quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A todos os blogueiros e escritores de gaveta.

Tire-me a escrita e será como se meus olhos deixassem de ver, como se minha boca não mais soubesse falar, como se melodia alguma eu pudesse escutar.
Tire-me a escrita e nada mais poderei fazer, apenas aceitar em silêncio a dor de já não viver. Porque das minhas palavras eu tiro o ar que respiro e a luz que vejo.
Tire-me a escrita e perceba-me vazia, sem razão ou destino, apenas um corpo frio parado no tempo. Tire-me a escrita e notarás o quão necessário é, para mim, conjugar verbos em sentimentos, criando sensações involuntárias a quem lê. É isso o que eu faço: eu escrevo, e nada além me descreverá tão bem quando tal ato: eu escrevo, e apenas disso vivo, as estrelas guiam o caminho pelo qual eu sigo, o sol ilumina até os dias nublados e frios, as flores nascem e morrem, olhos transbordam, corações batem, dedos entrelaçados se afastam, silêncios dizem adeus, amores surgem, cartas queimam, velhas lembranças dissipam-se, grandes momentos acontecem, segundos são congelados numa fotografia em preto e branco, cortes tornam-se visíveis, dias chegam ao fim, a lua cheia no céu, fogos de artifício, o sorriso no rosto da pessoa amada, uma vida alcoolizada se acaba, uma tempestade se inicia, a saudade aperta, o medo, a loucura, doze meses se passaram. Eu escrevo.
E é só disso que sou feita, apenas isso farei, hoje e todos os dias de minha vida, apenas isso serei, minhas palavras, minhas verdades.
Eu escrevo, e agradeço a Deus pelo que faço, agradeço entre lágrimas que imploram, agradeço em um dia ensolarado e nada mais importa se não o sentimento intocado de amar.
Amar tudo o que foi citado e um pouco mais, amar o que os olhos não vêem e o coração sente. Amar o que foi, o que será, o que é. Amar cada minuto dos meus dias, bons ou ruins. Amar a dor, amar tudo o que se faz sentir. E transformar todo esse amor em palavras, porque eu escrevo, é isso que eu sou.

Um feliz ano novo a todos, meus queridos. "Que seja doce!" ♥

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Cause it's you and me.

Nessa tarde de céu branco e vento levemente frio, penso em ti.
Assim como penso em todas as outras tardes e manhãs e noites, seja frio ou calor. Acontece que, hoje, algo diferente ocorreu, não que nunca tenha ocorrido. Mas às vezes a dor me consome de forma tão total, tão definitiva que me pergunto se poderei suportar outro golpe, mesmo que um só. E essa dor, esse golpe, é sua ausência. Sua ausência que se faz presente quase todo o tempo. Então eu penso naqueles momentos tão bons contigo, quando vivemos noites enluaradas no silêncio confortável de um abraço contínuo.
Talvez a noite de hoje seja tão doce e memorável quanto aquelas outras em que estive contigo, talvez seja apenas a escuridão sem teus olhos pra me guiar, a solidão sem você pra me curar. Talvez seja apenas.
Ouço músicas que são tão minhas quanto suas e sorrio em silêncio. Em algum lugar você está. Provavelmente andando por ruas quase vazias, direcionando seus passos a qualquer lugar que te não seja o meu lado, nesse momento. Não posso me queixar se nossos pontos de descanso não são sempre os mesmos, afinal, ainda é necessário viver, entretanto, várias vezes me descubro pensando em planos que não poderiam se concretizar num espaço curto de tempo. E é essa incerteza que me fere. Mas é a sua certeza que me cala, me acalma, me abala. Ou seja, de uma forma ou de outra o que eu sinto não pode - e nem deve - ser explicado.
Pois enquanto houver o sentimento, haverá também toda essa ternura, e talvez, um dia, a exatidão.
Mais tarde estarei em seus braços e direi o quanto senti sua falta: muito mais do que eu posso afirmar. E você sabe, você sabe tão bem quanto eu. Então deixe que o tempo passe, eu não irei pra casa essa noite, aceitarei o céu estrelado se ele vier e correrei sob a chuva se for necessário, mas não saio do seu lado, não essa noite.
Porque eu gosto mesmo de você, e não sei exatamente o que fazer. Apenas deixe que as horas aconteçam naturalmente, deixe que a vida ande enquanto esquecemos a dor que nos destroça por dentro, porque essa noite estaremos completos, e nada será mais forte do que esse sentimento.

Ei, pessoas lindas. Desculpem-me a ausência dos últimos dias, again, e obrigada por estarem aqui, de verdade, lendo, seguindo, comentando. Isso é realmente muito importante pra mim e espero merecer o reconhecimento de todos. Desejo-lhes um Natal maravilhoso, que seus corações transbordem de alegria e amor, não se esqueçam do real significado dessa data, não percam-se no mundo do capitalismo. Sejam mais alma do que matéria. Os meus mais sinceros votos de felicidade a vocês, fiquem todos com Deus, e obrigada.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ter-lhe.

A chuva cai lá fora e em alguma rua fria você está. Há poucos minutos nossos braços se entrelaçavam num carinhoso abraço, mas você se foi, como sempre tem de ir... Mas chegará a noite em que contaremos as estrelas no céu e nada nos impedirá de vivermos aquele momento. Eu quero estar com você, apenas, nem que seja simplesmente para te olhar de longe e escutar sua risada que tanto gosto.
Quero só ter-lhe por perto, e saber que você quer o mesmo. Quero exatamente o que você é, pois já é muito melhor do que eu poderia imaginar. Eu lhe espero mesmo que os dias sejam longos, lhe espero mesmo quando não puder te encontrar. lhe espero, e isso resume tudo.
E se alguém me perguntar o porque de tanta devoção, palavras faltar-me-ão, pois jamais conseguirei explicar - até mesmo pra mim - esse sentimento de alegria e paz por ter-lhe comigo, mas lhe quero e lhe espero pelo que você é, e qualquer pessoa que venha a conhecer-lhe entenderia o quão espetacular és.
Pois você quer tornar meus sonhos realidade, quer transformar minhas palavras em fatos e não percebe que o que eu digo é pobre e indigno diante do que você me proporciona.
Me dói não ter-lhe por perto, não sentir sua presença, seu abraço, sua respiração, seu coração pulsando sob a pele quente. Me dói ter-lhe por tão pouco tempo, e não digo isso da boca pra fora.
Ei, sorria pra mim, sabe que seus olhos tem uma cor diferente de tudo o que eu já vi? Quando os encaro é como um degrade de sentimentos. Diante do Sol é como o infinito. Mas a verdade resumida é que seus olhos tem me guiado na escuridão, e isso é uma breve síntese de algo sem explicação.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Dias de angustia.

Relato um.
Permita-me amar-lhe, mesmo que apenas no silêncio involuntário da não-reciprocidade. Não assombre-me com perguntas contidas enquanto eu busco incansavelmente respostas que me levem até você. Porque por uma razão ou outra eu sei até onde o destino nos levará.
As horas tem passado mais lentas enquanto espero por lhe encontrar, os dias tem sido como anos. A expectativa abalou meu coração quando ouvi uma voz dizendo que você viria, por uma mera desculpa que eu acabara de cair. E você veio e poderia escutar meu coração pulsando tão rápido se soubesse, mas você não sabe, e partiu depois de uma despedida breve e tímida. E no meio do caminho, olhou pra trás, e aquele olhar tirou o meu chão e o meu ar, porque tudo o que se espera de uma pós-despedida é aquele olhar de quem parte e queria ficar, tudo o que eu pude fazer foi chorar. Chorar no frio da noite, em silêncio.

Relato dois.
Sob a Lua solitária de uma noite morna e vento frio, envoltos pelo grama e por risadas e vozes distintas, você e eu. Você ali, tão perto de mim, eu pude até sentir o calor vindo do seu corpo a alguns centímetros do meu. E devo dizer que gastei todas as minhas forças em esforços para não te tocar, e de tantas forças gastas, meu corpo parecia ferro ao caminhar ao lado do seu, que era quase como um ímã.

E um conto quase real.
Cai a noite, olhos perdidos entre ruas e avenidas procurando um rastro da sua imagem que insiste em não aparecer, meu coração inquieto não me deixa esquecer que a qualquer momento vou te encontrar, mas os minutos passam como horas, o céu acinzentado pisca com um trovão distante que faz o chão tremer levemente. O vento frio é um aviso de que logo a chuva me atingirá, olhos para os lados, nenhum sinal de sua presença. Minha pele se arrepia subitamente e sua voz rouca sussurra, quase inaudível, muito perto do meu pescoço: "Demorei?", me viro e ali estás, o meio sorriso que eu tanto gosto acompanhado de suas mãos prontas para me proteger da escuridão.
"Pensei que não suportaria esperar nenhum minuto à mais", digo-lhe.
Você sorri e me abraça. Começa a chover, tudo bem, nossos dedos se entrelaçam naturalmente e nossos passos ecoam pela rua vazia, em direção a qualquer abrigo que possa nos salvar da tempestade que acaba de começar.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Fragmentos de uma (ir)realidade.

"(...) E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica."

Tenho vivido dias à toa, buscando razões e explicações, respostas que justifiquem essa busca desnecessária. Porque não há nada a se encontrar, somente o caminho cheio de pedras e espinhos. Não há mais nada a fazer. Já li livros que distraíram meus pensamentos, assisti filmes que causaram medo. Já chorei no escuro, na luz. Chorei no banho, na rua, sob a Lua e todas as estrelas. Chorei diante do pôr-do-sol. E ri em ambas ocasiões. Escutei músicas que destroçaram minhas lembranças em dor e ódio, mas não consegui deixar de lembrar.
Eu fiz tudo o que pude e o que não pude pra me animar, voltar a sentir as cores, perfumes, voltar a ver as flores e ter novos amores. E talvez eu até tenha conseguido, por alguns minutos, e logo a luz se apagou. Mas dos amores que eu tive e pelas pessoas que fiz sofrer, me excluo de você. Dos seus planos, dos seus sonhos. Porque eu não suportaria a culpa das suas lágrimas. Porque eu não viveria em paz se houvesse dor no seu olhar.
Tenho esquecido das horas, dos dias. Vivo o ato de ignorar. Ignorar o meu coração que bate desordenado quando te vê chegar, ignorar a minha voz que se cala quando deveria falar. E por tudo isso eu digo: Me perdoe. Por lhe querer e lhe amar em silêncio; Por lhe imaginar comigo; Por me torturar por dentro; Por bani-lo do sentimento. Dou-lhe as minhas mais sinceras palavras, palavras de alguém que vibra ao lhe encontrar, mas que perde o rumo em sua ausência. Que desaba, que cai. Perdoe-me. É só o que eu lhe peço.

Desafio dos sete.

Recebi um desafio da Lys Fernanda e achei muito interessante, então, resolvi postar. São só curiosidades, algumas características que podem ser notadas facilmente por qualquer pessoa que me conheça de perto, então, bom, aí está...

7 Coisas que tenho que fazer antes de morrer:
• Conhecer a Hozze. *o*
• Ir à Europa.
• Publicar livros.
• Ver o mar.
• Ir a shows do Green Day e Linkin Park.
• Me formar em Letras/História/Psicologia/Filosofia/Teologia. (Estudar forever, rs)
• Xingar muito minhas professoras de Literatura e Português.

7 Coisas que mais digo:
• Uow!
• Porra.
• Aff.
• Santo Diós.
• Eso!
• Come on! Go go go go go go go!
• Tá né.

7 Coisas que faço bem:
• Escrever.
• Ler.
• Bolos (modéstia parte. HUSEHUESHUESHU)
• Dormir.
• Reclamar
• Liderar. rs
• Cosplay de Hamtaro quando sorrio. *o*

7 Defeitos meus:
• Sou teimosa;
• Egoísta;
• Estressada;
• Ciumenta;
• Perfeccionista;
• Detalhista;
• Intensa(o que também pode ser considerado qualidade, depende do ponto de vista).

7 Coisas que amo:
• Deus.
• Minha família.
• Ler.
• Escrever.
• Chuva.
• Coca Cola com limão e gelo. (L)
• Meus cadernos e livros.

7  Qualidades:
• Sou determinada;
• Criativa;
• Sincera;
• Pontual;
• Confiável;
• Fiel;
• Sorridente. :D

7 Pessoas para fazer o jogo dos sete:
• Juliana, do blog • Momento Lala •
• Luiza,  do blog Vacas azuis voadoras.
• Pâmela, do blog Psicanálise da Escrita.
• Bandys, do blog Esconderijo da Bandys
• Sara, do blog Sunday Smile.
• Ju Fuzetto, do blog Um lugar ao sol, perto do vento.
• Larissa, do blog Minha Neologia.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Always by your side.

Não pense em mim como algo que se foi e não voltará. Tenho estado perto o suficiente para cuidar das suas dores e feridas que insistem em não cicatrizar. Você não me vê e tampouco escuta a minha voz, mas quando o vento sopra em sua direção, pode sentir meu perfume impregnado no ar. Eu estive ali, amor, ao seu lado. E não suporto ver essas lágrimas que brotam em seus olhos ao não me encontrar. Então sinta além do material, toque além do que pode ser visto.
Se você fechar os olhos e ignorar a dor, respirando lentamente, poderá sentir meus braços te envolvendo. E seu coração voltará, enfim, a pulsar calmamente, não como alguém que corre na escuridão, sem direção, mas como alguém que encontrou, no brilho das estrelas, a força pra continuar. Portanto, acredite no que tenho dito: O fim não existe. E mesmo que passem mil anos ainda assim estarei aqui. Por você. E só por você.

Hoje, às 13:26h.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Teto para desabar.

Preparo meu chá. Doce.
O sono me embala nestas notas simples de um velho violão cheio de lembranças e dores. E é como se todas as músicas de amor e solidão transmitissem a angustia de sentir. E dói. Dói viver, existir. Quando a realidade é dura, cruel.
Não é uma escolha o que eu tenho feito, mas sim uma realidade me imposta brutalmente. E brutalmente, em palavras desfez todo o meu mundo. Minhas cidades de vento, minhas avenidas e ruas e becos de memórias. Tudo findou-se num olhar determinado a matar. E neste mesmo olhar calaram-se as vozes que antes tentaram me proteger.
"É impossível", tento avisar-lhes, mas não. A destruição tem um afeto particular por mim, quer fazer-me sentir, intensamente. E eu fecho os olhos para a guerra à minha frente. Já não posso lutar, seria como um obstáculo a mais dentre os que buscam a paz com armas carregadas nas mãos.
Que o destino me leve para onde devo ir, recuso-me a entrar nessa luta onde morrem sonhos e esperanças. Não, eu não lutarei. Calo o grito interno que me enlouquece. O silêncio aqui dentro é resultado do vazio que me habita. As lágrimas que mostram minhas fragilidades não serão vistas por alguém, estou sob escudos e muros de proteção, também não verei o caos ou o céu, mas confortarei meu pranto com o falho pensamento de que tudo se resolverá. E assim será, outra vez.

29 de novembro. 14:10h

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A delícia da queda.

Sem mais palavras.
Apenas essa lembrança vaga de você. Coisas do passado, que não voltarão. Porque me nego à trazê-las à memória. Porque não quero mais a textura da sua voz. Porque sei que depois de um certo tempo, torna-se incontrolável, e eu não quero a queda.
Mas que maravilha era cair.

28 de novembro de 2010. Noite de insônia, 23:23h.

sábado, 27 de novembro de 2010

The story of a great love.

Eu não seria tão bom nisso como você, ou como qualquer um deles. Simplesmente pela razão de ser quem sou, e você não aceita. Não pode aceitar. Estaria fugindo dos seus padrões de conjugação do verbo amar, se apaixonar. Eu me apaixonei por você no momento mais impróprio, na dor mais latejante. E desde então meus olhos nunca mais se fecharam para a escuridão de minhas pálpebras, mas somente para o teu olhar grandioso a me fitar. Somente para essa minha paixão desenfreada, que me preenche de forma tão completa que me faz duvidar de que eu possa voltar a ser, um dia, eu mesma sem você.
Porque cada partícula do meu corpo grita silenciosamente pelo seu nome. E eu já não seria eu mesma sem você... Seria um ser qualquer, que vive, mas que não ama, e sendo assim, logo, só existe.
O que seria é uma simples possibilidade de futuro. O que fui é uma lembrança rala do passado. Mas entre o passado e futuro, existe esse momento que chamamos de agora, e nesse momento, sou um espelho que busca gravar cada movimento seu, cada palavra dita ou calada, cada gesto feito ou contido, cada sentimento vivo ou ignorado. Porque a dor que te toca é só mínima perto do que eu sinto por não ter você. E qualquer explicação para isso seria basicamente insuficiente. Pois esse amor não se diz, não se escreve, mas se sente. E eu sinto, definitivamente.
Sinto a dor à cada batida do seu coração. Sinto a rejeição a cada encontro marcado ou não. Sinto saudade do que não existiu, sinto tanto, que sou só o sentir, e nada além.
Quero te mostrar o mundo visto de outros ângulos, invada meus pensamentos, olhe como tudo lembra o seu nome, o seu rosto. Perceba como as cores que eu vejo lembram sempre os seus olhos, perceba como todas as músicas me levam a você. Perceba, de uma vez por todas, que isso não é só uma idéia vaga de sentir. Não é só um desejo de te proteger, mas sim uma necessidade de saber se estás bem. De enfrentar a dor que te queima, te corrói, te destroça. De cuidar dos ferimentos que te fizeram tão impiedosamente.
Eu só preciso de uma palavra, um sinal. Algo que transpareça suas verdades e seus medos. Que seja sincero. Mas que não seja como um punhal em meu peito, e sim como uma brisa no meu rosto... Que alivie a dor que eu sinto, que alivie a dor que você sente.

"Estas alegrias violentas têm fins violentos falecendo no triunfo, como fogo e pólvora que num beijo se consomem."
(Romeu & Julieta; ato II cena VI)

Baseado em uma história real, mas não minha.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um aviso.

Ei, pessoas lindas, como vão vocês?
Esse post, como vocês já perceberam, é bem diferente do que geralmente posto aqui. Mas esse é um aviso, não muito agradável, porém, não tão desagradável..  Eu estou em semana de provas, é. E isso significa que não vou poder postar por mais alguns dias. Prometo voltar logo, só penso que seria injusto sumir assim, sem avisar...
Então, fiquem todos bem. Um grande beijo e um sincero sorriso.

D.F.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

From within my heart, my soul.

Abro meus olhos pela manhã, e o único fato que me motiva é o pré-encontro. Levanto-me, já cansada, consciente de que não posso impulsionar meu corpo com uma energia que não é minha, consciente de que não devo mais ignorar a existência do que eu deixei surgir.
O sol decora as paredes do quarto com o seu brilho incontrolável. Os desenhos das grades da janela limitados pela cortina opaca. Fecho os meus olhos sensíveis à luz. Logo nessa manhã tão bonita, logo quando dói existir, acordar. Mas é mais forte do que pode-se imaginar, e no exato momento em que surges, desvio o olhar, finjo estar ocupada com algo qualquer, uma frase ou livro, o céu azul pela janela ou simplesmente uma lembrança de uma música. Mal percebo que o primeiro lugar que olhas é onde estou,  porque sabes que estou aqui, todos os dias. E é bom quando, vez ou outra, me encho de coragem de sustentar o seu olhar, que sorri.
E eles dizem "Que bom que você está aqui.", e os meus dizem "Eu estava prestes a morrer, se você não chegasse logo...". Mas nossas bocas nada dizem, permanecem no silêncio compreensível de nossas mãos unidas, tantas horas mais tarde. Qualquer palavra seria suficiente para tudo destruir ou tudo começar. Porque só nos falta o impulso.
Às vezes, sinto-me indestrutível. E nesses raros momentos, estou sozinha no vazio do meu quarto. E eu queria ter-lhe por perto, só por agora, para dizer-lhe o que está me corroendo por dentro, quase a explodir sem aviso ou destino. Então você está indisponível, não porque não se importa, mas porque as necessidades nos fazem distantes. E se você soubesse, viria correndo, eu sei. Porque é isso que eu sinto quando sinto o seu coração batendo sob a pele, é isso que o silêncio fala quando você simplesmente acaricia meu rosto quando eu digo não e não ao seu pedido mais doce e sincero.
E por isso hoje eu desisto. Desisto de resistir, seja o que Deus quiser.

"Não entendo, apenas sinto. Tenho medo de um dia entender e deixar de sentir."
Clarice Lispector.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Onze minutos.

Fecho os olhos em busca de qualquer lembrança que me traga uma história, uma história como aquela que vi nascer e hoje vive tão perto de mim. Uma história que não posso deixar acabar. Não falo das minhas paixões desenfreadas ou da intensidade que por instantes amo alguns seres. Mas dessa certeza de que tudo irá acontecer exatamente como deve acontecer.
Nada me vem à mente, se não palavras antes já ditas ou sentimentos mortos que revivem por segundos e voltam ao seu estado imóvel. Como se estivesse prestes a explodir.
E o que poderia ser dito, diante dessas vozes que me envolvem, nas quais apenas uma se torna verdadeiramente audível. E são palavras ditas do mais profundo de sua alma, palavras que clamam, imploram por serem ditas. E entre lágrimas e soluços e suspiros, ganham vida. E a partir do momento em que vivem, tornam-se eternas na lembrança. Lembrança dos olhos que vêem, da alma que sente, do coração que pulsa. E tudo transforma-se em um só ser. Resultando no que chamamos de amor.
Momentâneo, talvez... Passageiro...
Mas, amor.

Frio. Dentro. Fora.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

The feeling.

Vejo um semblante de dor nos seus olhos. Olhos que me olham ternamente, como se encontrassem, em mim, algo como paz. E você passa o braço ao meu redor, como se quisesse me proteger do mundo. Você entrelaça nossos dedos e acaricia meu rosto, levemente. E quando choro, sem lágrimas ou soluços, você faz do seu silêncio meu abrigo.
Meus dedos buscam, incansavelmente, seu número – que eu sei decor – no celular, mas me nego a ligar-lhe. Para garantir que mais tarde não sofrerás por mero capricho meu, pelo meu egoísmo. Mas quando penso que logo partirás, que já não existirá quem me traga em casa nas noites vazias, preenchidas por ti... Quando penso que estarei sozinha, que seu abraço será o mais distante, que sua voz será uma falha lembrança... Quando penso na ausência que habitará em meu peito, sinto vontade de gritar, para que o mundo ouça e eu não precisa mais fingir, que estar com você é mero detalhe, que nossas mãos estão unidas só porque você o fez, não, eu também queria, e quero, você sabe. Mas não posso lhe dizer.
Só deixa eu escorar o meu rosto no seu ombro mais uma vez, para que eu guarde o perfume da sua pele. Para que eu saiba que você resistirá à distância melhor do que eu, para que eu entenda que você será feliz assim, dessa forma. Preciso saber se estás bem, essas horas de ausência me matam lentamente, tento ignorar o tempo, mas é impossível como o relógio insiste em me torturar. Preciso que entendas minha necessidade de sua presença. Não lhe peço nada que não possas me dar, somente um abraço e suas mãos pra me acalmar.
Sonhei contigo nas últimas noites, nos últimos dias meu maior desejo tem sido ver-lhe chegar. Insisto num sorriso cansado quando isso por fim acontece, a felicidade por dentro é incontável, mas não posso ignorar a impossibilidade de tudo lhe falar. Calo-me, digo simples palavras que nada dizem, espero pelo seu carinho, meu abrigo. O que farei quando não puder mais lhe tocar?

"All this feels strange and untrue and I won't waste a minute without you."
Snow Patrol, Open your eyes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

De onde vem tanta dor?

O que é essa angustia no peito? Esse nó na garganta, que me impede de falar? O que é essa dor crescente, como ferro em brasa a marcar-me? De onde vem toda agonia? Será só medo ou instinto? Será obsessão ou só vazio? O que será esse sentimento?
Que me perturba... Que me preenche...
Quanto durará? Serei mais forte? Serei suficiente para tudo suportar?
E se o amor me apunhalar, por dentro, destruindo tudo o que venho a guardar? E se a dor for maior do que posso imaginar? Lágrimas ignoradas insistem em me visitar, pra onde correrei quando não puder mais esperar? Porque os dias passam, tão lentos... E os meus passos cansam de existir, o ato em si, às vezes, já é tão difícil.
Uma voz rouca ecoa em meus pensamentos. O grito de minh'alma torna-se mais alto, incalável, enlouquecedor. Fecho os olhos, a escuridão é meu refúgio, é de onde fujo e pra onde vou, é o que temo e o que me abriga. Então posso imaginar as estrelas numa noite sem luar. O vento castiga minha pele fria, distraindo a dor que me mata por dentro. Abro os olhos, a imagem desaparece, o vento cessa, ainda estou sozinha nesse quarto vazio e quatro paredes me impedem de respirar, nenhuma luz, nenhum som, só o silêncio que grita aos poucos.
Fecho meus punhos num ato violento de tentar ferir-me,  impacto da pele e do chão me faz rir, como uma louca, lágrimas molham o meu rosto. Sinto-me irracional, impotente. Por tanto sentir me afogo em mágoa, é impossível resistir. Portanto, desisto. Em minha imobilidade, fito o teto fosco, invisível. Talvez eu acorde desse pesadelo, talvez apalpe o concreto até encontrar uma saída. Talvez eu morra, assim, simplesmente.


"Como encontrar o seu caminho, de volta, no escuro?"
Marilyn Monroe.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Às minhas pequenas.

Ei, pequena, diga-me agora porque choras. E deixe que essas palavras e gritos saiam de dentro de ti, liberte essa dor que lhe impede de voar. Você não precisa dessa agonia crescente no peito, não quando tem algo tão belo em sua alma. Mas seria demais pedir que esquecesse, que deixasse pra trás. E por isso, nada lhe peço, só digo o que sinto, e sei que isso, em partes, basta.  Faça aquilo que lhe ensinei e sinta-se abraçada. Abra os olhos para esse céu brilhante, lágrimas só irão lhe impedir de ver as belezas que o mundo pode lhe proporcionar.
E para isso, seja forte. Não que já não sejas... Mas seja indestrutível. E isso não significa que lágrimas não irão molhar seu rosto, ou que seu coração parará de sangrar. Mas sim que, simplesmente, quando levantares os olhos para o horizonte, serás capaz de ver o Sol se pôr. E que as estrelas que logo serão visíveis não se apaguem diante do brilho incansável dos olhos seus. A Lua também brilhará, mas nem sempre você poderá encontrá-la, e nessas noites vazias, saiba que estarei aqui, segurando sua mão, mesmo que não sintas ou mesmo que não vejas, estarei aqui. Por você.
Se pela manhã, ao acordar, sentires um aperto no peito, faça com que os seus sentimentos tomem conta de seu ser, e sua alma sorrirá em resposta. Nada é tão digno de um abraço quanto a esperança de recomeçar. Então, não deixe que o peso que carregas seja demasiado para o seu corpo frágil, e se um dia parecer impossível suportar, aguentarei por você... O peso da sua dor, o peso dos céus, o peso do mundo. E por nada desistirei, porque por você sei ser capaz de tudo, e isso significa qualquer coisa.

"As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem."

À Hozana, Pâmela Filipini, Ariana Coimbra, Priscila Kai e Nara Sales. Minhas pequenas, nem tão pequenas assim. Que estão distantes, mas muito perto. ♥

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tarde demais.

Lhe espero. O vento frio anuncia a chuva, você disse que estaria aqui, que viria, que precisava me ver, me sentir. E por essas mesmas necessidades estou aqui. Olho o relógio outra vez, passaram-se dois minutos. E a quanto tempo estou aqui? Talvez os anos tenham recomeçado e chegado ao fim enquanto eu olhava as estrelas, sem perceber. Dias e noites marcaram-me como tatuagens de uma espera inacabável. Como se essa dor nunca fosse me abandonar. Desvio o olhar para o horizonte, nuvens pesadas se aproximam rapidamente. Talvez uma tempestade afogue minhas mágoas, talvez apague a unica luz que ainda posso ver, talvez me congele, pois já está tão frio...
A música toca, lentamente, a música que um dia você fez para mim. Dói como a sua voz na lembrança, dói como o perfume esquecido da sua pele.
Sinto as primeiras gotas de chuva, posso vê-las, também, no chão antes seco. Seco como os meus olhos cansados de chorar. Secos como a minha garganta depois de tanto gritar. Aos poucos a água lava a poeira, leva a saudade, deixa somente esse vestígio de tortura que me arruina juntamente com esse céu sem estrelas. As cicatrizes preenchem minha pele pálida e gélida, um grito ecoa em meu interior. A chuva pára, o vento cessa, a tempestade era dentro de mim e acabou. Você não veio. Não ouço a música, calou-se. Olho o relógio, está parado, os ponteiros indicam: tarde demais.

"Será que só eu sinto a sensação de estar sempre faltando algo?"
Clarice Lispector.


Here comes the rain again, falling from the stars.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sua ausência, minha dor.

O gosto amargo de café na boca parece perfeito para as lágrimas tristes que despencam pelo meu rosto, o corpo implora por descanso, a alma implora por amor. Tenho me sentido tão vazia... É como se uma ventania pudesse me levar pra longe, e talvez essa ventania toda esteja acontecendo dentro de mim. E a confusão se cria, outra vez. Posso escutar o grito incansável que preenche a loucura do meu interior. Posso sentir a dor intocável destroçando meu peito. E meu coração bate tão rápido, o tempo todo, como se cada momento fosse o último. As horas passam lentamente, quanto isso irá durar? Quanto posso suportar? Meus olhos doem, minha voz me trai. Sinto que minha armadura está se despedaçando muito rapidamente, e agora disfarce nenhum poderá me proteger. Estou exposta ao mundo e preciso me esconder. Está começando a esfriar e eu me sinto desprotegida e sozinha. Acabo de correr pela noite, fugindo da chuva que acaba de começar. É como se o mundo chorasse, em meu nome, por tua ausência... Diga-me que tudo ficará bem. Preciso da fuga, do alento, preciso de um lugar seguro. Diga que será assim, pra mim. E eu prometo suportar tudo o que me for imposto, desde que eu esteja contigo.

"Então me avise quando você ouvir meu coração parar. Você é o único que conhece. Me avise quando ouvir meu silêncio, há uma possibilidade de eu não saber. Então me avise quando meu silêncio terminar. Você é o motivo pelo qual me fechei, então me avise quando me ouvir caindo, há uma possibilidade de isso não se mostrar. Pelo sangue e por mim, eu cairei quando você se for."
Possibility - Lykke Li.

sábado, 16 de outubro de 2010

So close yet so far!

Teus olhos estão fechados suavemente, teu peito mostra que respiras num vai e vem gostoso frente aos olhos que tanto gostam de observar-te. Minha mão desliza pelo teu cabelo, quase insensível, para não te acordar. Dormes, tão pequena, como se o mundo real fosse demasiado banal para a tua mente sonhadora. Quiseste cantar e me deixaste ouvir-te. Lembro-me desde então, das palavras doces ditas pela tua voz infantil num idioma que não era o teu. Impossível não lembrar.
Quarenta e oito meses se passaram desde o primeiro contato, e hoje tu adormeceste em meus braços cheios do mais puro amor. Tão bom é te ter aqui, eu não soube até sentí-la, que durante todo esse tempo meu maior sonho foi estar contigo, ao teu lado, chamar-te minha. Tão minha que deixarei que tu partas pela manhã, se essa for a tua vontade, mas se disseres que fica, meu amor, perco-me na alegria que essas palavras trarão. Vejo tua risada muda ao fechar os olhos, lembro de tudo o que passamos. Porque demoraste tanto, amor meu? Te esperei por cada minuto, sem ao menos saber do meu ato inconsciente, mas tudo ficou claro quando te vi chegar, andando em minha direção com o teu sorriso envergonhado nos lábios e um brilho alegre nos olhos. Tu caminhaste, lentamente, e passo por passo eu gravei em minha mente, e aquelas segundos mostraram-se eternos, pois precediam o nosso primeiro abraço. Quando por fim paraste à minha frente, sem reação fiquei, e como tudo sempre disseste: todos os gestos ensaiados esvaíram-se em ar, nos olhamos por um breve segundo. E então o sorriso. O sorriso com o qual sonhei tantas e tantas noites. E foi como se o mundo começasse a girar, ao teu redor, nosso redor.
De repente os meus braços envolveram-te carinhosamente num abraço que jamais terei igual. Ali ficamos, por um longo tempo onde tudo o que aconteceu foi o nada que tornou-se tudo assim que passou a existir.
Agora te vejo aqui, tão quietinha ao meu lado e me pergunto se é possível ficar mais feliz, e tu, inconscientemente, responde que sim, e agora tudo é possível, pois abriste os olhos e encontraste os meus, destes aquele sorriso envergonhado coberto de sono e disseste oi, como se fosse a coisa mais normal do mundo acordar e encontrar assim, tão perto, a pessoa que chamamos de amor.

"Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre."
Tati Bernardi.

Para alguém muito mais que especial.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Above the dream.

Deixe-me, amor, só um pouco. Só para que eu sinta sua falta e para que eu lembre o quanto presico da sua presença. Deixe-me para que eu sinta a dor da ausência. E assim, querer-te-ei por perto. Eu sei, mas necessito de todas essas lacunas vazias, que baseiam-me no que sou. Preciso tanto que me perco no conjugar dos verbos. E quero tanto que só assim entendo porque te espero. E espero. Espero porque sei que quando por fim nos encontrarmos será em um momento tão bonito e tão mágico e tão memorável... E sei, de todo o meu coração, que tornar-me-ei paciente, só para te aguardar em silêncio. E quando os nossos olhos se encontrarem e nossas mão se tocarem... Não sei, mas quando souber, jamais esquecerei. Eu imagino tanto, que de tanto imaginar, um dia não saberei qual é a realidade e qual é o sonho, e então viverei numa confusão de idéias e planos. Mas sei que será a melhor confusão, a mais perfeita, a mais completa, a mais certa. Tão certeiro é o sentimento...

"Te encontrar virou apenas uma questão de fechar os olhos."

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

I hear your voice.

No meio da tarde, o céu escurece, o vento anuncia a chuva, tomara que chova, que a chuva lave meu corpo e minh’alma, que deixe limpos e certeiros os mistérios que eu preciso desvendar. Ouço a chuva no telhado, timidamente, cai e escorrega pelos vãos sujos que há dias lhe esperavam. O vento me assusta, assim como a escuridão, tenho medo, mas a sensação na pele se faz gostar. Ouço o eco dos trovões distantes, mantenham-se longe. Não os quero aqui.
Preciso de tempo... Tempo para estar contigo e ter certeza em minha opiniões, já que o meu conceito de estar ao seu lado é somente um fato criado a partir dos sonhos e palavras que tive. Mas preciso de você, urgentemente.
Não consigo pensar em nada, nada vejo, nada ouço, nada tenho se não você no pensamento. Me diz o que eu faço com a ausência que preenche o meu peito. Uma voz distante me chama, ouço sua voz que tanto necessito. No exato momento em que lhe espero, lhe tenho, distante, mas perto. Me faz feliz por um minuto, um minuto e trinta segundos. Quero lhe presentear com uma realidade digna de ser sonhada. Quero mostrar-lhe cada partícula do meu ser, para que você perceba que palavras não são suficientes. E por isso me calo. Por isso lhe espero. Lhe espero enquanto alimento falsas lembranças, e a saudade do que pouco que vivi me corrói por dentro. Tudo bem. Perco-me nesse sentimento inevitável. Acredite, eu não escolhi isso, mas fico feliz por saber que o destino nos trouxe aqui outra vez. Tenho a impressão de que volto à vida, todas as noites, por sentir-lhe tão perto de mim, é como se eu ouvisse o seu coração.

"Seria apenas mais uma história, se não tivesse tocado a alma."
Caio Fernando Loureiro de Abreu.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fragmentos.

“Passaram-se as noites e então abri os olhos, o céu é uma grande mancha negra, como um erro irremediável, em segundos brotam estrelas, florescem em tantas cores que nem sei seus nomes, uma paz desconhecida envolve o mundo. Meu mundo. E é nessa conformidade que habito, nessa fraqueza constante que sou, nesse meu não-destino. Para onde vou, não levo planos. Para onde vou, carrego meu pranto. Calada estou, para que ninguém me ouça, para que eu seja então, impossível, e tudo o que posso ser. Serei a chuva tão esperada e o vento nas copas das árvores, transportarei sonhos, amores e flores. Quem sabe assim eu reaprenda a viver...”

“Sinto os seus braços me envolvendo, ouço seu coração batendo sob a pele quente. Não abro os olhos, pois sei que a realidade seria tão cruel quanto a morte e suas agonias. Não quero acordar, não quero perder esse momento. Quero seu sentimento, quero o abrigo, o alento. Sua voz sussurra em meus ouvidos que está tudo bem, sinto sua respiração no meu rosto, tudo bem. Acredite na minha força, no meu querer. Os dias passam e eu esqueço o verdadeiro significado dos fatos.”

“A noite cresce sobre mim, não vejo fim ou início, simplesmente percebo as mudanças. Amores vem e vão, deixam lembranças, sensações, saudades. Deixam a vida criar seu próprio destino, seguem seus caminhos, superam guerras e distâncias. Tempo. O tempo é a chave de tudo, é o único que nos mostra a verdade sem dizer palavra alguma.”

"Manhãs ensolaradas depois de noites turbulentas nos fazem esquecer os pesadelos. Mas eu quero me lembrar dos sonhos, quero trazê-los para a realidade, quero assim vivê-los intensamente. Quero a paz em frente à saudade. Quanto tempo passará até que os dias se tornem desejáveis? Quantas lágrimas virão até que os olhos já não precisem chorar?”

“Relembrei antigos sentimentos, senti bater forte o coração no peito, pulsa e vive.”

Oi, meus queridos. Como vão vocês? Hehe, resolvi postar esses fragmentos que estavam completamente perdidos pelo meu caderno, foram feitos em momentos que não renderam um bom post, mas vez ou outra algo chama a atenção dos olhos e dispara o coração, por fim, aqui estão. Espero que gostem. Quero agradecer a todos vocês pelo reconhecimento e pelas belíssimas palavras que - sempre - me emocionam. Vocês são mais que especiais, são essenciais. Eu não teria chegado onde estou hoje sem o apoio de cada um de vocês, então, muitíssimo obrigado, de verdade. E saibam que estou pronta para ajudar, sempre que for necessário. E, o mais importante: Acreditem em vocês.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

So, september ends.

Em sua presença, todas minhas dores se calariam, cessariam os gritos de minh'alma, ocultariam-se os segredos de meu ser. Por instinto de proteção, ato involuntário diante de alguém que só me quer bem. Em silêncio espero uma reação, uma palavra. Por acreditar demais em um fato que nem fato é, às vezes me encontro perdida, tão perdida. E por isso espero.
Entre meus tantos defeitos marcantes, está o de pensar demais. Penso muito e não sei o que dizer. Gostaria de dizer-lhe que o mesmo que me mata é o que me faz viver, e é você. De todas as formas, não estaria completa sem o pedaço de você que tenho comigo.
Costumo contrariar verdades, criando minhas próprias conclusões, vivendo meu próprio mundo, escrevendo uma nova história a cada amanhecer. Porque existo e isso faz de mim metamorfose.
Siga meus sentimentos, às vezes palavras são desnecessárias e às vezes são indispensáveis. Mas acredite na intensidade do que sinto, parece maior que o céu, maior que a vida, maior que meu não-planejar. Creio tão cegamente em suas verdades, tanto que me perco e não sei para onde correr, e de repente, me encontro correndo para os seus braços e o impacto é inexistente, tão perfeito é o encaixe de nossas almas.
Sinto falta de sua voz e sinto falta dos abraços que nunca tive. Me odeio por um minuto, todas as manhãs, por despertar e me descobrir sem lembranças de um sonho que eu sei existir. Tão profundo em meu ser, no abismo de ser o que sou, me sinto cair, sei que nunca encontrarei o chão, nunca terei qualquer certeza, se não a de que o dias passam como meses e de repente tudo acaba.
Aprenda algo sobre mim: jamais desperdicei palavra alguma, pois em seu exato momento de nascer e existir e morrer, ela foi verdadeira. Foi como eu sou, e o meu existir parece tão vasto quanto o abismo no qual insisto em despencar. E caio, caio como uma flor cai de encontro ao chão, e chega, e murcha, e morre.
É engraçado como antes de qualquer fim, existe o encontro. Seja ao chão, seja ao mar, seja ao amor, seja à vida...

"E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim."
[Caio Fernando Loureiro de Abreu]

So, september ends.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Tempo de mudança.

Um dia depois do outro, e de repente, uma avalanche.
Pra onde correr? Será preciso fugir?
Se assim for, que eu fuja para o mundo que eu criei. Que o céu seja daquele tom azul e que chova todas as tardes, chuvas de verão. O que eu quero é o verão, e nada além. Talvez uma casinha que sorria pra mim todas as manhãs, quando, ao sair, eu olhar para trás. Talvez um lugar distante coberto pela natureza e toda a sua beleza.
Talvez lá as horas passem lentamente quando o céu estiver estrelado demais para olhar por pouco tempo. Que o chão se acostume aos meus pés, que as árvores balancem ao vento quando eu as olhar. Que a música dos pássaros invada meus ouvidos quando em meu silêncio, eu aguardar. Que quando o verão terminar, eu abra os olhos e acredite, enfim, que o cinza do outono levará consigo as folhas secas das árvores que caem ao chão - cansadas de viver -, e que eu saiba que nenhum vento poderá me derrubar, mesmo que seja forte, mesmo que seja insistente.
Afinal, o que importa é o que existe aqui dentro, e isso é tão grande que perco a direção após o horizonte. Ao meu redor, as partículas de luz iluminam todo ambiente que perdeu a cor há tanto tempo, que perdeu a voz por um momento, e quis chorar, e quis sofrer, quis perder-se no infinito para nunca mais se encontrar. O coração perdeu a batida, saiu de ritmo. Calou-se e voltou a vida. Não que tenha escolhido, mas já que o mundo decidiu assim, que seja, que viva para sempre e eternamente. Que sinta-se acolhido por qualquer sentimento, que aceite o esquecimento. Mas que, além de qualquer coisa, perceba que a vida é feita dessas coisas, que o destino é incerto, que a incerteza é o fato. E o infinito é apenas o que não posso explicar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O quase-amar, os limites do céu.

Sou infinita, assim como tudo o que é sentido. Seja o mais puro ou impuro sentimento, não é eterno, é infinito. E isso ninguém pode julgar, já que não se vê tamanho de amor ou ódio, quando ama-se, simplesmente existe o conjugar. Amar muito ou pouco é simplesmente amar.
A unica exceção é o quase-amar. Quase-amar é como o pôr-do-sol que nunca chega quando a luz ofusca os olhos. É simples e inconsolável a arte do não-amar. Pois não há vida, só a breve lembrança da existência. E confessar o não-sentir é como apunhalar-se sem razão.
A dúvida é a certeza do não, do quase. Do passado ao futuro. Quase é início, é o primeiro passo. Não é fim, não-começo, extinto, impossível. E dói só de pensar...
Que a noite vai acabar e nenhum sonho invadirá meus pensamentos; Que o dia vai começar sem o resto de esperança que a noite nos deixa. Imagine um céu estrelado como a eternidade. Se a noite chegar e passar e o céu amanhecer, tornando-se colorido e azul, seríamos ainda as mesmas pessoas?
As palavras poderão embaralhar-se e ao despertar serei uma completa louca. Abrirei os olhos sem reconhecer as paredes ao meu redor - a cor lilás desbotada não será uma lembrança racional, e o teto coberto de estrelas prateadas de papel será mais um enigma.
Porque minha memória talvez seja apagada, uma chance de recomeçar. E nesse recomeçar, talvez seja possível sentir o pulsar do mundo, o barulho das copas das árvores balançando ao vento, os raios de sol passando em uma linha perfeita no céu, e do céu para entre as folhas pequenas, tocando minha pele ansiosa por ser aquecida.
Qual o limite do céu?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Depois do fim.

Nessa noite tumultuada, sinto-me completamente vazia por dentro, me encontro prensada à uma parede por um corpo quente um pouco maior, mais pesado e mais forte que o meu. E não me deixa sair, mas se eu pedisse, deixaria, se eu intercedesse por mim, venceria. Mas algo me faz permanecer aqui, quieta, inativa. Talvez a dor do ato, da realidade em si tomando conta de mim muito rapidamente. E um grande flash de memórias invade meus olhos, encontrei-me cega, presa à uma parede fria e um corpo quente, que não queriam exatamente nada de mim, somente o momento finito.
Talvez eu não seja assim, talvez não tenha nascido para alimentar-me de momentos. Mas sei sobre a solidão que me atormentou desde algumas palavras que saíram da minha boca forçadamente, a minha voz engasgada e fraca negou-se a dar-lhes som. Mas foi dito, foi necessário e o fim tornou-se existente.
E desde então sou um pouco vazia, como se o meu peito já não pulsasse da mesma forma. Não sinto meu coração batendo dentro de mim, mas bate, eu sei que bate. Sei porque estou viva, e isso não significa que vivo. Mas significa que bebi um pouco de mais, dancei um pouco demais e agora a parede parece me abraçar, por mais quentes que sejam os braços que me envolvem, o frio do concreto me afetam muito mais.
“É em vão”, penso em dizer. “Nada é capaz de me aquecer, sempre fui assim, meio fria, meio intocável. Não adianta, não perca seu tempo comigo.”
Mas não digo, calo-me e olho para o céu. Tão estrelado, brilhante. Dá até pra imaginar a grama sob o meu corpo e um pouco de café. Passaria a noite inteira tomando café e olhando as estrelas. Não dormiria até que o Sol iluminasse o céu completamente. O amanhecer é um fenômeno assim, tão bonito. Porém, não posso lembrar. Não posso, lágrimas escapariam pelos meus olhos, inevitavelmente. E eu choraria como uma criança pequena e assustada. O que sou.
Esse corpo perguntaria o que acontece, e eu diria: “Nada não”, e então não sei o que acontece, porque isso jamais antes aconteceu, e nem acontecerá, engulo o choro. Sou mais forte do que uma vontade involuntária de me derrubar. Mesmo que eu caia num abismo de escuridão, o mundo não precisa saber de minha dor. Chorarei no meu mais puro silêncio interno. E nada as pessoas poderão dizer.
Fecho os olhos com força, vou acordar, vou acordar. Não acordo, o céu ainda está aqui, e esse corpo pegajoso também não me abandonou. “Ei, me da licença, um pouco. Eu preciso sair daqui, preciso de ar, não que você tenha me tirado o fôlego, mas agora estou fugindo. De você, de mim, de todos. Não diga pra onde fui, porque você também não sabe, mas finja que nunca me viu. É tudo o que eu peço. E, por favor, não desonre o meu nome.”
Saio em passos errantes sobre os saltos um pouco altos demais pra mim. Ando um pouco, mais um pouco, não sei pra onde vou, nem onde cheguei. Mas de repente, acordei num lugar tão vazio que me identifiquei, talvez eu ainda esteja dormindo, as estrelas desapareceram para dar espaço a uma única e intensa luz. E agora choro ainda mais, como se nunca o tivesse feito antes. Como se nunca mais fosse fazê-lo. Estou sozinha e vazia, novamente.
Minha única companhia é essa Lua que reflete a luz do Sol como um espelho. Isso me faz pensar na aparência que eu devo ter nesse momento. A maquiagem borrada, os olhos muito inchados, o cabelo desgrenhado. Enfim, um simples desastre. E é assim que a festa termina, sem ao menos ter começado.

Nada auto-biográfico. Fiquem tranquilos, rs.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Antes de morrer.

Absorvi a vida ao meu redor, deixando apenas as folhas de outono que voaram e caíram suavemente em solo desconhecido. Eu esperava a chuva, para que, assim, pudesse adotar toda a sua alegria e me tornar, então, ventania. Tornar-me-ei tempestade. Isso fará de mim algo mais vivo que o ar que nos alimenta, pois seria a água que nos compõe, o que somos. Faria de mim eterna, mesmo que a eternidade não seja tão atraente assim, mas sim tortura. Incessante tortura, sem piedade.
O futuro que eu vejo é tão descontente, silencioso, vazio. Somente eu e minhas mágoas olhando pela janela, o meu reflexo no vidro é tão cansado que chego a sentir pena de mim. Olheiras fundas marcam os olhos tristes e imóveis. Sou quase um fantasma do que não existiu, uma lembrança sobrenatural do que não aconteceu, não acontecerá.
Já que escolho o meu caminho, vou viajar sem destino, buscando sempre uma maneira menos triste de viver. Porque sou assim, calada, e não quero outra maneira de ser. Não seria eu se fugisse como uma criança assustada, mas ainda posso me esconder sob o cobertor frio, no escuro, onde nada além da minha imaginação pode me encontrar.
Eu esperei pela segurança que não chegou, esperei tão convicta de sua existência que, ao ver-me sozinha, vi meu coração quebrar-se em mil pedacinhos, vi minha alma afundar ainda mais em sua escuridão. Peço que alguma estrela comece a brilhar a partir de uma explosão. Guiar-me-iria por qualquer mundo, eu lhe daria um nome bonito e muito vivo, algo como o nome da criança que eu nunca terei.
Algo como a casa em que eu nunca viverei. Idealizei mil sonhos, desenhei mil planos. E agora estou aqui, sem minha chance de viver. Sem coragem pra vencer ou correr, mesmo que correr seja fuga. E mesmo que assim eu volte a ser uma criança assustada. Talvez eu jamais tenha deixado de ser. Mas dizem que a vida vai além do que se vê, e é realmente o que eu espero.

Oi, pessoas. Tudo bem com vocês, meus queridos? Me desculpem pelo tempinho sem atualizar, eu estava completamente sem inspiração. Mas agora postei, não foi algo tão bom, tão maravilhoso, tão digno, mas eu acho que é melhor que nada, rs. Bom, respondendo à algumas perguntas... Eu não abandonei o blog e nem vou abandonar, ao menos, não por vontade própria. Prometo tentar postar com mais frequência. Fiquem todos muito bem. Beijos! :**

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Love in the afternoon.

Dissera-me, sem dó ou piedade, que já não lhe importava a dor que via em meus olhos, dia após dia. Porque à cada dia eu me tornava impura e não-digna. De mãos vazias e frias escutei suas palavras cruéis. O silêncio habitava o momento enquanto um grande abismo surgia e se aprofundava em meu peito. Mais e mais, sem destino ou limitação. Tornei-me pequena para abrigar toda a escuridão que em mim já existia. Não notaste minha alma calada quando jogou em minha face a cruel experiência que por fim, foi a minha morte. Agora assisto a destruição que causaste, estou tão distante que mal posso acreditar. Você me expulsou do mundo que eu havia criado aos poucos e tomou conta do que era meu por direito. Não se importou com razão ou sentimento, simplesmente sentiu-se capaz e justo, e então, fim. Para você, nada além do que antes já tinha, mas para mim, além do coração ferido, restaram-me apenas saudade e tortura sem descanso. Percebe agora o que foi o seu ato? Percebe que me tomou a vida, assim como me proibiu ser forte quando minh'alma foi arrancada do corpo num golpe rápido e indeterminado?
Eu gritei de dor e horror e só você pode me ouvir, e nem assim tentou ajudar, nem ilusão eu pude ter. Somente a dura realidade de que para sempre fui banida de sentir. Porém, ainda me lembro do amor e dele jamais esquecerei, e isso torna tudo muito mais difícil de aceitar, deixar, calar, parar. Impossível verbalizar quando sua voz não existe e suas mãos estão presas por cordas que parecem aço, impossível fugir. E se a fuga existisse, para onde eu iria sem carregar a dor do não-permitido, de que adiantaria fugir para um mundo de sentimentos banidos, esquecidos e proibidos?

sábado, 21 de agosto de 2010

A realidade por olhos cansados.

Nunca tive o problema de esconder olhos inxados e vermelhos pelo amanhecer. O único vestígio de dor é o cansaço transparente pelos meus traços calados, e isso poucas pessoas são capazes de notar. Mas só eu sei quando o meu coração bate descontrolado no peito, só eu sinto quando os olhos quase transbordam e resistem à tentação de desistir, de quebrar essa barreira que me impede de viver simplesmente, sem ligar às aparências que vou causar.
Porque na verdade ligo, não posso ignorar esse mundo que pulsa ao meu redor todos os dia e noites, não posso ignorar esses olhos que me seguem. Entretanto, não sou obrigada à acreditar nas mentiras que me dizem, nas loucuras insensatas que eu ouço. É simplesmente ridículo, e o que me machuca não são as palavras em si, mas o fato de que as pessoas ouvem e duvidam de minhas verdades, meus relatos.
Nesses momentos quero explodir, quero que o chão se abra sob meus pés e que eu caia infinitamente, pela adrenalida da queda que me proporcionaria um esquecimento gentil. E o vento incontrolável no rosto faria com que eu fechasse os olhos, não podendo assim ver o fim, o encontro ao chão, pois quando o tocasse, já não seria ninguém à não ser que minha alma pudesse sobreviver àquele momento de queda, aquela liberdade ofuscante, tão tentadora e deliciosa.
Por ela eu poderia até mesmo viver. Esquecer essa postura que me enfraquece as costas, esquecer essa mascara que eu vivo dia após dia. Não sou uma mentira ambulante, tampouco gosto de ser contrariada, difamada, destruída. Mas sou, o tempo todo, à cada momento oculto de meus olhos e ouvidos. Porque as pessoas temem que eu ouça ou veja, para que sejam desmascaradas, e isso não acontecerá, porque sou tola o suficiente para fingir que nenhuma dessas pessoas existem. Sou fraca o suficiente para ignorar a existência de seres tão desprezíveis e miseráveis em suas vidas mútuas e toscas.
Simplesmente deixo que falem e que pensem, finjo que não me importo e choro em silêncio quando ninguém pode me ver ou ouvir minhas pragas ditas no mais puro silêncio. Só não controlo os gritos internos que vivem dentro de mim, esses não preciso conter, porque não existe um ser nesse mundo que por algum momento tenha invadido o mais intimo dos meus pensamentos, sou sempre um mistério, mesmo quando abaixo a cabeça ao ouvir duras verdades ou quando jogo palavras sinceras no rosto de alguém que não merece, mas que já me fez o mesmo quando eu também não merecia.
Não, eu não vou implorar por perdão ou culpa, não jurarei eternidade se não posso garantí-la, não aceitarei promessas de loucuras, não escreverei uma história bonita. E isso exatamente porque não tenho motivos, não consigo encontrar vestígio de fato desde quando abri os olhos para um mundo que não era mais tão doce quanto eu sempre quis.
Meus planos são poucos, em preto e branco, com um ar triste e solitário, exatamente como o meu interior. Não acredito que sou uma alma alegre e saltitante, não poderia ser de forma alguma. Enlouqueceria em poucos e rápidos dias, pois não fui feita pra viver. Nasci simplesmente porque o ato do amor tornou-se presente, assim como a dádiva que é criar uma vida dentro de outro ser. E não existe nada de mais bonito, e não existe amor que seja mais sincero. Acho que são nesses amores que acredito, esses entrelaçados pelo sangue e a alma.
Deus do céu, acho que enfim esse universo desgraçado conseguiu o que de mim queria: a desesperança, o não-acreditar no amor. Mas ainda quero a paz, mesmo que sozinha e vazia em algum lugar pequeno e fosco, quero a paz. Quero a paz de forma inexplicável, quero para o pouco amor que sinto, um pouco de serenidade, talvez a eternidade.
A eternidade, para mim, seria uma tortura, eu acho. Não sou adepta à esse mundo de assassinos, não nasci para não respirar ar puro ou me sentir tocar pelos doces raios de sol pelas manhãs de domingo. Não foi por nada que vim ao mundo, não foi por mero acaso ou plano. Fui simplesmente jogada aqui, mandaram-me viver, gritaram com todas as suas forças e isso assustou a minha alma, molhou meus olhos como os de uma criança ao perceber que fez algo de errado.
Mas é sempre assim, a criança com os olhos molhados, é assim que eu me sinto, o tempo todo.

domingo, 15 de agosto de 2010

Essencial, assim como vocês.

Hoje, ao despertar, percebi logo o lindo dia que eu acabara de começar a viver. É bonito quando os sentimentos combinam para se completar, andar pelas ruas, olhando rostos e criando histórias já vividas e pouco valorizadas. Sentar ao sol e ler, infiltrar os mais íntimos pensamentos do personagem que ali vive e se exibe. Sinto saudades, e isso aconteceu tão poucas horas atrás. Agora sinto-me desolada, meio vazia, sozinha, esquecida, ignorada, deprimida e humilhada, cansada.
Discussões e cenas aconteceram, assim como dia após dia sempre acontece. Criei meus planos e os vi sendo arrancados de mim como pétalas de uma flor frágil ao vento. Vento esse que hoje me consumiu e causou arrepios agradáveis em toda a pele. Mas saudade é o que eu sinto. Desde o início da manhã até agora, e ainda é cedo.
Encontrei lembranças muito antigas, quase esquecidas, mas guardadas carinhosamente no meu inconsciente. As primeiras e melhores lembranças, nostalgia. Essencial é tudo o que é necessário, é o que faz rir e também o que faz chorar. Lendo hoje, tantas palavras de tristeza e ausência, encontrei-me novamente embriagada pela minha velha confusão. Perguntas que já foram tantas vezes respondidas, que já ganharam respostas certas que logo se tornaram erradas. E esse labirinto infinito onde me encontro, essa paz ausente. Essa força adormecida dentro do peito...
Talvez tenha mesmo que ser assim, justo ou não, alegre ou não. Seja o que for, terá de ser e será. Cansei-me dessa loucura incessante, porém, não quero ser pra sempre essa criança perdida, que precisa sempre de uma mão pra segurar. Talvez eu seja sempre esse acumulo de mágoas, talvez nunca vá me curar dessa doença que sequer existe, mas que me mata por dentro.
Quebro-me em mil pedaços, destruo-me aos poucos e tão rápido. Mal posso me conter. Estou meio dispersa dos fatos, meio calada aos atos, quero por um tempo crescer. As pessoas pensam que são diferentes, assim como eu pensei e ainda penso, sei que não sou nada além de um rosto na multidão, mas ainda insisto em não acreditar nessa verdade que se expande em mim, criando uma dor quase insuportável, mas que suporto calada e indiferente. Às vezes finjo também que chego quase a me convencer, quem sou e pra onde irei. Nessa embriaguez que eu cito, droga alguma é capaz de me tocar, nessa tristeza que eu sinto nada é capaz de me parar.
Sou sempre essa inconstante idéia, carrego uma frágil armadura que em consome as forças quase totalmente, e pouco resta para a vida que desejo um dia viver. Talvez isso não aconteça, talvez acabe tudo aqui e agora, e o que eu lhes digo? Um muito sincero obrigado, “não desistam como eu fiz, levantem-se ao cair, mesmo que um pouco feridos e cansados, levantem-se pois ninguém o fará por vocês. É o que eu sempre digo, ande sempre em frente, o passado estará contigo somente na lembrança, e o futuro é o único à quem devemos temer”.

Meio auto-biográfico, meio inventado. Criado hoje, à partir do nada.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Declaração.

Tuas palavras podem não ter a mais sofisticada poesia, mas tem uma sinceridade que faz acelerar o coração. E em sua simplicidade me encanta de uma forma quase ilegal. Como eu poderia me desprender de você? Sou sempre essa loucura incessante, sempre essa metamorfose. Não há lugar no mundo mais aconchegante que os teus braços à me envolver, encontrei em você uma paz que é imensidão, às vezes se expande ainda mais, numa explosão de sentimento que eu nunca vi igual.
Me falaste dos teus planos, teus sonhos e teus segredos. Me incluíste nesse futuro eterno e eu somente não sei o que fazer. Me diz que não vai chorar em uma noite vazia, sem mim. Eu preciso saber que você pode suportar mais do que eu.
Eu quero ser mais do que uma lembrança, quero ser mais do que qualquer pessoa que tenha significado muito pra você, sou egoísta, eu sei, mas é assim que eu penso em você: muito além do que eu mereço, muito além do que eu antes tive. Porém, tenho um defeito marcante: Sou amante de tudo o que é livre, sou de uma espécie sonhadora que às vezes precisa de um mundo diferente à cada dia. Sou uma alma viajante que ama tudo o que tem.
E eu amo tanto você.
Mas sou pequena diante de suas espectativas. Sou só uma criança um pouco crescida, e não sou muito além do que se vê. Me perco com uma facilidade incrível, demoro para me reencontrar. Talvez a minha necessidade seja uma luz que me guie, uma mão que segure a minha. Talvez tudo o eu preciso seja você.
Me entende?
Eu vou sempre além dos meus planos e posso ser muito cansativa também, gosto de olhos vibrantes, brilhantes, como os teus. Por acaso te encontrei num dos meus piores dias, você falou todas teus sentimentos e eu acreditei, agora estou aqui, correspondendo à esse sentimento, sendo tão fiel à esse nosso amor.
Não deixe que eu me perca outra vez.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Confia em mim.

Eu andei por ruas e avenidas, passei por todos os lugares. Senti o vento na pele, vi o céu e as estrelas, a Lua solitária e distante. Por todo caminho busquei palavras, palavras e flores. Mas não encontrei. Flores são extintas por aqui, palavras me fogem. Minha unica distração é escutar músicas e ler livros, pensar na saudade quase constante do meu amor. Das batidas do seu coração quando acompanha o meu.
Vim fazendo anotações ultimamente, fragmentando sonhos e tentando combater pesadelos, esquecê-los, enterrá-los. Deixá-los na penumbra da noite que me assombra. Me encontro dia após dia na paz quieta do meu quarto, sem teu abraço, sem meu abrigo. Quero a loucura da sua presença, quero sem medidas, tão sem medidas que nem sei, mas quero com tanta força que chego a chorar.
Não minto, você sugeriu a eternidade em teus planos e eu amo-te não só por isso, mas especialmente pelo momento de agora, onde ouço tua voz cansada ao telefone. Eu também sinto sua falta. Sim, sonho acordada contigo. Você ri das minhas confissões, mas eu sei que você guarda os teus segredos no peito, bem guardadinhos, só pra mim desvendá-los aos pouquinhos.
Quero um beijo de boa noite, e o seu calor pra me aquecer, essa noite é fria demais para o meu singular vazio. Será que quando amanhecer, em um dia qualquer, vou olhar pro lado e encontrar você? Seria como acordar para um sonho, não posso nem imaginar. Quando você me olha é diferente de tudo, e eu sinto um desespero crescente no peito, medo de te perder é tão grande que não posso conjulgar. Amor, não me deixa viver sem você.
Me deixa ser hoje teu refugio, não parte pra longe de mim, fica aqui do meu lado um pouco, acompanho o teu pranto e espero ser tão segura para ti quanto você é pra mim. Vou segurar tua mão, acalmar tuas crises de pânico e sorrir no final, porque afinal, sempre fica tudo bem, amor, você vai ver.
Acredite em mim um pouco, nossa história não acaba aqui.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um pouco de coragem...

Olhos opacos miram o céu distante, que de tanta angustia perdeu o brilho e as cores, tornando-se então um teto de veludo negro – sem sequer uma estrela para refletir. Eu ando esquecendo de tudo, das flores, os cheiros, os medos e amores, das histórias, dos velhos tempos. Sinto-me obrigada a falar, e o que eu tenho pra dizer não é o que as pessoas querem ouvir.
Sinto-me como se estivesse à beira de um abismo sem fim, lembranças não servem para alimentar a alma e o corpo pede socorro. Gritos podem ser ouvidos se você me abraçar e deixar o rosto próximo ao meu por alguns segundos, porém, já não os ouço, e nem mesmo sinto o toque de braços à me acalentar. O meu único alivio é correr, e eu já não sinto minhas pernas. Algo está errado, ou certo demais para que eu possa compreender. Não posso ignorar os fatos, não posso esquecer os atos.
Tome conta desse corpo que agora desiste, esses olhos estão preenchidos de desespero e a dor bate mais forte que o coração. Agora fujo rumo ao sol que nasce lento no horizonte. A escuridão já não pode me parar, mesmo que minhas forças tenham sido extintas no ato de amar. O problema é essa singularidade, é essa fome de liberdade. A solução é o sentimento que sorri pra mim todas as tardes, é a sensação de céu que me envolve calmamente.
O sol brilha, a escuridão foge. Ela voltará, eu sei. Mas sou covarde demais pra pensar nisso agora, quero acreditar que não vou perder-me, que a estrada não se tornará incerta. Quero um pouco de coragem pra sonhar e correr o risco de viver os meus sonhos.

domingo, 18 de julho de 2010

Breakaway.

A escuridão dos seus olhos por um instante desnorteou o meu coração, que paralisado ficou. Sem pulsar, parou. E em segundos conforme os meus olhos ingeriram a imagem do seu rosto pacifico, uma paz inacreditável invadiu o coração que antes, esqueceu de viver.
Fixei meus olhos nos seus e a desarmonia das cores de alguma forma tranquilizou a minha alma que insistia em gritar. Percebo então que estou aqui, de peito aberto e mãos vazias, porém, não sei o que devo fazer ou calar. Como poderia ser capaz de mudar o mundo assim, sem ao menos tocar minha pele fria?
Assisto seus gestos como uma fã fiel, imagino seus atos como uma sonhadora que cria o céu e as estrelas acima do intocável. Como me encontrou? Por onde andou? Eu enfrentei todos para lhe ver chegar, esqueci de mim para lhe abrigar aqui em meu peito.
Então abrace-me rumo ao infinito, nenhuma barreira pode nos parar. Cuide dos meus sentimentos como eu farei contigo, não me deixe só por nenhum instante, pois sozinha posso me machucar. Encolho-me sob os escombros desse caminho, por onde escolhi andar é sempre muito difícil, mas contigo eu posso continuar.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Amazed.

Me perdoe por essa abstinência de amor, o que houve é que a fragrância de sua pele mudou a textura da minha e agora não me sinto como antes fui. A verdade é que esqueci da vida antes de você, o início foi o dia em que falaste-me as palavras que eu não sabia, mas precisava ouvir. E ouvi como quem é culpado e pede desculpas pelo que não fez. Me perdoe amor, pelas palavras brutais que por vezes digo ou pelas doces verdades que deixo de dizer. Não existe no mundo uma pessoa que eu queira mais do que quero você.
Porque só contigo o escuro deixa de ser ameaçador, e no calor dos seus braços eu me sinto protegida, como um escudo, e nada pode me atingir ali. Eu aceitaria tanto por você, mas não posso esquecer de mim. Infelizmente amor, não foi isso que a vida me proporcionou, e agora eu sinto um desespero crescendo no meu peito. É a falta do seu beijo na minha boca que já não sorri por outro alguém. Nada além de você, e contigo, somente essa alegria mansa, essa paixão serena que por vezes perde o controle.
Eu deixo o mundo pra trás por agora, não preciso nem do ar se estiver com você, não preciso nem da terra e nem do céu. Basta a sua presença e o seu coração pulsando sob a pele quente que me protege do perigo. Eu sei que não tenho nada além de você, sei que o universo é grande demais pra se viver sozinho, e por isso estou aqui agora. Entenda que nem a distância poderá nos separar, que nem a saudade me fará desistir. Não posso simplesmente te deixar partir, assim, sem mais nem menos. Seria tolice. Então, não sei porque arrisco.

“Everytime our eyes meet, this feeling inside me is almost more than I can take. Baby, when you touch me, I can feel how much you love me, and it just blows me away. I've never been this close to anyone or anything, I can hear your thoughts, I can see your dreams”

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Usted se me llevo la vida...

Sabes, amor, quando fecho meus olhos os teus olhos são o único brilho capaz de me guiar... Por vezes fingi não crer, não querer. Mas é em vão, ao entardecer de todos os dias, eu olho o horizonte e imagino o som dos seus passos ao se aproximar, imagino teus braços quentes envolvendo-me lentamente, teu sorriso fácil nos lábios é como uma faca no peito ao recordar. Talvez hoje seja o dia em que vou enfim reencontrar-lhe. Procurei-lhe, amor, por todos os pedaços de chão em que pisei, em cada pedaço de teto em que me abriguei. Você foi meu radar, e ao perder-lhe, o rumo foi-se contigo, agora não sei para onde ir, por onde andar, existem pedras e espinhos no caminho, e depois de tudo isso, ainda consigo me arriscar.
Amor, se eu pudesse hoje, gritar-lhe todo o amor que sinto, toda a força que tenho, calaria todas as vozes do mundo, quebraria todos as paredes que ousassem nos separar. Transformaria a distância em nada e logo não existiria nada além do abrigo que te protege da chuva. Eu andaria em passos lentos, tempo algum iria me parar, no fim da estrada, enxugaria as lágrimas dos olhos, do rosto, chamaria-lhe pelo teu nome, esperaria teu abraço para aquecer-me. E quando você enfim visse-me, me acolheria como uma criança pequena, que precisa de proteção, e eu escutaria o teu coração, descansaria o rosto no teu peito, sua voz sussurrando com calma as palavras que por tanto tempo eu busquei.
“Senti tua ausência, amor, como pancadas no peito à cada batida do meu coração. Porque deixaste me ir, quando eu não sabia o que estava fazendo? Se em meu medo você é a coragem, não posso viver se não contigo. Se em minha fragilidade você é a força, não existe razão para não estar ao lado teu. Agora, desculpa-me, amor, perdoa-me por todas as tolices que um dia eu cheguei a dizer-lhe, perdoa-me, aceita-me novamente, eu prometo que não vou deixar o mundo nos separar outra vez.”
E então aceitaste meu beijo doce, cheio de necessidade e eu aceitei tuas palavras tão cheias de verdade, amor, você é sempre bem mais do que eu esperei.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Se eu pudesse escolher outra forma de ser, eu seria você."

"Criaste em mim uma forma bonita de sentir, tão forte que chego a fechar os olhos, não posso enfrentar. Quando não estou contigo, sou só um corpo vazio vagando pelo mundo. Um corpo um pouco surrado, marcado e cansado, mas um corpo que, mesmo vazio, clama por ti. E não desisto, porque desistir seria deixar-te para trás, e isso não faço.
Se voltasse, amor, para o meu lado, entregaria à ti todo o meu amor, o meu peito insaciado quase não contém o coração pulsando forte por dentro. Tomaste toda minha calma, levaste toda minha paz. Agora sou só uma lembrança apagada do que um dia você me tornou. Juraria sob todas as estrelas do céu o amor que hoje eu sinto, clamaria pelo teu alento, aceitaria qualquer sofrimento, para estar contigo, para contigo permanecer.
Amor, venha correndo ao meu encontro, abrace-me forte contra o teu peito, proteja-me da loucura que é essa distância que insiste em entre nós ficar. Cuide-me, seja minha armadura enquanto serei o corpo que te sustenta. Diga-me o que eu preciso fazer para ter-te outra vez, não deixarei o mundo outra vez nos afastar. Diga-me, e eu prometo ser bem mais do que um dia eu neguei.

[...]"

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Again.

Por horas encarei esse teto vazio, sem estrelas, procurando uma maneira de te encontrar. Por horas vaguei pelas ruas, sozinha, querendo e não querendo te encontrar. Busquei em cada pedacinho de mim uma esperança, um recomeçar. Seja lá o que acontece comigo quando eu te vejo passar, seja lá o que eu sinto quando contigo não posso estar. Só sei que é tão forte quanto a pior dor dos meus pensamentos, lembranças vem me maltratar. Punhais perfuram o meu peito, a dor vem me visitar.
Seus olhos jamais esqueço, seu amor é ainda tudo o que eu tenho, sua força ainda é meu alento e sua voz eu espero um dia escutar. Não me deixe só quando nossa música tocar, porque para seu amor eu tenho tudo, desde o meu sangue até a essência do meu ser. Não me deixe só quando o tempo passar e o vento levar pra bem longe tudo o que eu já quis contigo partilhar.
Sem você, amor, a tempestade vai congelar meu ser por dentro, e o meu coração voltará a cessar. Não deixe que o ritmo se perca, que a saudade te impeça de tentar. Não me esqueça por mais que você queira, não saiba o que é a dor de não amar. Hoje, amor, eu sinto a sua ausência preenchendo o meu peito, eu sinto todo um sentimento que antes parecia já não existir. Por você eu tive uma segunda chance, e até aceitaria a terceira, se você viesse me aguardar... Quando eu chegar, carregada por asas de sonhos que antes não me visitavam, só pela vontade de te reencontrar.
Você foi pra mim um reinício, você fez pra mim um novo caminho, uma estrada por onde posso caminhar. Eu só quero que esteja comigo por essa história, crie comigo o roteiro de uma vida mais bonita. Não solte minhas mãos, não deixe-me distanciar. Crie comigo um novo abrigo onde a chuva não possa nos alcançar.

"Quais são as coisas e as cores pra te prender? Eu tive um sonho ruim e acordei chorando, por isso te liguei..." [Cazuza]

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pulsante.

Você tem o encaixe perfeito das minhas mãos, é o preenchimento feito pro vazio do meu coração. Pulsante. É como um jogo de cores, e o que fica é uma lembrança bonita de tudo o que se foi,  naufragou em um mar de saudade, afogou-se juntamente com minha alma. Pulsante.  Como um relógio, como uma bomba prestes a explodir. Foi e é o que me faz sorrir. Mesmo nas recordações pequenas e quase esquecíveis, mesmo nos momentos em que você me fez sentir. Tudo e nada. Pulsante. Pulsante como a vida que renasce à cada primavera, como a saudade que não passa, que às vezes distrai, parece diminuir, e de repente volta com tudo, dissipando toda e qualquer esperança. Sua falta é como a flor que não renasceu, morreu em cinzas e assim permaneceu. É o céu que não amanheceu, eternizou a escuridão. E alguém me diz: “Encontre o seu caminho!” Mas todos sabem que eu tenho medo de escuro, caminho nenhum vai me guiar, estrada nenhuma vai se formar enquanto a Lua continuar presa atrás dessas nuvens escuras, densas. Estrela nenhuma posso ver e então escrevo pelo vazio que me consome, pela solidão que me envolve. A chuva começa a cair lá fora, aqui dentro ninguém pode me alcançar, nem mesmo a serenidade que me fez um dia despertar. Sou paz desde que me encontrei sozinha. Quatro paredes me protegem do frio, do vento e dessa água gelada a molhar tudo por aí. Quatro paredes não podem me proteger de mim. Quatro paredes são totalmente inúteis quando a ventania acontece por dentro, quando o terremoto é permanente, os furacões devastam sem pensar. Fenômeno esse de não te encontrar... No fim dos dias, início das noites. Eu sempre precisei tanto de alguém, e um dia tive você, no outro perdi-me por completo. Espero você voltar, espero que minha espera não seja em vão.
São três horas da manhã e abrigo nenhum é capaz de me aquecer, já passou da hora de esquecer e há uma solidão crescente em  meu ser. Eu preciso que saiba, assim como espero que lembre. O sentimento aqui não deixou de existir, o sofrimento também não deixou de renascer. Você sempre soube que minha paz é passageira, assim como o sorriso que por vezes é estampado em meu rosto. Esse brilho nos olhos é um problema a ser resolvido, lágrimas não posso mais controlar. Então volte, volte pro meu abraço, seja mais uma vez meu esconderijo. Dessa vez eu prometo ser mais forte, agir como uma pessoa adulta que nunca fui, nunca serei.
Sempre disse-lhe que sou uma criança, eterna criança. Mas é engraçado como o mundo quis me provar o contrário, me colocando em situações de gente grande, onde só sobrevive quem viver. E eu vivi, realmente vivi. Mas sinto falta daquela calmaria que era somente ouvir a batida do teu coração. Pulsante. Não dá pra esquecer. Quando sua alma é marcada por alguém importante, simplesmente é impossível deixar pra trás.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno."

Cuide-se, proteja-se do mundo, de sua força, seja indestrutível mais uma vez. É como um adeus disfarçado, cheio de esperança. Chega a ser bonito de se ouvir, mas tão cruel quanto aquelas palavras que não devem ser ditas se não forem sentidas. Porque palavras são sentimentos, e sentimentos são raros.
E a ausência é como um relógio tic-taqueando por dentro, não te deixa esquecer que o tempo passa e a saudade não acaba, só cresce e cresce. É como uma bomba prestes a explodir, e você não sabe se prefere o fim ou nada, porque esquecer é quase tão doloroso quanto perder. Não dá pra imaginar uma vida sem um por quê.
E o preenchimento que não vêm é como a suspeita do vazio que não nos deixa, é forte como uma tempestade e deixa tantas marcas quanto uma lembrança. Lembrança bonita, tão bonita que parece perfurar o peito, sua liberdade é destinada ao nada, criando uma sensação terrível à quem teme. E o que teme?
Olhos cruéis-impiedosos. Flores murchas-secas-cinzas. Sua esperança é nostalgia. Sua força é rotulada, seus roteiros são incompreensíveis. Já que seu destino é somente viver. Repita e viva, menina. Sua alegria está na simplicadade do existir, distinguir. Manifeste-se entre o campo de cores e ventos que criam fragâncias. Liberte-se e seja essencia, seja coração e alma. Crie asas e seja também o impossível. Qual é o tamanho do seu ser? Não limite-se ao chão, não debruce-se no parapeito da janela, seja o ar que por ali renasce. Seja em si, uma canção. O inexplicável é mais atraente do que o que se pode ver, o que não existe é sempre mais bonito e cores também são mais bonitas aos olhos de quem sente.
Os livros mais belos são os que nascem dos nossos dedos e pensamentos, as frases de grandiosidade são aquelas que residem em nosso interior. E as palavras que nos encantam não são nada comparadas ao brilho dos olhos que carregamos. Acredite, acima da vida e da morte, acredite. Existe sempre uma invasão de sentimento, sem consentimento, existe sempre algo que abala o coração, devasta a alma. Mas não se iluda com esse pequeno pensamento, é coisa passageira, aquilo que fica nasce no piscar dos olhos que encontram. E do coração nunca sai, torna-se marca da alma, na alma. E na eternidade fica, mesmo que se desgaste, mesmo que o tempo passe. O que na eternidade fica, para sempre permanece. Sem explicação.

"Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno."
[Caio Fernando Abreu]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Talvez seja você e eu.

Dopei-me com notícias trágicas, loucura vem me contrariar. Gostaria eu da saudade de te encontrar, mas o que fica em mim agora é mais forte, corrói por dentro como fogo e aço na pele. Salve-me com seu conselho e seu alento, seja o meu abrigo mais uma vez. Resguarde-me do meu sofrimento involuntário. Leve-me para perto de você, onde o céu seja o único acima de nós e o chão elevado nosso aliado fiel.
Que a sabedoria dos seus olhos encontre a magnitude plena do meu ser. E busque, até o fim dos dias, uma maneira de me proteger.
Amor, seja meu esconderijo nos dias chuvosos, seja meu coração de batimento constante e inesgotável. Seja a nova essencia que me preenche. Preciso de você. Hoje e amanhã, depois e sempre.
Quero sua paciência inerte na minha confusão.
Preciso de sua companhia, sua presença. Porque sua ausência é como gelo em contato com minha pele já fria. Se encontro seus lábios entre o caminho de abrir os olhos e te enxergar sinto uma fé imensa. Na vida. Esperança a me iluminar.
Porque é só por você que continuo, e sua dor também só faz me maltratar, quando no medo intímo de não te ter um dia me pego a chorar. Lágrimas despercebidas, como velhas amigas a me visitar.
E chego ao extremo de meus abismos, minha mania doce de me entregar. Cair e desistir, como quando era forte sorria e agora fico simplesmente a olhar, são desencontros breves, a sanidade se corrompe, e como um pássaro machucado, tento voar.
Não importa. Por mais que os dias passem minha paz é te ver chegar, seus braços prontos para me acolher, o encaixe perfeito, a certeza do destino. Sua risada no meu sorriso, sua falta na minha compreensão. Tão exato, tão completo. Talvez seja esse o momento que passei a vida a esperar. Talvez seja você e eu.
Mas sei que sua presença já não é opção, e sim necessidade. E esse sentimento cresceu enquanto os dias passaram, longos e gelados, sempre longos, sempre gelados. E o seu abraço foi sempre meu abrigo quente, esconderijo certo, incerto era somente o tamanho do seu poder.
Lembro que um dia eu pedi à você que me protegesse de tudo, de mim. E você disse sim, eu não vou te abandonar nunca. Agora já faz tanto tempo, e você ainda está aqui. Será possível mesmo que a vida é tão bonita assim de se viver? Quero a força do tamanho da distância que um dia nos separar, porque assim vivo por você, porque assim te encontro em meus sonhos em noites estreladas, enluaradas. Assim penso em você, sem que seja necessidade ou obrigação, simplesmente penso e sinto e você torna-se o mundo dentro de mim.

sábado, 29 de maio de 2010

Trinta e nove minutos. Posso te escutar.

Depois de toda essa desesperança, depois de todo esse tempo que se passou. Quando foi? Perdi a noção do tempo quando você me deixou, sozinha, sem saber o caminho de casa, a rua pela qual seguir, o rumo para me encontrar. Perdida e vazia.
A lua me encontrou. Naquele momento de sobriedade desesperada, enlouquecida pela falta, pela ausência que me causou. Saudade tornou-se o mundo quando eu percebi, enfim, o deserto no qual me deixara. Deixou-me, culpando-se pelo ato de ser e precisar. Precisar.
Ninguém nunca precisou de alguém como um dia eu precisei de você, sua bondade era como a sombra na beira mar. Eu via aquela água imensa, escura de cor inexplicável que eu sempre adorei, e em meus sonhos você me visitou, talvez fossem pesadelos, em outras palavras, era quase insuportável acordar. E eu acordei: todas manhãs ensolaradas, frias ou maltratadas. Todas as noites, quentes ou nubladas. Com céu ou sem teto, acordei desolada na infinita singularidade que me foi dada.
Lembra daquele som acustico bonito que parecia vir do além para nos envolver? Era tão intenso que eu nunca esqueci, nunca. A cada instante aquelas notas ressoaram em meus ouvidos,  me fazendo acreditar que por onde quer que eu fosse, você estaria sempre comigo.
Então me diga por quê. Agora me diga. Explique ou invente uma teoria qualquer, me faça acreditar que se foi porque a vida exigiu isso de você, diga que, assim como eu, nos dias nublados-ensolarados-infinitos que esteve distante dos meus braços pensou em mim.
Eu olho – todos os dias – pela janela, busco um motivo para já não te esperar e não posso, não concordo que um dia o mundo agiu para nos separar.
Se que tus alas se quedan conmigo, que desde el cielo tu abrazo es mi abrigo, ángel divino me cuidas del mal. Se que camino con tu compañía, que con tu voz se me encienden los días aunque tu puerta hoy este mas allá, te puedo escuchar. En cada libro esta escrito tu nombre, en cada verso te siento cantar. Tu mano me lleva directo a tu sombra. Yo se que una noche te voy a encontrar.
Você sabe que foi meu alento do começo ao fim. Fim este que ainda não aceitei, busco-lhe no deserto de almas em que passei a viver. Busco-lhe aonde eu for, ruas e avenidas são pequenas no mundo que eu tenho para vagar. Precipícios são rasos diante da profundidade do meu querer.
Me dê agora, um único motivo para que eu feche os olhos e saia, sem lhe tocar, sem que o sentimento que eu sinto seja mais forte do que qualquer coisa que eu venha um dia a encontrar. Você é meu mundo, digo e não tenho porque calar. Essa voz insiste todo o tempo em provar o quanto eu posso te amar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Veronika. Parte V

 E agora a sentia, sentia uma falta imensa de cada particula de seus antigos dias. E nada poderia fazer, afinal, suicidou-se. E quem faz isso, não merece viver. Parece até engraçado, mas dizem que uma pessoa deve ser amada quando menos merece receber amor, e talvez fosse assim, ali, agora, ela entendia isso, e chorou.
 Chorou como uma criança pequena, e era isso que era. Uma criança, nunca havia vivido, talvez nem existisse, talvez fosse somente uma ilusão. Uma ilusão na mente de alguém que sonha acordado. Alguém que olha as árvores passando rapidamente através da janela embaçada do ônibus, e imagina então, Veronika.
Então era isso, tão logo entendeu. Perdida em suas memórias inventadas, esqueceu. Quis então que aquele alguém parasse de imaginá-la, cansou-se de existir, olhou ao redor e encontrou toda aquela cor bonita, cor esta que sempre imaginou em seus sonhos mais bonitos, pacificos. E quis a resposta para sua maior dor. “Quem sou?”
 Porque o mundo a despejara assim, não sabia... e jamais saberia, já que as respostas para suas perguntas só deveriam ser dadas pela pessoa que um dia, ousara criar, em seu infinito particular, uma mulher branca, de olhos que mudavam de cor, e era isso que ela era. Nada mais, nada menos.
 Uma mulher branca, da cor das paredes que hoje a envolviam, encolhida no canto do quarto sozinha, chorando como uma criança que nunca havia chorado. Seus sorriso distintos já não existiam e o brilho dos olhos coloridos se apagou.
 Não soube porque, nunca entendeu. Em um momento qualquer, talvez o alguém que sonhara com ela, desenhara seus lábios e seus cabelos despertou, cansou-se de viver num mundo ilusório e quis viver, deixando-a de lado, esquecida entre as lembranças do passado. E então, assim, Veronika, sem escolher, deixou de existir.
 E hoje, depois de tanto tempo vivendo na ilusão de meus pensamentos confusos, resolvi despertar, e ao mesmo tempo me culpei... por destruir toda uma vida de sonhos e desilusão. Destruir tudo o que eu criei, deixar pra trás. Me culpei mesmo, com exatidão. Soube o que estava fazendo, sempre soube, e não polpei dor ou sentimento, machuquei com ferro quente a alma de quem me fez pensar, sorrir... com seus sorrisos distintos e olhos coloridos.

Fim