quarta-feira, 26 de maio de 2010

Veronika. Parte IV

 Talvez sim, basta querer e seria. Mas não quer, nunca quis. Denominou-se deusa da vida, e agora, que a morte lhe envolvia, o que iria ser? Nada. Seria ninguém, anônima, oculta. Esquecida, deixada nas lembranças passadas. Seria o fim, pois acabou.
 E como nunca havia falando com ninguém, ninguém iria chorar. Sua cova seria pequena, sem cor, pois nenhuma flor ganharia por amor, talvez admiração. Uma admiração sem sentido, pois sua voz nunca ninguém ouviu, nem no silêncio da noite mais quieta suas cordas vocais puseram-se a cantar, dizer palavra que fosse, única letra ou som. Nada. Ela não existia.
 Talvez houvesse gravado milhares de discos, músicas infinitas. Deixando-as no interior do seu baú de madeira, esquecidas e escondidas, na esperança de que fossem o seu segredo eterno. Mas qual seria a graça em ter um segredo, quando seu próprio nome jamais fora mencionado.
 As pessoas imaginavam nomes bonitas. Maria, Camila, Soraya, Sofia. E nada lhe servia, nada se encaixava em tamanha sabedoria calada. E então desistiam, desistiam por que era mais fácil, mais simples. Não se atreveriam a perguntar-lhe o nome ou oferecer-lhe um abraço. Ela jamais aceitaria.
 Mal sabiam que agora, daria-lhes a vida em troca de um abraço. E agora nem a vida ela tinha, quanta ilusão, pensar que um dia tivera o mundo aos seus pés, agora era cercada pela eternidade branca, pacifica como o ar preso dentro de uma caixa. Imóvel. Encolhida no canto do quarto vazio. Abraçando seu próprio corpo. Procurando o calor que não tinha para receber ou merecer.
 Simplesmente estava sumindo, aos poucos. Seus olhos coloridos já não brilhavam, seus sorrisos distintos já não existiam. Era somente sua boca parada, calada, muda. E ela era somente um corpo desbotado, magro, pequeno e desajeitado. Como poderia, um dia, alguém lhe olhar com olhos tão desejosos.
 Se as pessoas lhe encarassem nos olhos leriam todos seus pensamentos, e assim, saberiam que em algum momento ali existiu vida. Mas não mais existia, havia acabado, finalizou-se sem um adeus, despediu-se sem nenhuma palavra, nenhum toque ou demonstração de uma saudade que não teve por que existir.

11 comentários:

  1. as vezes a saudade é ruim.
    outras nem também.
    também mataria por um abraço agora.
    beijos
    xxx

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  2. nossa, você escreve super bem. adorei a coerência, o encaixe de ideias e tudo mais. texto maravilhoso.

    um beijo =)

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  3. Saudade é bom para tirarmos a prova de quem relamente é importante em nossas vidas !

    bj, bj

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  4. talvez de fato ela nunca existiu, nunca sentiu nada, nunca viveu :\

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  5. Saudade é bom, quando nao sentida (y)

    Beijos, Escritora.

    quiero que sepas que nunca voy abandonarte (...)

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  6. Saudades é muito, muito ruim ): Eu não gosto, nem vou gostar nunca! KKKKKKKKKK

    Linda a continuação *-* Estou amando.
    xx

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  7. Li todas as partes do conto e adorei teu estilo. Comentei no trecho abaixo pensando que era o último.

    Tô seguindo. :D

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  8. Ela tem que tentar entender a sutil diferença entre se proteger, se defender e se esconder.

    BeijooO'

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  9. Veronika diria:

    "Escolhi a noite
    Entreguei meu coração
    Como príncipe das trevas
    Ando em solidão
    O pálido da lua
    À luz das estrelas
    Sacrificio do amor
    Que sangra o peito
    Que derrama em dor
    Que queima sem jeito
    O pensamento cru
    À luz da escuridão".

    Espero que goste das palavras que pus na boca de Veronika.

    Bjussssssssssssssssss.

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  10. sensacional essa veronica
    diferenciada.
    de atitude e com vontade de mudar nela mesma e nos outros.

    e claro seu talento de levar uma história mto bm.

    o/

    queremos mais *-*

    vou ficando por aqui.
    ótima quinta
    e o blasil já está na áfiguica...
    a..blasil gumo ao héguissa..
    góbinho...
    nilmag...
    luis fabguianu...
    aaah blasil vamu
    abraçooo
    e desculpe os erros..é que eu tenho teclado pleso

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