sexta-feira, 9 de abril de 2010

Memorável. Parte IV

E seu coração descompassado não encontrou o sentido na vida sem a respiração do oposto. Um dia quis seus olhos e no outro quis ser feliz. E de saudade e loucura viveu.
Sua exatidão só existia enquanto sentia aqueles braços quente protegendo-a, baixara a guarda, soltara as armas, rendera-se para esse amor. Pequeno amor... Porque grande não admitia, queria tanto sua liberdade que negava aquilo, mesmo tendo certeza de que seu sentimento era imenso, um perfeito preenchimento no peito, fazendo bater o coração.
Queria em suas noites gritas, gritar que voltasse, que não a deixasse... Sozinha... Pra trás... Implorava que com ela ficasse, pois temia que sem ele o mundo deixasse de existir. Temia tanto que às vezes sequer lembrava-se do que buscara no início, mas então, o que era? Era o céu de brilho preso, calmo, mudando de cores conforme o dia passava? Era a sanidade de seus olhos profundos ou a certeza existente em suas palavras?
E então descobria que nada restara, perdera-se diante de sua confusão, aquecendo o tempo que insistia em passar. Teve tão pouco tempo que não quis acordar. Encontra-se procurando...
Uma razão para continuar, uma força maior.
Um recomeçar, um suspiro e um adeus.
Nada encontrou.
Sua postura frágil tornou-se forte, indestrutível, seu rosto magro tornou-se duro, indefinido. E assim deixou-se viver. Sem aquele sorriso de tempestade ou vento, só o exato olhar convicto.
E sua ternura, para onde fora?

15 comentários:

  1. Você usa tão bem as palavras, que toca mesmo nosso coração...


    Lindos seus textos....

    Está aperfeiçoando-os á cada dia...


    Beijim :*

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  2. Parece que tanto mais a gente procura entender e encontrar as coisas, mais elas correm da gente.
    Acho que a saída é vivendo e conhecendo as coisas aos poucos, quase que sem intenção.

    Pensei que o conto acabava na parte três, rs.
    Tem mais?
    Beijo.

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  3. eu nunca procurei exatidão nos braços de alguém..
    acho que a única coisa propria que nós temos são nossas exatidões...
    se n buscarmos em nós...
    nós podemos juntar exatidões de lá e de cá numa conta de mais, mas acha-las mais fortes ou mais protegidas por causa de outro jamsi..
    talvez eu seja uma durona convencional..

    ^^

    beijo

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  4. eu sempre procuro refúgio nas pessoas, na maioria das vezes me ferro :\ o jeito é achar alguma razão pra seguir, e viver
    beeijos, adorei *-*

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  5. "Implorava que com ela ficasse, pois temia que sem ele o mundo deixasse de existir"
    Mas o mundo continua a existir, não é? E se ele desaparece a cada decepção, o que seria de nós?

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  6. obrigada pelas tuas palavras :)
    é muito mau quando nos sentimos assim, mas espero que um dia passe.
    também escreves muito bem :D

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  7. Texto lindo e muito bem escrito. Seu blog é uma graça :)
    beijos

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  8. Olha lindo demais...
    E parte o amor é isso mesmo, sofrimento, loucura...

    Adoro tudo que você escreve! ^^

    Beijão moça!

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  9. mesmo, é ele que comanda tudo (;
    beijinho*

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  10. Quanto vivemos para alguém, perdemo-nos de nós mesmos. Mas se perdemos isso, perdemos tudo. Cada um sabe o que o faz mais feliz.

    Beijo

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  11. Obg pela visita (:
    Lindo texto, vc escreve mto bem!
    beeeijOs e volte sempre.
    Giiih

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  12. seus textos são mesmos tocantes...

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  13. 'Implorava que com ela ficasse, pois temia que sem ele o mundo deixasse de existir.'
    muito lindo e profundo.
    bj, flor.
    será que vai ter mais?! hahahaha

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  14. A ternura deve ter se cansado de habitar o corpo, voou e não voltou. Poxa!

    Charlie B.

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