensar numa saída quando a chuva cai lá fora, impedindo a visão pela janela. Tudo o que eu vejo é um borrão de luz pequeno, alguma lâmpada esquecida assim como a única menina que não consegue dormir.
O que ela pensa? Do que ela precisa?
De um sono sem pesadelos, assim como as histórias dos contos de fadas? Mas e quando a própria menina faz contos cheios de dor, angústia e sofrimento? É por isso que a menina não dorme? Porque sente remorso por criar uma vida incapacitada de ser feliz? Ou por tirar de alguém o direito de sonhar e fazer escolhas?
Tantas perguntas sem respostas... Derrepente ela fechou os olhos e adormeceu, esquecendo por algumas horas da destruição que causou.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Quebra-Mar

Acordei com os olhos pesados levantados em direção a janela que mostrava uma cidade adormecida, quase em silêncio, quase em paz, olhei meu quarto deserto exceto pelos poucos livros, sonhos e lembranças que permaneceram comigo. Por alguns segundos tentei sorrir, dizer um 'bom dia' ao mundo, mas todas as minhas forças haviam se esgotado. A cama vazia provava isso constantemente, durante todas as noites que eu passava acordada, o meu amor eterno havia acabado em semanas, eu nunca pude imaginar que algo tão bonito chegaria ao fim sem mais nem menos.
Reuni toda minha coragem e parti em direção ao mar, ouvindo as ondas enquanto a cidade dormia, não parecia tão ruim carregar toda essa solidão comigo. Logo me tornei uma pessoa forte cheia de mistérios e vázios. Vazios que eu preenchi com lembranças e planos e sonhos mortos.
Sentei na areia fria e procurei vida em algum lugar do horizonte, procurei por algum sinal dos primeiros raios de Sol e logo vi que faltava pouco tempo. "Não importa o quão longa e fria seja a noite, o Sol sempre retorna"
Ao longe o vi nascendo, com lágrimas nos olhos o recebi e encontrei ali o alento que procurei, mais um amanhecer, talvez o dia em que eu secarei meus olhos e levantarei meu rosto para o céu, talvez o dia em que o vento irá me guiar até a felicidade que tanto quero. Talvez apenas mais um dia frio de lembranças que fazem sorrir e chorar - ao mesmo tempo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Como num dialogo de amor

Como num dialogo de amor tenho meus olhos encontrando as palavras em algum livro. Talvez hoje seja o último dia, talvez seja o início da eternidade. Quanto mais o tempo passa mais tenho dúvidas sobre o que acontece, o mundo parece frio e calculista, a irrealidade é tão aconchegante quanto um cobertor numa noite chuvosa.
Às vezes penso em escrever uma história mágica que não acabe nunca, que viaje pelas nuvens como os pássaros, que seja guiada pelo vento do outono, que entre as flores da primavera possa ter um final feliz. Lembro-me do lugar onde antes vivi. Existiam pessoas que me faziam sorrir, existiam perfumes que não desapareciam depois de algumas horas. Lembro-me do céu azul que antes eu via, dos sonhos que ali eu escrevi, das estrelas que contei. Lembro-me das noites em que chorava, me escondia no cobertor aquecido pelo meu corpo e pensava que não poderia suportar tanta dor.
Incrível como o ser humano é forte, não que eu seja um... Acredito que sou uma espécie entre uma estrela e uma flor, não por causa do brilho nem por causa da beleza, mas pela esperança que trazem consigo. Sou como um sonho e não sei se gostaria de acordar. O mundo que eu faço é bem mais doce e acolhedor, como um livro que emociona a ponto de fazer chorar.